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    Conectividade e agro digital são aliados no enfrentamento ao El Niño

    Por Jorge Seiti, Head de Desenvolvimento de Negócios da Deutsche Telekom Global Business Solutions
    JoaoBy Joao30 de outubro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Jorge Seiti, Head de Desenvolvimento de Negócios da Deutsche Telekom Global Business Solutions Arquivo/Reprodução
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    Segundo o Climate Prediction Center (CPC), da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), na atualização de 8 de outubro de 2026, havia probabilidade superior a 83% de o El Niño permanecer forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027 [1].

    Para o Brasil, o Boletim nº 4 do Painel El Niño prevê, entre outubro e dezembro, chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média em áreas do centro-norte. Essa combinação pode agravar o déficit hídrico e dificultar a implantação da safra 2026/27, inclusive com risco de falhas de germinação e replantio em lavouras de soja semeadas precocemente. No Sul, a chuva pode favorecer o milho de primeira safra, mas, se excessiva, pode aumentar doenças fúngicas no trigo e dificultar a semeadura da soja. O boletim ressalta que são tendências sazonais, sujeitas à evolução das condições em cada região [2].

    O monitoramento do El Niño depende da coleta e transmissão contínua de dados atmosféricos e oceanográficos provenientes de satélites, sensores e boias oceânicas. Esse princípio também se aplica ao agronegócio, onde a conectividade possibilita transportar dados de campo para plataformas de análise que auxiliam na tomada de decisão.

    Também na prevenção, mas com foco na segurança, o mesmo tipo de conexão possibilita a comunicação de inclinômetros, que enviam sinais de alerta de riscos de deslizamentos, em áreas afastadas das redes celulares.

    Conectividade na prevenção e otimização da produção

    Embora não seja possível impedir o El Niño ou os eventos climáticos extremos, estações meteorológicas instaladas na propriedade podem coletar dados locais, como chuva, temperatura, umidade e vento. Com conectividade, essas informações podem ser enviadas a plataformas que as combinam com modelos e previsões meteorológicas para apoiar o monitoramento e as decisões de manejo. Assim, o produtor pode acompanhar melhor as condições da área e receber alertas, sem que isso elimine as incertezas das previsões.

    A estratégia a ser adotada depende da cultura, dos animais e da localização, mas o princípio é o mesmo: combinar orientações adequadas à produção e realidade local. Em algumas regiões pode ser necessário sombrear plantações, instalar sistemas de nebulização e ampliar a capacidade de armazenamento de água e alimentar animais quando a temperatura estiver mais amena. Nas regiões com excesso de chuvas pode ser necessário melhorar a drenagem, proteger o solo contra a erosão e intensificar o monitoramento fitossanitário, já que acúmulo de umidade no solo e no ar enfraquece as plantas e cria o ambiente perfeito para o rápido crescimento de fungos, bactérias e pragas.

    O desenvolvimento da tecnologia para o agronegócio possibilita ao produtor rural otimizar a produção e mitigar os riscos gerados pelo clima. Segundo o último Indicador de Conectividade Rural (ICR), da ConectarAGRO, com dados de 2025, a cobertura 4G ou 5G alcança 33,9% da área disponível para uso agrícola no Brasil, o que significa que aproximadamente dois terços dessas áreas ainda não contam com esse tipo de cobertura. Nesse contexto, os satélites LEO surgem como uma alternativa para ampliar a conectividade em áreas não atendidas adequadamente pelas redes terrestres.

    Com conexão na propriedade, o produtor pode consultar o Plantio Certo, da Embrapa, e verificar os períodos de plantio indicados para sua cultura, município, tipo de solo e ciclo. Também consegue acompanhar previsões e alertas e levar em conta as condições observadas na própria área. Essas informações ajudam a ajustar o manejo ao longo da safra.

    Além disso, a conexão habilita a implantação das tecnologias da agricultura digital e da agricultura de precisão, inclusive em propriedades de diferentes portes e em localidades com cobertura terrestre limitada. Dessa forma, o produtor pode usar tecnologias como inteligência artificial, Big Data, soluções na nuvem, equipamentos IoT, maquinários autônomos e drones para captação e geoprocessamento de imagens. Essas ferramentas podem contribuir para aumentar a produtividade por hectare e otimizar o uso de fertilizantes e agroquímicos.

    Já na rotina da fazenda, a conectividade também pode apoiar o acompanhamento do rebanho e das condições locais. Com dispositivos GPS, o produtor pode acompanhar o deslocamento dos animais e localizá-los com mais facilidade em situações como alagamentos.

    Profissionalização gera segurança de conectividade

    Os satélites de baixa órbita têm contribuído para ampliar a conectividade em áreas cultivadas sem cobertura de rede fixa ou móvel. Mas o que se vê no mercado é que em um primeiro momento foram adotados planos destinados ao uso doméstico, que podem funcionar bem para o uso pessoal ou aplicações não críticas e até possibilitaram a realização de provas de conceito das tecnologias.

    Embora planos voltados ao mercado residencial sejam adotados em alguns casos na conectividade rural, operações críticas do agronegócio tendem a demandar recursos adicionais de gestão, governança, suporte e previsibilidade.

    Além disso, a aquisição descentralizada de antenas e planos por pessoas físicas pode gerar pagamentos separados, baixa visibilidade sobre o consumo de dados e dificuldades de integração com processos administrativos. À medida que a conectividade passa a sustentar tecnologias como telemetria, automação, gestão de máquinas, videomonitoramento, sensores e estações meteorológicas, a operação por meio de planos destinados ao uso doméstico pode trazer limitações adicionais de gestão, suporte e continuidade para aplicações críticas.

    A conexão corporativa pode oferecer suporte técnico especializado, gestão centralizada, níveis de serviço definidos contratualmente e maior previsibilidade de desempenho, de acordo com o plano contratado e a disponibilidade da rede.

    Os benefícios de produtividade, mitigação de riscos climáticos e ambientais evidenciam que a gestão da conectividade precisa ser feita com o mesmo cuidado aplicado a ativos como água, gestão do solo, nutrição animal, gestão dos defensivos e fertilizantes, combustível e manutenção de máquinas e equipamentos.

    Hoje a conexão por meio de satélites sustenta processos cada vez mais críticos e demanda gestão contratual, controle de custos, suporte técnico e integração com outros sistemas. Quando máquinas, equipamentos e sensores dependem de conexão para gerar dados e valor, eventuais falhas podem afetar a produtividade, o planejamento de colheita e plantio, a segurança e gestão de ativos. Por isso, uma gestão estruturada da conectividade torna-se importante para buscar ganhos operacionais e reduzir riscos.

    Agricultura de Precisão Agricultura Digital Agronegócio Conectividade Rural El Niño Monitoramento Climático Mudanças Climáticas Safra 2026/2027 Satélites de Baixa Órbita Tecnologia no Campo
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