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    Home»Comunicação»IA agentica: Empresas começam a transferir tarefas e processos inteiros para inteligência artificial
    Comunicação

    IA agentica: Empresas começam a transferir tarefas e processos inteiros para inteligência artificial

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio14 de setembro de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Número de agentes no ecossistema Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano e mostra avanço da tecnologia sobre fluxos completos de trabalho

     

    A inteligência artificial está deixando de servir só para tarefas pontuais e começa a assumir atividades cada vez mais amplas dos processos empresariais. Um dos sinais dessa virada aparece no Work Trend Index 2026, da Microsoft: o número de agentes ativos no ecossistema Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano e, entre grandes empresas, 18 vezes.

    O levantamento ouviu 20 mil usuários de IA em 10 países e mostra que 66% deles conseguem dedicar mais tempo a trabalhos de maior valor com o uso da tecnologia. Uma análise de mais de 100 mil conversas no Microsoft 365 Copilot apontou ainda que 49% das interações já envolvem atividades cognitivas, como analisar informações, resolver problemas e pensar de forma criativa.

    Os números indicam uma mudança na forma como a IA entra nas empresas. Em vez de só responder perguntas, redigir textos ou organizar informações sob comando de um profissional, os agentes digitais passam a executar sequências de tarefas, acompanhar processos e levar a uma pessoa apenas as etapas que exigem análise, decisão ou aprovação.

    “Estamos saindo de uma lógica em que a inteligência artificial era acionada para resolver uma demanda específica e entrando em um cenário em que ela passa a fazer parte do fluxo de trabalho. A discussão agora é quais etapas podem ser delegadas à tecnologia e em quais momentos a participação humana é indispensável”, afirma Abraão Osher, CEO da DNAfy, empresa de tecnologia especializada em infraestrutura de Inteligência Operacional Agentica.

    A mudança pede uma revisão dos próprios processos. Ao delegar etapas de uma operação a agentes de IA, a empresa precisa definir quais informações poderão ser acessadas, quais ações podem ser executadas de forma automática e quais atividades será necessária a supervisão humana.
    Na prática, os efeitos já aparecem em operações tradicionais. A Belliótica, rede de varejo óptico fundada em 1985 e com 11 unidades na Baixada Santista, passou a usar a tecnologia nas áreas comercial, de gestão de produtos e de análise de clientes.

    A empresa já tinha um sistema de gestão, mas parte dos dados das lojas ainda precisava ser exportada para planilhas, consolidada e analisada manualmente. Com a mudança, os relatórios comerciais passaram a reunir automaticamente informações como ticket médio, descontos, quantidade de itens por orçamento e desempenho de lojas e vendedores.

    Os dados de vendas também passaram a orientar a reposição de produtos e o acompanhamento de campanhas, enquanto a base de clientes ganhou análises sobre marcas, frequência de compra, lojas e comportamento de consumo.

    “O que mudou não foi só a forma de acessar os dados, mas a velocidade com que conseguimos transformá-los em informação para a gestão. Antes, havia um trabalho importante de consolidação e tratamento. Hoje, conseguimos direcionar mais energia para entender os cenários e tomar decisões”, afirma Thainara Ferreira, gerente da Belliótica.

    O caso ajuda a mostrar a diferença entre automatizar uma tarefa e delegar parte de um processo. No primeiro modelo, a tecnologia permite fazer mais rápido algo que já existia. No segundo, o próprio fluxo de trabalho é reorganizado para que determinadas etapas sejam executadas pelo sistema.

    Para Osher, é nesse redesenho que mora uma das maiores oportunidades para as empresas. “O ganho mais relevante não está apenas em fazer a mesma coisa mais rápido. Quando os dados chegam organizados e as atividades repetitivas são executadas automaticamente, as pessoas podem concentrar mais tempo na interpretação, na estratégia e nas decisões que movimentam o negócio”, diz.

    A autonomia dos agentes, porém, aumenta também a necessidade de governança. Os sistemas conseguem organizar informações, identificar padrões, executar tarefas e sugerir caminhos, mas objetivos, níveis de acesso, critérios de decisão e pontos de supervisão continuam sendo definidos pela empresa.
    “A pergunta deixa de ser apenas ‘onde podemos colocar inteligência artificial?’ e passa a ser ‘como queremos que o trabalho aconteça?’. O agente pode executar uma parte importante do processo, mas estratégia, objetivos e responsabilidade continuam sendo humanos”, afirma Osher.

    O avanço dos agentes digitais sugere que a próxima etapa da adoção de IA nas empresas vai além da produtividade individual. A tecnologia começa a entrar na própria estrutura da operação, e as organizações passam a decidir não só quais ferramentas usar, mas quais processos podem ser delegados e quais decisões precisam continuar nas mãos das pessoas.

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