O whey protein concentrado (WPC) ficou quase 90% mais caro em um ano e passou dos 20 mil euros por tonelada (cerca de US$ 23,4 mil), segundo dados da StoneX divulgados pela Reuters em maio. A alta se explica pela demanda aquecida por proteína, que também cresce com o avanço dos medicamentos análogos de GLPs, e por uma oferta que não acompanha esse ritmo.
Para as marcas, a equação mudou: o produto formulado só com whey chega mais caro à prateleira ou chega com margem menor. Nesse cenário, combinar fontes de proteína deixou de ser uma alternativa e passou a ser a principal saída para manter preço competitivo sem abrir mão da qualidade nutricional.
A pressão chega sobre uma categoria consolidada. Segundo a pesquisa AtlasIntel “Consumo de suplementos e prática esportiva no Brasil”, divulgada em janeiro de 2026, 19,8% dos brasileiros consomem suplementação esportiva. Entre eles, 59,9% usam whey protein, atrás apenas da creatina (74,1%). É uma base ampla e fiel ao produto, o que torna o repasse integral do aumento ao preço final um risco para as marcas.
Para Francisco Neves, CEO da Pronutrition, indústria que desenvolve e fabrica suplementos para grandes marcas, a alta do whey encerra a era da fórmula de uma proteína só. A saída, segundo ele, não é trocar um ingrediente caro por outro mais barato, e sim projetar blends que dividam o custo entre diferentes fontes e entreguem mais do que o whey entregava sozinho: desempenho nutricional, boa experiência sensorial e os benefícios próprios de cada matéria-prima.
“Trocar o whey por outro ingrediente não resolve. O que gera valor é saber combinar fontes proteicas mantendo desempenho nutricional, sensorial e conformidade regulatória. Um blend bem desenhado reduz o custo da fórmula e ainda soma benefícios que nenhuma proteína entrega sozinha. Isso exige P&D aplicado e conhecimento técnico de cada matéria-prima”, afirma Francisco.
O consumidor ficou mais exigente, e a fórmula precisa acompanhar
Segundo a empresa, 4 em cada 10 projetos de desenvolvimento recebidos envolvem proteína e, desde setembro de 2025, marcas, health-techs e profissionais de saúde passaram a buscar produtos de suporte a usuários de GLP-1. Hoje, mais de 50% das formulações do catálogo da Pronutrition já têm o selo GLP-1 Friendly. A demanda também se volta para formatos práticos e com doses menores, como géis, gomas e sticks. Quem usa GLP-1 tende a comer menos e corre risco de perder massa magra, o que exige que cada porção entregue proteína de qualidade.
Nesse cenário, conforme Neves, o colágeno entra no blend como parceiro do whey, e não como substituto. Isoladamente, o colágeno não tem o perfil de aminoácidos do whey, mas, combinado, o colágeno soma funcionalidades. O consumo de peptídeos de colágeno melhora a elasticidade da pele, um benefício relevante para quem emagrece ou treina para ganho de massa, fases em que o corpo passa por grandes variações de volume. Na formulação, os peptídeos de colágeno se dissolvem com facilidade, o que favorece géis e gomas, formatos que o consumidor atual procura.
“Os medicamentos para emagrecimento trouxeram um consumidor novo, que precisa preservar massa magra e quer proteína em formatos práticos. As marcas que conseguirem atender esse público com um blend que uma proteína completa e benefícios extras, como o cuidado com a pele, a um preço viável vão sair na frente. Nosso papel é dar a elas a base técnica para isso”, diz o executivo.
P&D como diferencial competitivo
A Pronutrition desenvolve suplementos alimentares para marcas que não detém o know-how de suplementos e conta com um portfólio de produtos já notificados prontos para lançamento ágil no mercado. Hoje, a empresa tem laboratório próprio de P&D e planta com 5 linhas produtivas. A unidade vai multiplicar por 12,8 a capacidade de produção em unidades e trazer para dentro de casa a fabricação de gomas, cápsulas em linha automática e sticks.
“Oscilações de preço vão continuar. O whey segue sendo referência, mas o blend proteico é o que garante preço competitivo e diferenciação. O que dá previsibilidade para uma marca é ter um parceiro industrial capaz de reformular com agilidade, sem comprometer qualidade nem conformidade. É assim que a categoria segue crescendo com consistência”, conclui o CEO.
