Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o índice de amamentação na primeira hora de vida é de 62,4%. Já a taxa de amamentação exclusiva no Brasil é de 46% nos primeiros seis meses, de 52,1% aos 12 meses e de 35,5% aos 24 meses de vida. Segundo a pediatra Ana Maria Vilarinho, amamentar logo que o bebê nasce é o ideal para que ocorra a liberação de hormônios capazes de estimular a descida do leite. No leite materno são encontrados todos os nutrientes, substâncias imunológicas, enzimas primordiais para alimentar a criança e garantir o seu crescimento. A pediatra coloca nessa lista as vitaminas A, D, E, K, B1, B2, B3, B6, B12, C, proteínas, carboidratos, ácido fólico, cálcio, fósforo, magnésio, ferro, selênio, zinco, potássio e gorduras. “Não existe nenhum outro alimento no mundo que tenha tudo isso. A composição do leite materno é tão mágica, que vai evoluindo conforme a fase de desenvolvimento do bebê, por isso é considerado um “fluido vivo”, capaz de se adaptar à necessidade da criança”, salienta.
Ana Maria esclarece que além de suprir todas as necessidades nutricionais para o crescimento e a evolução da criança, amamentar fortalece a imunidade do bebê, protegendo-o contra alergias e infecções. Ela diz que a amamentação ainda favorece o desenvolvimento dos ossos e os músculos da face, facilitando o avanço da fala, regulando a respiração e prevenindo problemas na dentição. “O aleitamento materno também traz benefícios para a mãe, como a prevenção ao câncer de mama”, destaca.
Um problema que pode acontecer às mães que amamentam é o leite ficar “empedrado” e causar dor nos seios. Ana Maria conta que quando a mulher tem superprodução de leite, a pega está errada ou ela passa muitas horas sem amamentar, as mamas podem ficar endurecidas e mais quentes que o normal. A médica orienta a massagem e ordenha, além de amamentar. “Ao perceber o enrijecimento das mamas, ou de alguma região específica delas, o recomendado é massageá-las. A massagem deve ser compressiva e é feita sempre em movimentos circulares ao redor do seio. Em relação às compressas para aliviar o desconforto, jamais utilize as quentes. O calor estimula a circulação sanguínea e acaba aumentando a produção de leite materno. As compressas devem ser frias, como, por exemplo, a folha de repolho. O leite empedrado pode evoluir para um quadro de mastite, que é a inflamação da glândula mamária e que necessita de tratamento com antibiótico”, explica.

A pediatra comenta que a amamentação é desafiadora, pois exige muito esforço físico e mental da lactante, sendo essencial uma rede de apoio, inclusive no momento da criança ser amamentada. Ana Maria aconselha amamentar enquanto o binômio mãe e bebê quiserem. A profissional chama atenção para o mito do leite materno forte ou fraco. “Não existe essa diferença. Cada mulher produz leite específico para seu filho. No entanto, a quantidade de leite produzido pode ser dificultada pela baixa produção e de pega do bebê”, ressalta.
Quando a mulher volta da licença maternidade, mas o bebê mama no peito, a mamadeira não é obrigatória. A pediatra indica outras opções de dispositivos, como copo aberto ou de transição, colher dosadora. Também de acordo com ela, as fórmulas que substituem o leite materno são confiáveis. “Porém, é importante frisar que elas são feitas a partir do leite de vaca, soja ou arroz. Cada uma delas há vantagens e desvantagens envolvidas”, finaliza.
