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    Home»Notícias Corporativas»Metabolismo influencia dor articular e requer visão ampliada
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    Metabolismo influencia dor articular e requer visão ampliada

    DinoBy Dino5 de outubro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Cerca de 1,71 bilhão de pessoas convivem com alguma condição musculoesquelética no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica esse grupo de doenças como a principal causa de incapacidade no planeta. Entre as queixas frequentes está a dor no ombro, com prevalência mediana de 16% na população geral, segundo revisão sistemática publicada na BMC Musculoskeletal Disorders. Parte desses quadros aparece acompanhada de cansaço persistente, ganho de peso e queda de força muscular, combinação que amplia a investigação além do desgaste local.

    Para o Dr. Conrado Cruz, médico ortopedista especialista em cirurgia de ombro e cotovelo em Curitiba, dor, metabolismo e função neuromuscular integram um mesmo sistema. Ele avalia que o sintoma costuma ser a face visível de um processo iniciado bem antes da consulta. "A dor pode ser o primeiro sinal percebido pelo paciente, mas as alterações biológicas que levaram a ela podem ter começado muito antes", afirma.

    Segundo o especialista, condições como resistência à insulina, diabetes, hipertensão, alterações da tireoide e desequilíbrios hormonais podem sustentar uma inflamação crônica de baixo grau, discreta e contínua, capaz de comprometer a qualidade dos tecidos e a recuperação muscular. Ele acrescenta que o processo pode avançar sem manifestação clínica. "Uma pessoa pode apresentar alterações metabólicas importantes durante anos sem sentir dor ou qualquer outro sintoma evidente", observa.

    Obesidade e ambiente inflamatório

    O ortopedista descreve dois mecanismos pelos quais o excesso de peso alcança as articulações: a sobrecarga mecânica sobre joelhos, quadris, tornozelos e coluna e a liberação de substâncias inflamatórias pelo próprio tecido adiposo. "A obesidade é uma doença crônica e complexa, que envolve diversos mecanismos de resistência e desregulação do organismo", pontua. Na análise dele, essa combinação ajuda a explicar recuperações mais lentas após lesões e cirurgias.

    "Quando permanecemos diante de uma grande desorganização metabólica e inflamatória, a resposta pode ser mais lenta, menos previsível ou menos duradoura", diz. Cruz cita medicamentos que atuam em vias hormonais ligadas à fome e à saciedade, como a semaglutida e a tirzepatida, entre os recursos que modificaram o tratamento da obesidade, desde que prescritos com acompanhamento médico e atenção à preservação da massa muscular.

    Músculo como sistema de proteção

    A perda de massa e de força muscular, chamada de sarcopenia em estágios avançados, aparece no raciocínio do médico como fator de risco para dores recorrentes. Ele lembra que a musculatura estabiliza as articulações, amortece impactos e distribui as cargas do movimento. "Uma articulação cercada por musculatura fraca, reduzida ou desorganizada perde parte de seu sistema natural de proteção", menciona, ao citar a sobrecarga que recai sobre cartilagens, tendões e ligamentos.

    O quadro pode se tornar cíclico, detalha: a dor reduz a atividade física, a inatividade diminui a força, a articulação perde proteção e o sintoma se intensifica. O tempo também pesa sobre o prognóstico. Estudo sobre fatores associados à recuperação de lesões do manguito rotador indica taxas de reintervenção entre 3% e 12%, conforme a população estudada e a via cirúrgica, e relaciona casos crônicos à degeneração gordurosa do músculo, apontada como fator de mau prognóstico.

    Sinais que apontam para o metabolismo

    Entre os indícios de participação metabólica, o ortopedista relaciona dores difusas e de difícil localização, fadiga desproporcional ao esforço, sono não reparador, aumento da gordura abdominal, dificuldade para ganhar massa muscular e resposta reduzida a analgésicos usados de forma adequada. Também cita crises desencadeadas por esforços banais, como estender roupas ou carregar uma criança. "Esse movimento pode ter sido o gatilho, mas geralmente não é a explicação completa", analisa.

    Ordem das intervenções

    O plano terapêutico, segundo Dr. Conrado Cruz, considera três pilares de forma simultânea: a estrutura lesionada, o ambiente metabólico e a comunicação entre sistema nervoso e músculos. Entre os recursos citados estão a neuromodulação, a reabilitação e procedimentos de infiltração articular ou tendínea, normalmente guiados por imagem, recurso que revisão da American Medical Society for Sports Medicine associa a maior precisão em comparação com a técnica baseada apenas em referências anatômicas.

    Na ortobiologia, um exemplo é o plasma rico em plaquetas (PRP), concentrado obtido do sangue do próprio paciente. O Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a autorizar a técnica como procedimento adjuvante em quatro condições osteomusculares, entre elas a osteoartrite de joelho e a epicondilite lateral do cotovelo, revogando a norma de 2015 que a classificava como experimental. A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos pondera, em material sobre terapias biológicas, que as evidências disponíveis ainda são limitadas.

    Por esse motivo, o médico trabalha com o conceito de preparo prévio do organismo. "Precisamos encontrar condições mínimas para que o organismo consiga responder ao estímulo recebido", afirma. Quando há obesidade importante, glicemia descontrolada ou déficit de massa muscular, ele explica que procedimentos guiados podem reduzir dor e inflamação local enquanto o ambiente metabólico é ajustado. "Não existe uma sequência única para todos", diz.

    Critérios técnicos sobre lesões do manguito rotador constam na Revista Brasileira de Ortopedia (RBO). Dr. Conrado Cruz ressalta que decisões sobre suplementação, reposição hormonal ou medicamentos para emagrecimento exigem exames e acompanhamento profissional, e que a terapia biológica não elimina a necessidade de fisioterapia, reabilitação ou cirurgia. "Em vez de buscarmos apenas um alívio momentâneo da dor, passamos a criar condições para uma recuperação mais completa, funcional e duradoura, sempre com indicação individualizada, critérios técnicos e acompanhamento médico", conclui.

    Para mais informações, basta acessar: https://drconradocruz.com.br/

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