Especialista enfatiza que a microbiota intestinal saudável também está associada a uma melhor qualidade de saúde mental e metabólica
A médica Cíntia Machado (CRM-RS 45.813), especialista em Medicina Funcional Integrativa, diz que o intestino é muitas vezes chamado de “segundo cérebro” por sua influência sobre todo o corpo. Ela explica que aproximadamente 70% do sistema imunológico está localizado no intestino, por precisar estar preparado para defender o organismo de invasores, como bactérias e vírus.
Cíntia reforça que um intestino saudável, com uma microbiota equilibrada, permite que o corpo reconheça e combata ameaças sem gerar inflamações desnecessárias. “Isso também impacta diretamente no bem-estar geral, já que um intestino em equilíbrio ajuda a regular os hormônios, absorver nutrientes e até mesmo influenciar o humor”, aponta.
Microbiota intestinal
Segundo a especialista, a microbiota intestinal é formada por trilhões de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos, que habitam o trato digestivo. O papel dessas “boas bactérias” é fundamental por auxiliarem na digestão de alimentos, na produção de vitaminas, como a vitamina K, algumas do complexo B e na proteção contra microrganismos patogênicos. Além disso, a microbiota atua na modulação do sistema imunológico, prevenindo doenças e regulando processos inflamatórios.
A saúde intestinal e o equilíbrio da mente
A médica afirma que existe uma forte conexão entre o intestino e o cérebro, conhecida como o eixo intestino-cérebro. Ela esclarece que o intestino produz neurotransmissores, como a serotonina — responsável por regular o humor e o bem-estar. Além disso, uma microbiota saudável pode reduzir inflamações no corpo, que também estão ligadas a transtornos como ansiedade e depressão. “Em outras palavras, cuidar da saúde intestinal é uma maneira indireta, mas poderosa, de cuidar da saúde mental”, pontua.
Consequências de uma saúde intestinal desregulada
Cíntia alerta que o intestino desregulado pode trazer consequências negativas para o organismo, como inchaço, gases, diarreia, constipação e dor abdominal são sinais comuns de que algo está errado. A disbiose, um desequilíbrio da microbiota, pode enfraquecer o sistema imunológico, aumentar a inflamação crônica, contribuir para alergias e até doenças autoimunes. Ela reitera que não cuidar da saúde intestinal também pode resultar em transtornos de humor, como ansiedade e depressão, além de dificultar a absorção adequada de nutrientes.
Melhorar a saúde intestinal
A médica lembra que a saúde intestinal pode ser melhorada com algumas medidas simples e eficazes. Primeiro, uma dieta rica em fibras, como frutas, vegetais, grãos integrais e leguminosas, com uma abordagem anti-inflamatória, reduzindo farinhas refinadas, glúten, açúcares, leite e derivados. Tudo isso ajuda a nutrir as boas bactérias do intestino.
Além disso, o consumo de alimentos fermentados, como iogurte natural, kefir, chucrute e kombucha, introduz prebióticos que fortalecem a microbiota. “Também é fundamental manter-se hidratado e evitar o uso excessivo de antibióticos e medicamentos, que podem desequilibrar a flora intestinal. Reduzir o estresse, praticar exercícios físicos regularmente e dormir bem são comportamentos que ajudam no equilíbrio do eixo intestino-cérebro”, salienta.

De acordo com Cíntia, alimentos ultraprocessados, industrializados, refinados, ricos em açúcar e aditivos químicos, devem ser evitados, pois eles podem prejudicar a microbiota intestinal, favorecendo o crescimento de bactérias ruins. Carnes processadas, refrigerantes, farinhas refinadas, glúten e derivados de leite também aumentam a inflamação no organismo e podem comprometer a saúde do intestino. O consumo excessivo de álcool e o uso indiscriminado de antibióticos podem alterar drasticamente o equilíbrio da flora intestinal, causando disbiose.
Frequência das idas ao banheiro
Conforme a especialista, a frequência ideal de evacuações pode variar de pessoa para pessoa, mas geralmente, considera-se saudável ir ao banheiro de 1 a 3 vezes ao dia. O importante é observar a regularidade e a consistência das fezes, que devem ser bem formadas e fáceis de eliminar. “Ir menos de três vezes por semana pode ser um sinal de constipação, enquanto evacuações frequentes demais, com fezes soltas ou pastosas, podem indicar problemas digestivos”, finaliza.
