De um lado, profissionais com anos de mercado e conhecimento acumulado; de outro, novas gerações chegando com familiaridade com tecnologias, ferramentas e formas diferentes de resolver problemas. No ambiente dos negócios, a convivência entre essas perspectivas pode transformar a diferença de idade em uma oportunidade para ampliar repertórios e encontrar novas formas de lidar com os desafios do mercado.
A discussão ganha relevância à medida que a presença de profissionais mais velhos no mercado de trabalho aumenta. Segundo um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), até 2040, 50% da força de trabalho brasileira terá mais de 50 anos. O cenário reforça a importância de empresas e empresários estarem preparados para a convivência entre diferentes gerações e para aproveitar os conhecimentos que cada uma pode oferecer.
Para Rodrigo Monteiro, empresário e idealizador do Clube CDC, profissionais em momentos diferentes da carreira podem contribuir de maneiras distintas para o mesmo negócio.
“Quem já passou por diferentes fases do mercado carrega experiências que podem ajudar quem está começando. As novas gerações chegam com outras referências, novas tecnologias e maneiras diferentes de enxergar os problemas. Quando existe abertura para ouvir os dois lados, uma experiência complementa a outra”, afirma.
Essa complementaridade vai além do conhecimento técnico. Os mais jovens também trazem outras perspectivas sobre carreira, liderança e relações profissionais. Um levantamento do Instituto Ipsos mostra que 41% dos integrantes da Geração Z têm muito interesse em ocupar cargos de liderança. Ao mesmo tempo, a discussão sobre essa geração aponta questionamentos a modelos tradicionais de chefia, jornadas excessivas e à ideia de que crescimento profissional precisa necessariamente vir acompanhado de maior disponibilidade para o trabalho.
Para as empresas, essas mudanças podem abrir espaço para rever práticas sem deixar de lado experiência e responsabilidade.
“Uma geração mais nova pode questionar algo que sempre foi feito de determinada maneira e apresentar outra possibilidade. Isso não significa que aquilo que foi construído anteriormente perdeu valor, mas abre espaço para olhar o mesmo problema por outro ângulo”, explica Monteiro.
A tecnologia é um dos pontos em que essa combinação fica mais evidente. Profissionais mais jovens podem trazer maior familiaridade com ferramentas digitais e novas formas de executar processos, enquanto os mais experientes carregam conhecimentos construídos na relação com clientes, negociações, gestão e situações vividas ao longo da carreira. O compartilhamento desses repertórios pode ampliar as possibilidades antes de uma decisão.
“Quem tem mais experiência consegue perceber determinados riscos porque já passou por situações parecidas. Quem está chegando pode fazer perguntas que talvez não fossem feitas por alguém acostumado àquele processo. O problema acaba sendo analisado de uma maneira mais ampla”, ressalta o empresário.
A convivência, portanto, não precisa ser encarada como uma disputa entre maneiras antigas e novas de trabalhar. Diferentes trajetórias podem contribuir para questionar práticas, identificar soluções e adaptar empresas a um mercado em transformação.
“O empresário precisa entender o valor da experiência e da inovação. Quando existe espaço para escuta e troca, conhecimentos construídos em momentos distintos do mercado podem se complementar e contribuir para novas ideias, decisões e soluções”, conclui.
