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    Larian deixa venda de viagens e vira tecnologia de gigantes do turismo B2B

    Após alcançar R$ 200 mil mensais em uma conta enterprise, empresa busca R$ 10 milhões para ampliar engenharia, produto e inteligência artificial.
    JoaoBy Joao7 de outubro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Cotações que levavam até 20 dias úteis para serem respondidas ainda faziam parte da rotina de empresas do turismo B2B. Enquanto a experiência de compra do consumidor avançava com aplicativos e respostas instantâneas, os bastidores do setor permaneciam dependentes de sistemas antigos, processos manuais e operações com pouca integração.

    Foi ao identificar essa diferença que Bruno Bazoti iniciou uma mudança no modelo de negócios da Larian. Fundador e CEO da empresa de tecnologia no ramo do turismo, o executivo direcionou a companhia para o desenvolvimento de uma infraestrutura capaz de automatizar cotações, emissões, vendas e rotinas administrativas de grandes operações do setor.

    A trajetória até esse posicionamento começou em outro formato. Em sua primeira fase, a Larian atuava como subconsolidadora B2B e chegou a reunir 100 agências cadastradas, com volume bruto transacionado, o GMV, de R$ 1 milhão por mês. No segundo mês de operação, uma das maiores consolidadoras de viagens do Brasil, com faturamento anual de R$ 2,37 bilhões, identificou o potencial do software desenvolvido pela empresa.

    O empresário e sua equipe decidiram abandonar o modelo anterior e transformar a Larian em fornecedora de infraestrutura tecnológica white label. A companhia deixou de atuar na intermediação de viagens e passou a operar nos bastidores de empresas do setor. Atualmente, a Larian não funciona como agência ou consolidadora e também não vende para o consumidor final.

    Após a implementação da plataforma em uma das maiores operações de turismo do país, a tecnologia passou a assumir processos que antes dependiam de sistemas fragmentados e atividades manuais. Segundo dados fornecidos pela Larian, três indicadores concentraram os principais resultados:

    Tempo de resposta: O prazo médio para cadastro de novas agências (toda parte jurídica e financeira) foi reduzido de 20 dias úteis para até 30 minutos, ampliando a capacidade de atendimento às agências conectadas à operação.

    Venda cruzada: O módulo automatizado de conversão passou a incluir ofertas de hotéis e seguros nas emissões. Em quatro meses, a venda desses serviços adicionais cresceu 55%.

    Entrada de agências: A digitalização do cadastro e da reativação de parceiros provocou um aumento de 155% na entrada de agências na plataforma.

    A receita mensal da Larian com esse contrato passou de R$ 70 mil para R$ +200 mil. O modelo combina uma mensalidade fixa pelo uso do software, no formato SaaS, com uma participação sobre as transações processadas. A propriedade intelectual da plataforma permanece integralmente com a empresa de tecnologia.

    “Percebemos que o maior valor da Larian estava na infraestrutura criada para resolver gargalos que atingem todo o turismo B2B. Em vez de disputar a venda, passamos a fornecer a tecnologia que permite às empresas processar mais operações, responder com rapidez e organizar diferentes etapas em um único ambiente”, afirma Bruno Bazoti.

    No primeiro ano desse novo modelo, a tecnologia da Larian processou mais de R$ 64 milhões em GMV. Os resultados atraíram outras grandes consolidadoras interessadas em utilizar a plataforma, mas a capacidade atual da equipe tornou-se um limite para a entrada de novos contratos.

    A companhia mantém seis desenvolvedores dedicados exclusivamente à infraestrutura do primeiro grande cliente. Para preservar a estabilidade da operação, a Larian decidiu pausar novas implementações até ampliar seu time técnico e criar estruturas independentes para atender outras empresas.

    Com esse objetivo, Bruno Bazoti abriu uma rodada Seed, com possibilidade de avançar para uma Pre-Series A, no valor de R$ 10 milhões. A previsão é destinar 60% dos recursos às áreas de engenharia, produto e inteligência artificial. O plano inclui formar núcleos técnicos independentes e integrar mais duas grandes consolidadoras nos próximos 12 meses.

    “A demanda já existe e o produto foi validado dentro de uma operação de grande porte. O investimento permitirá ampliar a engenharia sem comprometer a estabilidade da plataforma e preparar a tecnologia para atender novos grupos do setor”, destaca Bazoti.

    Com a captação, a Larian pretende ampliar sua presença como fornecedora de tecnologia para o turismo B2B no Brasil. A estratégia está concentrada em crescer sem assumir a operação comercial dos clientes, mantendo o software como a camada responsável por conectar processos, equipes, agências e transações.

    B2B Bruno Bazoti inovação? Larian notícias tecnologia Turismo
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