Má alimentação é um dos fatores de risco
De acordo com estimativas feitas pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), o Brasil deve registrar, aproximadamente, 45 mil novos casos de câncer de intestino ao ano, no próximo triênio, entre 2023 e 2025. Chama a atenção que 70% estarão concentrados nas regiões Sudeste e Sul. Desses casos, cerca de 23.660 devem ser diagnosticados entre mulheres e 21.970 entre homens.
O câncer de intestino, também chamado de colorretal ou do cólon e reto, envolve os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso (cólon), no reto (final do intestino) e no ânus. Conforme a oncologista Lucíola Pontes, a maior parte dos tumores é assintomática. “Quando os sintomas aparecem, como dor abdominal, sangramento nas fezes ou mudança do padrão de funcionamento intestinal, o tumor, geralmente, já está avançado”, alerta. Ela diz que esse é um dos tumores com maior incidência no mundo. “Estamos todos suscetíveis. Indivíduos com histórico familiar, sedentários, pessoas que consomem álcool em grande quantidade, dieta rica em ultraprocessados, apresentam mais chances”, explica.

Lucíola fala que a genética pode influenciar no aparecimento da doença. De acordo com ela, todo câncer é genético, sendo desenvolvido a partir de mutações em nossos genes. “A hereditariedade, mutações herdadas entre gerações da família, é responsável por cerca de 10% desse tipo de tumores”, comenta. A médica fala que o melhor exame para detectar o câncer de intestino é a colonoscopia, pois examina o órgão por dentro em busca de pólipos, (lesões precursoras que podem ser retiradas antes de se tornarem câncer, e dos tumores propriamente ditos).
A alimentação pode ser uma vilã no aparecimento do câncer de intestino. É um fator de risco importante. A oncologista destaca o equilíbrio na dieta através do consumo de mais fibras, frutas e verduras, além de reduzir a carne vermelha e evitar o uso de ultraprocessados e embutidos.
O tratamento para o câncer de intestino, segundo Lucíola, envolve os pilares da oncologia: cirurgia, quImioterapia e, por vezes, radioterapia. Em casos específicos, pode ser realizada também imunoterapia.
A pesquisa pela doença aumentou na internet. Famosos como O Rei do futebol Pelé (falecido no ano passado), as cantoras Preta Gil e Simony, que lutou e ainda lutam contra a doença, fizeram as pessoas procurarem sobre o tema. Apesar de ser mais comum em idosos, a oncologista destaca que o tumor pode aparecer em qualquer idade. “Tem se notado um aumento de incidência em jovens. Por isso, atualmente, as recomendações de rastreamento incluem iniciar colonoscopia aos 45 anos”, aponta.
