A in-cosmetics Latin America, evento 100% focado em matérias-primas para cosméticos, acelera para a próxima edição em setembro, no Expo Center Norte, que terá, mais uma vez, a inovação como um dos pilares da programação. O tema está diretamente ligado à explosão das beauty techs, startups de tecnologia na indústria da beleza, como tendência global. No centro das discussões, segundo Ana Beatriz Elia, head da incoslatam, está como a tecnologia deixou de ser diferencial para se tornar parte fundamental da infraestrutura de empresas do setor.
Segundo dados do estudo da Liga Ventures e do Grupo Boticário, o Brasil já conta com 218 beautytechs ativas, que atuam desde o desenvolvimento de cosméticos inteligentes até soluções de personalização e novos ingredientes. O número faz parte de um universo em crescimento exponencial. Pesquisa da Grand View Research aponta que esse tipo de startup deve crescer quase 18% ao ano até 2030, ano em que deve ser alcançado o valor de US$ 172,99 bi mundialmente devido, principalmente, à inteligência artificial, realidade aumentada, dispositivos conectados e soluções de personalização.
Para a executiva à frente do evento, esse crescimento traz duas reflexões importantes e que impactam nas decisões de mercado.
“A primeira é que o crescimento deixa claro que há tanto potencial nas startups do setor que esse tipo de negócio continua atraindo investimentos. A segunda é que, com o surgimento de novas ferramentas, IA generativa vem se tornando um dos principais canais de descoberta de produtos”, explica.
A análise é amparada por dados da S&P Global, que mostram que aportes de private equity e venture capital em empresas de beleza e cuidados pessoais somaram US$ 2,03 bi globalmente em 2025. Já um levantamento da finlandesa Revieve, mais de 25% dos consumidores norte-americanos já utilizam IA generativa para encontrar produtos, um indicativo de como o funil de compra de cosméticos está migrando dos buscadores tradicionais para esse tipo de interface.
Papel e espaço das indie brands
Entre os agentes que se conectam a esse movimento estão as indie beauty brands. Com estruturas mais ágeis e maior capacidade de experimentação, essas marcas conseguem testar tendências, ingredientes e conceitos com rapidez, contribuindo para acelerar a adoção de novidades pelo mercado.
Segundo a NielsenIQ (NIQ), as indie beauty brands já representam 32% das vendas de beleza e cuidados pessoais e cresceram 22,3% no último ano, enquanto os grandes conglomerados avançaram 6,1%. O desempenho reforça a relevância dessas empresas em um setor cada vez mais aberto à inovação e à personalização.
“A indústria da beleza passa por uma evolução constante, impulsionada por novas tecnologias, ingredientes e processos. A in-cosmetics Latin America acompanha esse movimento ao reunir empresas que estão na origem dessas transformações e marcas que ajudam a traduzir essas inovações para o consumidor final”, conclui Ana Beatriz Elia.

