O aumento na procura por cirurgia plástica após a perda de peso tem se tornado uma tendência significativa nos últimos anos, acompanhando o crescimento dos programas de emagrecimento e dos tratamentos medicamentosos para redução de peso. Após uma redução expressiva do peso corporal, muitas pessoas buscam procedimentos estéticos para remover o excesso de pele, remodelar contornos corporais e melhorar a autoestima.
Levantamento da Close‑Up International Brasil mostra a dimensão desse movimento: os três medicamentos de maior faturamento da categoria movimentaram, juntos, R$ 13,3 bilhões no Brasil entre maio de 2025 e maio de 2026. No comércio eletrônico, dados da Serasa Experian registram 1.364.354 pedidos de medicamentos associados ao GLP‑1 no primeiro semestre de 2026, alta de 149,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, com R$ 2,3 bilhões movimentados. São medicamentos de prescrição, indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 e do sobrepeso e da obesidade, condições crônicas que exigem diagnóstico e acompanhamento médico continuado.
Essa perda de peso em ritmo acelerado, porém, repercute na pele. Em orientação de segurança do paciente dedicada ao tema, a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) registra que o emagrecimento rápido prejudica a capacidade de regeneração e de manutenção da elasticidade da pele, favorecendo a flacidez, e que os efeitos desses medicamentos vão além da perda de gordura, alcançando músculos, ligamentos e pele.
A demanda crescente por procedimentos de contorno está relacionada não apenas à busca por um corpo mais harmonioso, mas também ao desejo de recuperar conforto e qualidade de vida, evidenciando a importância da cirurgia plástica como complemento no processo de transformação corporal.
Quando a cirurgia se torna necessária
De acordo com a Dra. Ana Cecília Granda, nenhuma tecnologia é capaz de remover pele excedente. Ela pode melhorar a firmeza, mas não elimina o tecido que está sobrando. Por isso, pacientes com grande sobra cutânea dificilmente alcançam o resultado esperado apenas com esses aparelhos.
"Nesses casos, procedimentos como abdominoplastia, lifting de braços, lifting de coxas e outras dermolipectomias retiram o excesso, remodelam o contorno e entregam um resultado que os equipamentos isolados não conseguem oferecer", explica.
Essa escolha, no entanto, traz uma consequência inevitável, que é a presença de uma cicatriz permanente. A conversa mais importante da consulta, segundo a especialista, não se limita à técnica que será usada, mas envolve qual resultado o paciente deseja e qual contrapartida está disposto a aceitar.
"Alguns preferem cicatrizes menores, mesmo cientes de que permanecerá certo grau de flacidez. Outros aceitam uma marca mais extensa para conquistar um contorno com menos sobra de pele. Nenhuma dessas decisões está errada, desde que amparada em informação clara e em expectativas realistas", pondera.
O movimento tem respaldo em números do setor. Dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS) apontam que, entre 2022 e 2023, a abdominoplastia cresceu 5%, a braquioplastia avançou 8%, o lifting de coxas subiu 2% e o body lift teve alta de 5%. A entidade também passou a dedicar mais espaço, em seus congressos, à discussão sobre pacientes com grandes perdas de peso.
A cirurgia plástica moderna, observa a especialista em contorno corporal, Dra. Ana Cecília Granda, não busca apenas transformar o corpo, mas orientar cada pessoa de forma individualizada. O objetivo deixa de ser a promessa de resultados impossíveis e passa a ser a indicação do tratamento mais adequado a cada situação, com atenção às características da pele, ao grau de emagrecimento, à qualidade dos tecidos e às prioridades de quem procura o consultório.
Como a pele perde firmeza
De acordo com a Dra. Ana Cecília Granda, o quadro predominante varia de paciente para paciente. Em alguns, o problema principal é a flacidez, situação em que a pele diminui a firmeza, mas ainda mantém proporção compatível com o novo contorno. Em outros, há sobra real de tecido, quantidade que já não consegue se acomodar ao corpo depois da redução do volume. Essa diferença muda por completo a indicação do tratamento, uma vez que cada condição responde de maneira própria aos recursos disponíveis.
"As tecnologias de retração cutânea, como radiofrequência e ultrassom, evoluíram bastante e figuram hoje entre boas opções para pacientes cuidadosamente selecionados", afirma.
Esses recursos, segundo ela, estimulam a produção de colágeno, melhoram a qualidade da pele e favorecem um contorno mais firme, sobretudo quando os tecidos ainda apresentam boa capacidade de resposta. A limitação, porém, precisa ficar clara: nenhum equipamento remove pele que está sobrando. A firmeza pode melhorar, mas o tecido excedente permanece no lugar.
"Mais do que optar entre tecnologia ou cirurgia, cabe entender que cada caminho tem indicações, benefícios e limites próprios, e que a decisão bem informada costuma ser o ponto de partida para um resultado seguro e satisfatório", acentua a médica.
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