Quais são as apostas dos líderes C-Level para o último trimestre do ano? Segundo o ‘Índice de Confiança do CEO’, da Chief Executive, cerca de 53% dos líderes veem a execução eficiente e o alinhamento organizacional como fatores determinantes para que as empresas alcancem suas metas ainda este ano.
Na avaliação dos 285 CEOs que participaram do estudo, cerca de 19% classificam a força de trabalho, talentos e liderança como temas prioritários. Ranqueando o desenvolvimento de talentos e lideranças como peça fundamental do processo, o foco na força de trabalho ficou à frente de temas como ‘custos, margens e preços’ (13%), ‘Inteligência artificial e tecnologia’ (12%) e até ‘experiência e atendimento ao cliente’ (2%). O índice levou em conta os principais temas em mente dos CEOs para o segundo semestre de 2026.

Para Darwin Grein, especialista em desenvolvimento humano e organizacional, garantir a eficiência na reta final do ano passa pela evolução contínua das equipes e o fortalecimento das lideranças.
“Um grande problema que vejo hoje nas empresas é a falta de clareza nas prioridades. Quando tudo é importante, nada é importante. As pessoas ficam sobrecarregadas, enquanto os resultados se diluem. Desenvolver líderes e equipes, portanto, é fundamental para ser capaz de alinhar as prioridades à estratégia do negócio, tomar decisões corajosas e saber dizer não ao que não é essencial. Isso aumenta o engajamento e a assertividade na execução do planejamento, criando condições para que as empresas avancem em direção às metas, especialmente na reta final do ano”, explica.
Para alavancar o desempenho das equipes, o consultor também destaca estratégias de desenvolvimento como processos de Team Building — dinâmicas de colaboração e experiências coletivas de aprendizagem que exercitam a comunicação, escuta, negociação, tomada de decisão e resolução de problemas.
“Organizações que usam o último trimestre para fortalecer habilidades relacionais e unificar times constroem a base necessária para superar desafios, em um cenário econômico global complexo que gera contínua pressão por resultados “, explica Darwin.
Fortalecer a liderança, no entanto, ainda exige superar lacunas entre os executivos. É o que revela o “Panorama Liderança 2026”, realizado pela Amcham em parceria com a Humanizadas: segundo o relatório, as três maiores lacunas de liderança no Brasil não são técnicas, mas humanas.
O panorama destaca que gargalos como comunicação assertiva, gestão de talentos e inteligência emocional lideram o ranking de distâncias entre o líder atual e o líder ideal das empresas. Atuando no mercado há mais de quinze anos, Darwin explica que as habilidades comportamentais tornaram-se o pilar central para a sustentação de resultados e o engajamento dos times, cada vez mais buscadas pelas lideranças C-Level.
“Superar esses gargalos exige transformar a cultura de desenvolvimento de executivos em uma prática contínua. Em momentos de crise, focar em habilidades técnicas não resolve os desafios. As limitações em comunicação, inteligência emocional e gestão de pessoas afetam diretamente o desempenho operacional e o clima organizacional. O investimento no fortalecimento dessas competências cria lideranças preparadas para conduzir equipes de alta performance em fases de transição e incerteza”, reforça o especialista.
À frente da Juntxs, que possui em seu portfólio marcas como Votorantim, Boticário, Nestlé, Banco Pan, Unilever, entre outros conglomerados, Darwin Grein revela que outro desafio urgente das organizações é atualizar e consolidar no dia a dia uma cultura organizacional forte e humanizada.
“Transformar a cultura vai além de atualizar processos, mas substituir o foco exclusivo em métricas pela construção de segurança psicológica e confiança nas relações. Posso afirmar que resultados sustentáveis surgem da melhoria contínua das relações de trabalho. Investir no aprendizado coletivo vivencial transforma vulnerabilidade em potência estratégica, preparando times e lideranças para adaptar comportamentos e gerar alta performance para sair na frente em 2027”, conclui Darwin.
