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    Minha Casa, Minha Vida acelera contratações e leva para a gestão das obras o desafio de coordenar mudanças de projeto em escala

    Com 2,7 milhões de moradias contratadas desde 2023 e a construção industrializada ganhando espaço no programa, o fundador e CEO da ConstruCode, Diego Mendes, defende que a capacidade de entrega depende de como a empresa aprova alterações e as faz chegar a quem executa
    JoaoBy Joao27 de outubro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) soma cerca de 2,7 milhões de moradias contratadas desde 2023, com R$ 424,2 bilhões em financiamento, segundo números apresentados pelo secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Rabelo, em evento da Abrainc no dia 7 de outubro. A meta do governo federal é chegar a 3 milhões de unidades contratadas até o fim de 2026, o que coloca construtoras e incorporadoras diante de mais obras simultâneas, com um prazo médio que o próprio ministério estima entre 18 e 22 meses da contratação à conclusão.

    Para produzir mais rápido, parte do setor tem buscado a industrialização. Desde 2025, a Caixa adota no Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), que financia a faixa 1 do programa, um modelo que permite liberar recursos já na compra de componentes fabricados fora do canteiro, com exigência de rastreabilidade do material, segundo representantes do banco em painel promovido pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). No Termômetro Falconi da Construção Civil 2025, que ouviu 120 líderes de construtoras e incorporadoras, 33% das empresas apontaram os métodos construtivos industrializados entre os investimentos de curto prazo, num cenário em que 71% citam a falta de mão de obra qualificada como o fator de maior impacto sobre o negócio.

    A fábrica acelera, a coordenação precisa acompanhar

    Para Diego Mendes, CEO da ConstruCode, software de gestão de obras que conecta projetos e execução, a discussão sobre escala costuma se concentrar no que será produzido e deixa em segundo plano o caminho que uma alteração de projeto percorre até virar peça montada na obra.

    “Padronizar o que a fábrica vai produzir resolve uma parte da equação. A outra parte está em definir como a empresa aprova uma mudança de projeto e como essa mudança chega a quem vai executar”, afirma.

    Na avaliação do executivo, a industrialização antecipa o momento em que um erro de versão passa a custar caro. Numa obra convencional, uma revisão que não chega ao canteiro costuma gerar retrabalho no ponto em que o serviço foi executado. Quando o componente é encomendado a uma fábrica, a versão do projeto precisa estar fechada antes do pedido. Qualquer alteração aprovada depois disso tem de alcançar ao mesmo tempo o fornecedor, a equipe de montagem e quem acompanha o cronograma.

    O volume de mudanças ajuda a dimensionar o desafio. Em levantamento da ConstruCode com base em 800 empreendimentos cadastrados na plataforma, cada desenho passa em média por 2,4 a 2,9 revisões até ser liberado para obra, conforme o porte do edifício. Num prédio de médio ou alto padrão com até 20 pavimentos, que reúne cerca de 1.500 arquivos de projeto, isso representa perto de 3.600 revisões a distribuir ao longo de uma obra de 18 meses.

    “Já vi empresa dobrar o número de obras mantendo o mesmo controle de revisões de quando tinha três. Quando isso acontece, a escala passa a depender de alguém lembrar de avisar cada pessoa envolvida”, diz Diego. Para ele, a conta aparece na margem, porque o MCMV trabalha com valores de venda limitados pelas regras do programa e o retrabalho dificilmente pode ser repassado ao preço.

    O que os cases mostram sobre controle de revisões

    A ConstruCode atua nessa etapa ao automatizar o controle de projetos. Quando uma revisão é publicada, a plataforma registra a nova versão, identifica a anterior como obsoleta e notifica os responsáveis, o que reduz a conferência e os avisos manuais entre escritório e obra.

    A ForCasa, construtora focada em empreendimentos econômicos, com mais de 16 mil apartamentos entregues em 36 municípios, levou a plataforma a todas as obras em andamento, segundo case publicado em 2021. “O que vejo de maior vantagem é o controle de revisão. A ConstruCode ajuda de forma muito rápida e prática a entender se o projeto está desatualizado ou não, é tudo automático pela etiqueta QR, e, antes disso, já recebo as notificações e atualizações”, afirmou à época Mara Cristina Rodolpho, gerente de Qualidade da empresa.

    No Grupo Kallas, a implantação começou em novembro de 2019 com uma obra piloto e foi estendida a todas as obras em execução. Na obra da Freguesia do Ó, mais de mil impressos passaram a ser gerenciados pela plataforma, sem nenhum projeto obsoleto em campo, de acordo com o case da construtora.

    Os dois cases descrevem a gestão de projetos dessas empresas, sem identificar o sistema construtivo dos empreendimentos. Diego os usa como referência do controle que uma operação precisa ter montado antes de acelerar a produção. “Quem vai crescer no MCMV nos próximos anos precisa decidir agora quem aprova cada mudança e como ela chega à obra, antes que o volume de contratos torne essa pergunta urgente”, afirma.

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