À medida que a força de trabalho envelhece, profissionais estão repensando quando se aposentar e permanecendo por mais tempo no mercado de trabalho. Entre 2012 e 2025, a população brasileira com 60 anos ou mais cresceu 58,7%, ultrapassando 35,2 milhões de pessoas, segundo levantamento da PNAD Contínua do IBGE. Os dados também apontam que, em 2025, 8,5 milhões de pessoas dessa faixa etária estavam trabalhando, reforçando a presença crescente de profissionais mais seniores e trajetórias profissionais mais longas.
Esse cenário está levando profissionais e empresas a repensarem o conceito tradicional de carreira. Com o aumento da expectativa de vida e pessoas trabalhando por mais tempo, as trajetórias profissionais tendem a se estender, abrindo espaço para novas oportunidades de desenvolvimento, reskilling (requalificação profissional), mudanças de carreira e até mesmo o retorno ao mercado após a aposentadoria.
“A permanência prolongada no mercado pode estar relacionada, além de necessidades financeiras ou à escassez de mão de obra, à busca por propósito, estímulo intelectual, autonomia e interação social. Para profissionais com décadas de experiência, continuar trabalhando pode representar uma oportunidade de compartilhar conhecimento, desenvolver novas habilidades e encontrar novos caminhos para suas carreiras”, explica Lucas Rizzardo, diretor do Indeed no Brasil.
Segundo uma pesquisa feita em 2025 pelo Indeed, site de empregos número 1 do mundo e plataforma líder de contratação, profissionais mais maduros demonstram maior abertura a mudanças de trajetória do que alguns estereótipos sugerem. Entre os Baby Boomers que estão em busca de emprego, a parcela que não demonstra preferência específica por permanecer na mesma área ou migrar para uma área diferente é maior do que entre outras gerações em cinco dos oito países analisados.
O resultado sugere que profissionais em fases mais avançadas da carreira também podem estar dispostos a explorar novos caminhos profissionais, reforçando a importância de oportunidades de desenvolvimento e mobilidade ao longo de toda a vida profissional.
“À medida que as carreiras se tornam mais longas, também precisamos ampliar nossa visão sobre o desenvolvimento profissional. Experiência e conhecimento prévio devem caminhar junto com oportunidades de aprendizado, flexibilidade e novas possibilidades de carreira. Para as empresas, isso significa criar ambientes capazes de valorizar profissionais em diferentes momentos de suas trajetórias”, afirma Rizzardo.
A mudança demográfica também representa para as organizações uma oportunidade de ampliar e diversificar suas estratégias de talentos. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca que práticas de gestão de pessoas mais inclusivas, flexíveis e adaptadas a diferentes fases da vida profissional podem ajudar a combater estereótipos relacionados à idade, melhorar as condições de trabalho e preservar conhecimentos importantes dentro das companhias.
Nesse cenário, algumas estratégias podem contribuir para a construção de ambientes de trabalho mais preparados para uma força de trabalho com diversidade de idades:
Recrutar e reter profissionais mais experientes
Empresas podem ampliar seus esforços para atrair trabalhadores mais seniores e criar condições que incentivem sua permanência. Programas específicos de recrutamento, modelos de trabalho mais flexíveis e oportunidades alinhadas às diferentes necessidades profissionais são alguns dos caminhos que podem ajudar a manter esses profissionais no mercado.
Investir em reskilling e desenvolvimento contínuo
Aprender novas habilidades não precisa estar limitado ao início da carreira. Rizzardo destaca a importância de garantir aos trabalhadores 50+ acesso a treinamento e oportunidades de aprendizagem, inclusive para acompanhar mudanças tecnológicas. Ele também aponta o potencial da troca de conhecimento entre profissionais de diferentes gerações.
Valorizar diferentes experiências e pontos fortes
Equipes compostas por profissionais em diferentes momentos da carreira podem combinar experiência, conhecimento institucional e novas perspectivas. Para aproveitar esse potencial, as empresas precisam considerar adaptações que tornem o ambiente de trabalho mais inclusivo para diferentes faixas etárias, como oferecer oportunidades de requalificação e desenvolvimento contínuo, ampliar opções de flexibilidade na jornada e adaptar espaços e condições de trabalho às diferentes necessidades dos profissionais.
A construção de uma força de trabalho mais diversa em idade também exige uma mudança de perspectiva sobre o desenvolvimento profissional. Em vez de pensar em uma carreira como uma trajetória linear que termina com a aposentadoria, empresas e profissionais podem enxergá-la como um percurso com diferentes ciclos, oportunidades de aprendizado e possibilidades de transição.
Para os profissionais, isso significa que a longevidade da carreira pode trazer novas oportunidades para aprender, mudar de função, retornar ao mercado ou compartilhar conhecimentos adquiridos ao longo dos anos. Para as empresas, significa criar estratégias de talento capazes de acompanhar uma força de trabalho que está se tornando cada vez mais diversa em idade, experiência e expectativas profissionais.
