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    Home»Notícias Corporativas»Empresas familiares: só 8% seguirão geridas pela família
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    Empresas familiares: só 8% seguirão geridas pela família

    DinoBy Dino20 de outubro de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Pesquisa da KPMG com 1.927 líderes em 41 países mostra que a proporção de empresas familiares geridas diretamente pela família deve recuar de 48% para 8% no Brasil até 2035, movimento que exige governança, processos e sucessão estruturada.

    O KPMG Global Family Business Report 2026, divulgado em agosto, ouviu 1.927 líderes e acionistas relevantes de empresas familiares e de capital fechado em 41 países, sendo 122 no Brasil. O levantamento foi conduzido pelo instituto Meridian West entre janeiro e fevereiro de 2026.

    O dado central do estudo aponta uma mudança estrutural no modelo de gestão dessas organizações. Globalmente, a proporção de empresas que se identificam como geridas pela própria família deve cair de 49% para 12% até 2035, uma redução de 37 pontos percentuais. No Brasil, a queda projetada é ainda mais intensa: de 48% para 8%.

    A migração esperada não é para a perda do controle familiar, mas para estruturas de gestão profissional com supervisão de conselhos e mecanismos formais de governança. Segundo o estudo, mais da metade das organizações deve adotar esse formato na próxima década.

    Confiança estratégica e pragmatismo

    Os dados brasileiros combinam otimismo e cautela. Entre os respondentes do país, 75% afirmam ter uma estratégia clara de crescimento e 74% relatam forte alinhamento entre os líderes da organização. Ao mesmo tempo, 61% acreditam que crescer será mais difícil nos próximos anos, percentual ligeiramente superior à média global de 59%.

    Os atributos ligados à identidade familiar seguem como principais diferenciais competitivos. No Brasil, 90% apontam a reputação familiar como vantagem relevante, 86% citam os valores compartilhados e 82% destacam o capital paciente, característica associada à capacidade de decidir com visão de longo prazo.

    IA avança mais rápido que a governança

    A adoção de inteligência artificial aparece como um dos principais impulsionadores de crescimento. No Brasil, 80% dos respondentes afirmam estar implementando IA ativamente, acima da média global de 64%.

    O avanço, porém, não é acompanhado pela estrutura de supervisão. Entre as empresas familiares brasileiras, 45% não desenvolveram uma estrutura de governança para IA, parcela que é de 38% no cenário global.

    A mesma defasagem aparece na gestão de riscos. Apenas 22% das empresas familiares brasileiras afirmam possuir uma estrutura abrangente de gestão de riscos corporativos, contra 33% na média global. Menos de 20% concordam fortemente que papéis e responsabilidades relacionados ao tema estejam claramente definidos.

    Sucessão é o desafio que mais cresce

    Entre os desafios de longo prazo apontados pelos líderes até 2035, a sucessão e o preparo da próxima geração aparecem em 31% das respostas. O tema era citado por 20% dos entrevistados quando a pergunta tratava do curto prazo, uma alta de 11 pontos percentuais na percepção de criticidade.

    Adoção e governança de IA lideram a lista, com 35%, seguidas por atração e retenção de talentos (30%), disrupção macroeconômica (29%) e governança e tomada de decisão estratégica (24%).

    Segundo Rodrigo de Paula, CEO da VBMC Consultores, a transição de uma empresa gerida pela família para um modelo com gestão profissional e conselho atuante não se resolve com a troca de nomes na liderança. "Ela exige processos definidos, indicadores confiáveis e rituais de gestão que sustentem a decisão no longo prazo. Sem essa base, a profissionalização fica no discurso e o negócio continua dependendo das mesmas pessoas de sempre", afirma.

    Em suma, o estudo aponta para um modelo de empresa familiar que preserva identidade, reputação e visão de longo prazo, mas que dependerá cada vez mais de gestão profissional, governança estruturada, atração de talentos e uso responsável da tecnologia.

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