Treze anos depois da primeira edição, Favelost, de Fausto Fawcett, está de volta, agora pela AVEC Editora, ainda mais afiado e atual. Misturando crônica, ficção e ensaio, o livro mergulha o leitor num Brasil que parece um laboratório do caos moderno, onde espiritualidade, tecnologia, colapso social e desejo por transcendência se misturam num grande turbilhão de contradições.
Mais do que uma simples história, Favelost é uma viagem pela cabeça e pelas angústias do nosso tempo. Fawcett descreve o momento atual como uma verdadeira “avalanche de Apocalipses”, uma sequência de revelações e crises que atravessam tudo, do clima à política, da mente humana à tecnologia. Para ele, as ferramentas que antes ajudavam a entender o mundo já não dão conta do recado: estamos imersos em vertigens que fazem o planeta parecer uma grande experiência fora de controle.
É nesse cenário que surge Favelost: uma espécie de “zona franca do caos”, um supergueto hipertecnológico com cara de favela e espírito medieval. Um lugar onde as pessoas tentam fugir de uma vida que parece pequena demais, ainda que isso tenha um preço. “É a promessa de uma intensidade vital que cobra um preço”, resume Fawcett.
O universo de Favelost é exagerado, mas soa assustadoramente familiar. Fawcett transforma o capitalismo exacerbado em cenário e personagem: um sistema que transforma precariedade em entretenimento e o desespero em performance. A crítica, porém, vai além da economia. Ele fala do esgotamento da própria civilização, do fim das grandes promessas, sejam liberais, comunistas, humanistas ou religiosas.
A ideia de progresso, segundo ele, virou um “Frankenstein globalizado”, uma máquina que anda sozinha e devora tudo em nome da inovação. O autor chama esse momento de “créuliberalismo”: uma era de velocidade cinco, ansiedade máxima e necessidade maníaca por segurança e pertencimento. Nesse vácuo, brotam as “seitas modernas” que tentam dar sentido a uma realidade cada vez mais insana.
E é justamente nesse vazio que nascem as “fomes de viver” que o livro explora. Fawcett enxerga o Brasil como o palco perfeito para essas vertigens: um país de contrastes devidamente amalgamados: sagrado bem profano, futurista bem primitivo e abismos cheios de êxtases. “Favelost é o sentimento de vertigem constante. Abismo que nunca chega. Brasil”, define.
A história de Favelost começou lá em 2006, quando Fausto foi convidado pela revista Playboy a escrever um conto futurista. O resultado foi uma fábula urbana sobre um casal perdido num centro hipertecnológico e decadente, e o cenário dessa história se chamava, justamente, Favelost. O autor gostou tanto da ideia que resolveu expandi-la até virar um livro.
A obra dialoga com títulos anteriores de Fawcett, como Santa Clara Poltergeist e Básico Instinto, que também colocam o Brasil no centro de acontecimentos extravagantes e sobrenaturais. Mas, segundo o autor, é em Favelost que essa mistura de crônica, ficção e ensaio atinge sua forma mais plena.
Mais atual do que nunca
Escrito entre 2006 e 2010 e publicado em 2012, Favelost volta agora em edição revisada e o tempo só jogou a favor do livro. “Certos aspectos mudaram, mas outros continuam em velocidade de cruzeiro”, comenta Fawcett. A nova versão traz observações sobre as transformações políticas, sociais e tecnológicas dos últimos anos, sem perder o vigor original.
Autor, compositor e performer, Fausto Fawcett é conhecido por unir poesia, delírio e crítica social em uma mistura única. Jornalista formado pela PUC-Rio, é o criador de clássicos como “Kátia Flávia, a Godiva do Irajá” e “Rio 40 Graus”, e sempre usou sua arte para retratar o Brasil em toda sua intensidade e contradição.
Com Favelost, ele transforma esse olhar em uma literatura que provoca, questiona e ri do próprio caos. “Temos que admitir o suculento caos que nos envolve todos os dias”, provoca o autor.
Nesta nova edição, Fausto Fawcett convida o público a mergulhar novamente no universo extravagante e insano de Favelost, um território erótico, espiritual e tecnológico que reflete, com ironia e espanto, o mundo em que vivemos.
“Venha se inspirar, se divertir, viajar e refletir com essa crônica-ficção-ensaio sobre a atualidade violenta e insana do Brasil e do mundo”, diz Fausto.
Em meio à avalanche de apocalipses que atravessa o cotidiano, Favelost reaparece como leitura essencial, um espelho distorcido, mas fiel, da sociedade contemporânea.
Confira o livro pelo link: https://aveceditora.com.br/produto/favelost/
