A Orquestra Espreme a Pitanga inicia sua temporada de apresentações no Distrito Federal no próximo sábado, 9 de maio, às 18h, no Beco Cultural, em Taguatinga. Regida pela maestrina Drag Dalila, a formação percorre diferentes regiões ao longo do mês com uma proposta que articula criação coletiva, diversidade e a valorização da presença de pessoas LGBTQIAPN+ na música instrumental e no choro, além de releituras do choro em diálogo com outros ritmos populares. Todas as apresentações são gratuitas.
A programação segue no dia 15 de maio, às 19h, no Complexo Cultural de Planaltina; no dia 16, às 16h, com concerto e cortejo no Infinu, no Plano Piloto; e ainda terá uma apresentação de fechamento desta temporada a ser divulgada pelos canais oficiais da Orquestra.
A temporada marca a passagem do projeto para o encontro direto com o público, após um processo que envolveu oficinas, seleção de participantes e ensaios abertos. Ao longo desse percurso, a orquestra foi estruturada de forma colaborativa, reunindo músicos de diferentes níveis em torno da criação musical.
Mais do que uma formação convencional, a Espreme a Pitanga se organiza como um espaço de prática, troca e convivência. O repertório parte do choro — reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil — e se expande para diálogos com frevo, funk, pagodão baiano e maracatu, em arranjos que se afastam de formatos tradicionais e propõem diferentes formas de construção musical, transitando entre a leitura de partitura, a memorização e processos pedagógicos de transmissão de saberes entre os próprios integrantes.
"A partir do choro, que é uma linguagem de encontro e escuta, esse processo coletivo foi sendo construído ao longo das oficinas e dos ensaios. A orquestra também se afirma como uma orquestra popular, marcada por uma composição artística diversa e por uma instrumentação pouco convencional, em que músicos com diferentes níveis de experiência constroem juntos uma sonoridade própria", afirma Caio Handel, diretor artístico da Orquestra Espreme a Pitanga e criador da drag queen instrumentista e maestrina Dalila.
Do processo ao palco
Ao circular por diferentes regiões do Distrito Federal, a Orquestra Espreme a Pitanga leva ao público o repertório construído ao longo das oficinas e dos ensaios, mantendo a proposta de criação coletiva. "Cada apresentação carrega o que foi construído ao longo do processo. A orquestra chega ao público com essa vivência, que envolve escuta, convivência e construção conjunta do repertório", acrescenta Caio Handel.
Regência e presença em cena
À frente da orquestra, Dalila propõe uma condução que desloca o gesto tradicional da regência. Em vez da batuta, utiliza um leque e aposta em sinais e códigos de presença para orientar o grupo. Sua presença também marca um deslocamento importante na cena da música instrumental, afirmando a possibilidade de outras corporalidades e identidades ocuparem espaços de liderança e condução musical.
A escolha também se insere em uma dimensão de representatividade. "Como drag queen, também afirmo a presença LGBTQIA+ na música instrumental e no universo do choro, que historicamente é muito marcado por estruturas mais rígidas e predominantemente masculinas. A drag, nesse lugar, mostra que pode ocupar também espaços de condução, criação e liderança musical", completa.
Processo coletivo e diversidade
Para o diretor artístico, a construção da orquestra passa pela consolidação de um espaço de música popular que valoriza a diversidade como eixo central, tanto na formação quanto na prática musical.
A proposta incorpora a diversidade como eixo estruturante, tanto na composição do grupo quanto na condução artística. A formação prioriza pessoas LGBTQIAPN+, mulheres, pessoas pretas e pardas e moradores de regiões periféricas.
"Quando se fala de uma orquestra popular, também se fala de quem pode ocupar esse espaço. Há um movimento de ampliar esse campo, trazendo outras presenças, narrativas e experiências para dentro da música", analisa Handel.
Serviço:
Orquestra Espreme a Pitanga | apresentações gratuitas
9 de maio (sábado) – 18h
Beco Cultural – Taguatinga
Endereço: St. B Sul QSB 13 – Taguatinga Sul, Brasília (DF)
15 de maio (quinta-feira) – 19h
Complexo Cultural de Planaltina
Endereço: Avenida Uberdan Cardoso, Setor Administrativo, Lote 02 – Planaltina (DF)
16 de maio (sexta-feira) – 16h
Infinu (concerto e cortejo) – Plano Piloto
Endereço: CRS 506 Bloco A Loja 67 – Asa Sul, Brasília (DF)
Obs. 1: a apresentação que fechará esta temporada será agendada e divulgada pelo Instagram da Orquestra Espreme a Pitanga
Obs. 2: todas as apresentações terão entrada gratuita
Mais informações: https://www.instagram.com/espremeapitanga/
