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    Home»Notícias Corporativas»Reganho de peso após bariátrica desafia pacientes
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    Reganho de peso após bariátrica desafia pacientes

    DinoBy Dino13 de julho de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Antes de perder peso, é preciso aprender a mantê-lo. Essa é uma das principais conclusões compartilhadas por médicos de diferentes regiões do país diante de um desafio cada vez mais frequente: o reganho de peso após a cirurgia bariátrica. De acordo com os médicos entrevistados, entre 20% e 30% dos pacientes submetidos ao procedimento apresentam algum grau de reganho de peso ao longo dos anos. Se, no passado, o fenômeno era frequentemente associado à falta de disciplina, hoje os especialistas entendem que a obesidade é uma doença crônica e recidivante, que exige acompanhamento permanente.

    Em Jundiaí (SP), Iatagan Josino, doutor em Gastroenterologia e especialista em tratamento clínico e endoscópico da obesidade, explica que o retorno dos quilos perdidos está relacionado a uma combinação de fatores metabólicos, hormonais e comportamentais. "Existe uma adaptação do metabolismo após a perda de peso. O corpo passa a gastar menos energia, e a redução de massa muscular acelera esse processo. Por isso, o tratamento moderno da obesidade não termina com o emagrecimento, na verdade ele começa aí. A grande virada acontece quando conseguimos combinar ferramentas: a redução gástrica promovida pela gastroplastia endoscópica com o suporte metabólico dos agonistas de GLP-1. É essa combinação que permite resultados sustentáveis, não apenas números na balança." Para o especialista em gastroplastia endoscópica Sérgio Alexandre Barrichello Júnior, de São Paulo, a qualidade da perda de peso tornou-se tão importante quanto a quantidade. "A perda de peso precisa ocorrer com preservação da massa magra. Quando o paciente perde músculo junto com gordura, há impacto direto no metabolismo, aumentando a chance de recuperação do peso no futuro", explica. Em Fortaleza (CE), o médico Jefferson Paes destaca que um dos maiores equívocos é enxergar a cirurgia bariátrica como uma cura definitiva. "A obesidade é uma doença crônica, como hipertensão ou diabetes. O paciente precisa de acompanhamento contínuo, atividade física, alimentação adequada e suporte psicológico para preservar os resultados conquistados", afirma.

    Segundo os especialistas, durante muitos anos, pacientes que voltavam a ganhar peso tinham como principal alternativa uma nova cirurgia bariátrica, procedimento que costuma apresentar maior complexidade e riscos. Hoje, porém, uma opção menos invasiva vem ganhando espaço.

    A gastroplastia endoscópica é realizada por meio de endoscopia, sem cortes e sem retirada de parte do estômago. O médico realiza uma sutura interna que reduz a capacidade gástrica de cerca de 1.300 mililitros para aproximadamente 200 mililitros, promovendo maior saciedade e menor ingestão alimentar. Diferentemente da cirurgia bariátrica tradicional, não há desvios intestinais nem remoção de parte do estômago. A absorção de nutrientes é preservada, reduzindo o risco de deficiências de vitaminas e minerais. O sucesso do tratamento, no entanto, depende da atuação conjunta de uma equipe multidisciplinar formada por nutricionistas, psicólogos e profissionais de atividade física.

    De acordo com Eduardo Grecco, de São Paulo, "a gastroplastia endoscópica é um procedimento seguro e menos invasivo. Como não altera a absorção de nutrientes, reduz o risco de deficiências vitamínicas observadas em alguns pacientes submetidos à bariátrica." Segundo o endoscopista bariátrico Hans Roman Wulf Vieira, de Blumenau (SC), a técnica representa uma importante alternativa para pacientes que apresentaram reganho de peso após a bariátrica. "A gastroplastia é segura, pouco invasiva e proporciona recuperação rápida. Mas ela não funciona isoladamente. O sucesso depende da associação com acompanhamento nutricional, atividade física e mudanças de hábitos", afirma.

    Também em São Paulo, o endoscopista e gastroenterologista Jimi Scarparo ressalta que o maior desafio não está em emagrecer, mas em manter os resultados. "O grande problema não é perder peso, é mantê-lo. A obesidade é uma doença de longo prazo e o excesso de peso é apenas como a doença se revela, mas existe toda uma configuração metabólica que precisa ser ajustada. Nesse sentido, fazer uma reprogramação metabólica completa para esse paciente vai garantir resultados sustentáveis", diz.

    Por isso, um aspecto importante no tratamento da obesidade, além de ajudar o paciente a emagrecer, está na combinação de diferentes estratégias terapêuticas. Estudos recentes mostram que a associação entre a gastroplastia endoscópica e medicamentos agonistas do GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, pode proporcionar perdas superiores a 25% do peso corporal, aproximando-se dos resultados obtidos em algumas técnicas de cirurgia bariátrica.

    Para a médica Camila Teixeira, do Rio de Janeiro, não existe mais competição entre procedimentos. "Hoje não há uma disputa entre cirurgia, endoscopia e medicamentos. As estratégias se complementam. Em muitos pacientes, a associação entre gastroplastia endoscópica e os agonistas de GLP-1 permite alcançar resultados extremamente expressivos, ampliando as possibilidades terapêuticas", afirma. Na avaliação de Bruno Sander, de Belo Horizonte, a medicina vive uma mudança de paradigma. "Estamos entrando em uma era em que diferentes ferramentas podem ser utilizadas ao longo da vida do paciente. Em alguns casos, a combinação entre gastroplastia e medicamentos consegue alcançar resultados próximos aos obtidos pela cirurgia bariátrica, mas com menor invasividade", explica.

    Para os especialistas, a tendência é que o tratamento da obesidade deixe de ser medido apenas pela balança. Indicadores como composição corporal, preservação da massa muscular, saúde metabólica e qualidade de vida ganham cada vez mais importância.

    Mais do que promover grandes perdas de peso, o desafio da medicina nas próximas décadas será impedir que a obesidade permaneça aprisionada ao ciclo do efeito sanfona. Afinal, se a cirurgia representou uma revolução no tratamento da doença, a nova fronteira parece estar justamente na capacidade de sustentar os resultados ao longo da vida.

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