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    Home»Investimentos»Com Selic a 14,25% e juros altos nos EUA, Nomad aponta renda fixa americana e teses ligadas à IA como âncoras para o segundo semestre
    Investimentos

    Com Selic a 14,25% e juros altos nos EUA, Nomad aponta renda fixa americana e teses ligadas à IA como âncoras para o segundo semestre

    Relatório de perspectivas globais da fintech projeta resiliência no S&P 500, alerta para riscos em títulos de longa duração e aponta assimetria atrativa na Bolsa brasileira.
    JoaoBy Joao29 de julho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    A Nomad, fintech pioneira em soluções financeiras globais para brasileiros, lança seu relatório “Mid Year 2026: Perspectivas para Investimentos Globais”, estudo que traça o cenário macroeconômico desse segundo semestre, após um início de ano marcado pela dualidade entre o otimismo herdado do ano anterior e a instabilidade de novos choques geopolíticos no Oriente Médio. O novo panorama aponta para a interrupção no ciclo de queda dos juros globais, inflação persistente e resiliência dos lucros corporativos ligados à Inteligência Artificial, exigindo dos investidores maior diversificação de teses e geografias.

    De acordo com a análise, a virada de fevereiro para março rompeu a expectativa de soft landing e de cortes contínuos nos juros. Os conflitos envolvendo o Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz geraram um choque de oferta no petróleo, reaquecendo a inflação global. Nos Estados Unidos, sob a gestão de Kevin Warsh no Federal Reserve (FED), o afrouxamento monetário foi suspenso, mantendo a taxa básica entre 3,5% e 3,75% e o foco no controle inflacionário. No Brasil, o Copom reduziu o ritmo de cortes diante do IPCA acima da meta, encerrando o semestre com a Selic em 14,25% ao ano.

    “A geopolítica reescreveu as prioridades dos bancos centrais, consolidando juros altos por mais tempo e alterando o posicionamento que vínhamos adotando. O grande desafio agora é diversificar para navegar em um ambiente onde o custo de oportunidade é muito mais elevado”, avalia Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.

    Renda fixa: carrego como âncora e alerta contra duration longa

    Diante da entrada dos EUA em um regime de juros estruturalmente mais altos, a recomendação da Nomad na renda fixa é evitar posições em títulos de longo prazo (duration longa). Os papéis longos passaram a exigir um prêmio maior devido ao peso fiscal, à grande oferta de dívida e à necessidade de financiar o forte capex de Inteligência Artificial.

    A preferência recai sobre a parte curta e intermediária da curva americana, aproveitando yields de carrego atrativos na casa de 5% (grau de investimento) e 7% (high yield). No crédito privado, a ordem é seletividade, monitorando o risco de concentração, já que cerca de 20% do volume de emissões corporativas hoje está ligado a empresas de IA (hyperscalers). Nos mercados emergentes, os títulos em moeda forte (hard currency) seguem favoráveis como fonte de diversificação, construindo retorno focado no carrego.

    Bolsa americana: resiliência microeconômica e a força da Inteligência Artificial

    No mercado acionário, o índice S&P 500 demonstrou forte resiliência, encerrando o primeiro semestre com alta de 10,1%. Esse desempenho foi sustentado por um embate onde o micro superou o macro: as empresas reportaram a maior taxa de crescimento de lucros desde o pós-pandemia, impulsionadas pelo superciclo de IA.

    “Embora as questões macroeconômicas pesem, a capacidade tangível do mundo tecnológico segue se manifestando na monetização da IA e nos investimentos em infraestrutura. A expansão de margens das grandes empresas justifica os valuations atuais, afastando a tese de bolha”, afirma Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.

    Para o segundo semestre, o relatório mantém um otimismo cauteloso com Tecnologia, mas recomenda equilibrar o portfólio com teses defensivas e de valor. Setores ligados à infraestrutura física da IA (semicondutores, expansão de data centers e soluções de refrigeração) tendem a continuar crescendo, enquanto o setor de Saúde (Health Care), que operou com múltiplos descontados no primeiro semestre, surge como uma oportunidade tática de porto seguro por sua previsibilidade de fluxo de caixa. O setor de Consumo Discricionário, por outro lado, pede cautela devido à exaustão da renda da família americana.

    Brasil: desconto histórico e dependência de capital estrangeiro

    No cenário doméstico, o Ibovespa acumulou alta de 6,7% no semestre, mas sofreu no segundo trimestre com a saída de fluxo estrangeiro, que migrou para mercados asiáticos em busca de exposição à IA. Ainda assim, a Nomad aponta que a Bolsa brasileira apresenta uma assimetria extremamente atrativa: com um múltiplo Preço/Lucro projetado na casa de 8,1 vezes, o Brasil negocia com um forte desconto em relação aos seus pares emergentes, como Índia e Taiwan (20,5x) e México (13,4x). O retorno do fluxo estrangeiro, no entanto, dependerá do alívio inflacionário, da dissipação das tensões geopolíticas globais e da responsabilidade com a trajetória fiscal em período eleitoral.

    Criptoativos: correção de preços e superciclo regulatório

    Na classe dos ativos alternativos, o mercado cripto sofreu uma forte correção de mais de 30% no Bitcoin no primeiro semestre, penalizado pela aversão global a risco e juros elevados. Contudo, a Nomad destaca que o ecossistema vive um amadurecimento histórico com o superciclo regulatório nos EUA. O GENIUS Act consolidou o mercado de stablecoins — que já movimenta mais volume que a Mastercard —, enquanto a aprovação do CLARITY Act promete definir as regras de atuação para o capital institucional.

    O relatório conclui que a segunda metade de 2026 exigirá cautela com a volatilidade, mas oferece excelentes portas de entrada para quem foca na qualidade dos balanços e na descorrelação de portfólio. “Navegar no atual cenário exige alocação equilibrada, aproveitando o carrego da renda fixa e a diversificação internacional para proteger o patrimônio e capturar valor no longo prazo”, reforça o estudo.

    Para acessar o relatório Mid Year 2026 completo, clique aqui.

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