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    Home»Tech»Black Hat e DEF CON revelam nova fronteira da cibersegurança: a própria inteligência artificial virou alvo
    Tech

    Black Hat e DEF CON revelam nova fronteira da cibersegurança: a própria inteligência artificial virou alvo

    Por Fernando Amatte, Information Security Advisor do Oakmont Group.
    JoaoBy Joao25 de agosto de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Fernando Amatte, Information Security Advisor do Oakmont Group
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    Las Vegas (EUA) se tornou um dos principais pontos de encontro da comunidade global de cibersegurança, reunindo pesquisadores, empresas e profissionais nos maiores e mais relevantes eventos do setor: BSides-LV, Black Hat e DEF CON. Mais do que apresentar inovações e identificar mudanças na forma como o setor se prepara para novos desafios, esses eventos alertam para a transformação capitaneada pela IA e mostram a necessidade real das empresas em assuntos relacionados à segurança, monitoramento e controle.

    Cada evento possui seu estilo. A Black Hat segue tom corporativo e se pauta nas decisões que executivos precisam tomar, enquanto o BSides-LV e DEF CON preservam o detalhe técnico, abordagem informal e mais próxima da cultura hacker. É neste ecossistema que pesquisas e vulnerabilidades mantidas em sigilo durante meses são reveladas, além de uma visão de futuro.

    Entre os movimentos observados este ano, chamou atenção o avanço dos modelos próprios de inteligência artificial e das automações, acompanhado pela adoção de abordagens chamadas de “sem agente” (agentless). A proposta retira da mesa a necessidade de instalação de novos agentes, softwares e recursos nas máquinas e aproveita dados já coletados para extrair novas informações.

    Um exemplo prático é a utilização dos dados disponíveis em um “antivírus” para compreender o comportamento considerado normal de uma máquina e, a partir disso, identificar comportamentos anômalos. A lógica quebra a necessidade de adicionar novos componentes ao ambiente e permite aproveitar informações já disponíveis.

    Na Black Hat, dos 470 vendors presentes, a maioria incorporava algum tipo de inteligência artificial aos produtos. Mais interessante foi notar o avanço de soluções que utilizam a IA para proteger, monitorar e controlar a própria IA.

    Na DEF CON, IA com foco em (in)segurança era lei. Nos palcos principais, boa parte das trilhas de conteúdo era, direta ou indiretamente, relacionada a vulnerabilidades e segurança em IA, LLMs, MCP e vibe coding. O percentual não inclui as villages dedicadas a assuntos específicos como Malware, IoT, Red Team e Blue Team, sem contar as pesquisas relacionadas ao tema.

    A inteligência artificial está se consolidando como novo vetor de ataque, e seu uso sem controles, governança e os cuidados necessários transforma avanço tecnológico em um problema crônico de segurança. Proteger a IA passa a ser tão importante quanto utilizá-la.

    A DEF CON também mostra outro aspecto importante dessa evolução, incluindo a possibilidade de estudar, pesquisar e identificar vulnerabilidades de um marca-passo, uma bomba de insulina, um barco, um avião ou carro. Todas essas possibilidades são legítimas dentro das villages. Esses ambientes transformam tecnologias de difícil acesso em laboratórios de pesquisa e permitem testar, questionar e compartilhar conhecimento.

    O evento tem sua própria cultura e convida a audiência a mergulhar, se conectar e, ainda, compartilhar aprendizados para aumentar o nível de conhecimento entre os participantes. Nesta direção é que a DEF CON continua tão relevante para quem trabalha com cibersegurança.

    Para quem atua no setor, acompanhar Black Hat, BSides-LV e DEF CON vai muito além da vitrine de produtos. Os eventos ajudam a direcionar o setor para um olhar dinâmico sobre onde estão surgindo novas formas de ataque, quais tecnologias estão sendo incorporadas à segurança e quais desafios começam a aparecer antes de chegarem ao cotidiano das empresas.

    A principal lição deste ano é: a IA continua ingressando nas corporações e é justamente aí que é preciso montar um ambiente de segurança cada vez mais envolvente ao longo de toda a cadeia de atuação. Mais do que criar sistemas capazes de agir com autonomia, passa ao imperativo a compreensão sobre a maneira de monitorar, controlar e proteger.

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