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    Home»Notícias Corporativas»Fulfillment deixou de ser luxo de gigante no e-commerce
    Notícias Corporativas

    Fulfillment deixou de ser luxo de gigante no e-commerce

    DinoBy Dino24 de agosto de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    O setor deve movimentar R$ 259,8 bilhões em 2026, alta de 10,3% em relação a 2025, segundo projeção da Abiacom. O crescimento amplia os desafios da cadeia logística, especialmente na chamada last mile: etapa que o pedido percorre o trajeto final até o consumidor e que se concentram desafios de custo, prazo e previsibilidade.

    Nesse cenário, o frete aparece como um dos fatores que podem influenciar a decisão de compra. Segundo levantamento da Opinion Box, 60% dos consumidores apontam o frete mais caro do que o esperado como principal motivo para abandonar um carrinho, reforçando a importância de equilibrar custo e velocidade.

    Fulfillment não é sinônimo de entrega no mesmo dia

    Embora os conceitos estejam associados, fulfillment e entrega rápida representam etapas diferentes. Fulfillment é a estrutura responsável por armazenar, separar, embalar e despachar pedidos, enquanto same day é a entrega no mesmo dia da compra e next day, no dia seguinte.

    Uma operação de fulfillment bem estruturada reduz o intervalo entre compra e despacho, mas não garante entrega em poucas horas. A rapidez começa antes de o pedido chegar à transportadora e depende também da localização do estoque.

    Onde o estoque está também determina o prazo

    Empresas que concentram estoques em um único centro de distribuição podem enfrentar maiores distâncias e custos quando a prioridade é reduzir o prazo. Centros menores próximos aos consumidores, os microhubs, reduzem o percurso dos pedidos. As dark stores, destinadas à preparação e à expedição de compras online, também podem contribuir para encurtar esse percurso.

    Para operações de médio porte, montar essa estrutura por conta própria pode exigir investimento alto, já que abrir 20 centros de distribuição pelo país é inviável para a maioria das lojas. É aí que o fulfillment compartilhado ganha força. Pense em uma loja no Rio de Janeiro que vende 5 mil pedidos por mês, com compradores espalhados pelo Sul, Nordeste e Sudeste: em vez de despachar tudo a partir do Rio, ela avança parte do estoque para pontos próximos a esses consumidores, resultando em entrega mais rápida e frete mais barato, sem precisar construir e manter cada centro por conta própria.

    Tecnologia conecta estoque, loja e transportadora

    Ter produtos em diferentes localidades não garante, por si só, uma entrega mais rápida. O sistema da loja virtual precisa estar conectado ao estoque e às opções de transporte para identificar de onde o produto deve sair e qual transportadora oferece a alternativa mais adequada para cada destino. Sem essa comunicação, os ganhos da descentralização podem ser reduzidos.

    Segundo Rafael Pereira, diretor de produtos da SmartEnvios, essa integração é um dos principais desafios para operações de médio porte. "A maioria das lojas já entende que precisa descentralizar estoque, mas, sem um sistema que enxergue tudo isso junto, cada centro acaba funcionando como uma ilha. O ganho real de velocidade aparece quando a plataforma consegue analisar estoque, transportadora e endereço de entrega para definir a rota mais adequada."

    A tecnologia, nesse caso, funciona como uma camada de conexão entre os elementos da operação, transformando informações antes isoladas em uma base capaz de orientar decisões de transporte em tempo real.

    Entrega rápida tende a se tornar padrão de mercado

    O mercado global de entregas no mesmo dia deve crescer de US$ 5,78 bilhões em 2019 para US$ 20,36 bilhões até 2027, segundo a Allied Market Research. No Brasil, esse movimento tende a pressionar empresas que ainda operam com estoque centralizado, poucos parceiros logísticos ou processos manuais de escolha de frete.

    A questão não está apenas em entregar mais rápido, mas na capacidade de oferecer alternativas de prazo e custo conforme localização, disponibilidade do produto e estrutura de transporte.

    A integração de transportadoras amplia as possibilidades

    Administrar centros de distribuição regionais e negociar individualmente com transportadoras pode ser complexo, especialmente sem equipes dedicadas à logística. Uma alternativa que vem ganhando espaço é o uso de plataformas de gestão de frete, que concentram transportadoras em um mesmo ambiente e automatizam parte das decisões de transporte.

    A SmartEnvios é um exemplo desse movimento no mercado brasileiro, integrando mais de 15 transportadoras, entre elas Correios, Jadlog, J&T Express, Loggi, Uber Flash e Magalog, além de operar com uma rede de aproximadamente 25 hubs pelo país.

    A integração permite concentrar informações sobre custos, prazos e alternativas de transporte, o que possibilita escolher a rota conforme as características de cada pedido. Para o lojista, o modelo reduz a necessidade de administrar individualmente diferentes parceiros e estruturas.

    Segundo Rafael Mazzaron, CEO da SmartEnvios, a tecnologia ajuda a reduzir a complexidade da logística para empresas sem equipes especializadas. "O lojista não precisa entender de logística avançada para oferecer entrega rápida. Ele precisa de uma estrutura que enxergue as opções de transportadora e de rota e apoie a escolha mais eficiente para cada pedido."

    O modelo também permite que operações de menor escala tenham acesso a uma estrutura de transporte mais diversificada sem precisar reproduzir os investimentos feitos pelos grandes marketplaces.

    Logística passa a fazer parte da estratégia comercial

    A velocidade de entrega não depende apenas da transportadora: começa na localização do estoque, passa pelo processamento dos pedidos e depende da tecnologia usada para conectar estoque, loja e transporte.

    À medida que o consumidor compara prazos e custos antes da compra, essas variáveis passam a impactar conversão, margem e experiência, e a combinação entre estoques distribuídos, fulfillment eficiente, integração tecnológica e múltiplas alternativas de transporte tende a ganhar relevância. A última milha passa a integrar a estratégia comercial. Entregar no prazo prometido, com custo controlado e previsibilidade, pode influenciar a decisão de compra tanto quanto o produto e o preço no checkout.

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