O crédito ampliado às empresas no Brasil alcançou R$ 7,2 trilhões, o equivalente a 54,7% do PIB e um crescimento de 6,9% em 12 meses, segundo dados do Banco Central. Nesse cenário de expansão, manter a operação funcionando no dia a dia é um desafio constante, mas nem toda falta momentânea de recursos representa um problema financeiro. Saber identificar o momento certo para recorrer ao capital complementar também é uma estratégia importante para manter a saúde financeira do negócio.
“O crédito deve ser visto como uma ferramenta de gestão, e não como uma solução para problemas recorrentes de caixa. Quando contratado com planejamento e um objetivo bem definido, ele fortalece a operação e cria condições para que a empresa cresça de forma sustentável”, afirma Luiz Fernando da Silva, especialista em crédito do Sistema Ailos.
Quando há necessidade de aporte externo, o ideal é que o empresário projete receitas, despesas e o impacto das parcelas nos próximos meses. Utilizado de forma planejada, o capital de giro ajuda a manter a operação saudável. O que merece atenção é quando o financiamento passa a ser usado de forma recorrente para cobrir problemas estruturais do negócio.
Entre os erros mais comuns estão contratar capital sem planejamento, considerar apenas o valor das parcelas e utilizar linhas de curto prazo para financiar investimentos cujo retorno ocorrerá apenas no médio ou longo prazo. Nesse cenário, as cooperativas financeiras se destacam por oferecer uma análise mais personalizada, alinhada à realidade de cada empresa, além de condições competitivas e acompanhamento próximo para apoiar o crescimento sustentável dos negócios.
Existem situações em que recorrer ao capital de giro faz sentido. Para manter a operação, por exemplo, a modalidade tem como principal objetivo financiar necessidades como reposição de estoque, pagamento de fornecedores, folha salarial e demais compromissos de curto prazo.
Já quando o foco é crescimento, o crédito pode apoiar oportunidades de expansão. É possível utilizá-lo para aumentar a capacidade de atendimento, reforçar estoques diante da expectativa de maior demanda ou apoiar a entrada em novos mercados, contribuindo para a geração de receitas e o desenvolvimento do negócio.
Também é importante destacar que nem todo projeto de expansão deve ser financiado com capital de giro. Para a aquisição de máquinas, equipamentos, veículos, imóveis ou outras estruturas de longa duração, existem linhas específicas de investimento, geralmente com prazos mais compatíveis com o retorno esperado e menor pressão sobre o fluxo de caixa.
Essas linhas costumam ser mais indicadas para investimentos em processos, compra de equipamentos ou expansão tecnológica, que aumentam a produtividade, melhoram o desempenho da empresa e fortalecem sua competitividade.
“Antes de assumir um novo financiamento, o empreendedor precisa entender se o investimento realmente trará retorno para o negócio e se haverá geração de caixa suficiente para honrar as parcelas. O crédito deve acompanhar o ciclo de crescimento da empresa, e não comprometer sua capacidade financeira”, destaca Luiz Fernando da Silva.
Ao contratar o crédito para expandir o negócio, o empresário deve avaliar se a empresa tem capacidade de pagamento, se a operação é rentável e se o nível de endividamento permite assumir um novo compromisso. Indicadores como fluxo de caixa, margem de lucro e endividamento ajudam nessa análise, assim como a projeção do retorno esperado do investimento.
