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    Home»Notícias Corporativas»Efeito Ozempic começa a impactar o food service
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    Efeito Ozempic começa a impactar o food service

    DinoBy Dino26 de agosto de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    A recente aprovação do uso do Mounjaro para crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 pela Anvisa reforça o avanço dos medicamentos à base de GLP-1 no Brasil e amplia o debate sobre seus impactos na sociedade. Mais do que uma questão de saúde, esse movimento começa a produzir efeitos diretos no comportamento de consumo, especialmente no setor de alimentação fora do lar. Um estudo recente da NielsenIQ aponta que o chamado "efeito Ozempic" está mudando a forma como os brasileiros se alimentam, consomem e frequentam restaurantes.

    Para Thiago Terra, Executivo de Estratégia Comercial e Trade Marketing da Grano Alimentos, uma das líderes no segmento de vegetais congelados no Brasil, o impacto já começa a aparecer no dia a dia do setor. "O que estamos vendo é uma mudança silenciosa, mas relevante: o consumidor passa a sair menos e, quando sai, faz escolhas mais conscientes. Isso mexe diretamente com o modelo tradicional do food service, que sempre foi muito apoiado em volume e consumo por impulso", afirma.

    Hoje, 4,6% dos lares brasileiros já utilizam esse tipo de medicamento, enquanto 26,1% são potenciais usuários, ainda limitados principalmente por barreiras de preço e receio de efeitos colaterais. Entre os não usuários, 28,6% afirmam não utilizar os medicamentos por considerá-los caros, 39,8% preferem priorizar alimentação saudável e dietas e 39,3% relatam uso associado a condições de saúde, como diabetes.

    Entretanto, esse potencial tende a se expandir com a ampliação do acesso e com a redução de preços impulsionada pelo fim da vigência de patentes, que abre espaço para versões mais acessíveis e maior penetração no mercado. Ainda que a adoção no país seja relativamente baixa, o impacto no comportamento de consumo já é relevante, especialmente entre consumidores de maior renda — público que historicamente sustenta o food service.

    Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Canadá, observa-se uma trajetória de maior penetração, reforçando o potencial de crescimento no Brasil. Em 2025, cerca de 12% dos lares norte-americanos já utilizavam GLP-1, com projeção de dobrar até 2030, enquanto no Canadá esse índice já alcança 15% dos lares.

    O principal movimento está na mudança de hábitos: 89,4% dos usuários afirmam ter alterado sua alimentação. Há uma redução significativa no consumo de itens indulgentes, como doces, snacks, frituras e bebidas alcoólicas, ao mesmo tempo em que cresce a busca por proteínas, alimentos frescos e opções com menor teor de açúcar.

    Esse novo padrão também altera a lógica de consumo fora de casa. Com maior sensação de saciedade e menor apetite, o consumidor passa a comer menos e com mais intenção. Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Canadá, cerca de 40% dos usuários já compram menores quantidades de alimentos, enquanto uma parcela migra para opções de maior valor agregado, priorizando qualidade e benefícios nutricionais.

    Além da mudança no prato, há também impacto direto no bolso. O custo elevado do tratamento faz com que muitos usuários reorganizem suas prioridades de consumo: 62% afirmam despriorizar outros gastos para acomodar a despesa com o medicamento. Entre as principais categorias afetadas estão bares (62,3%), restaurantes (54,9%) e até mesmo compras em supermercados (16,4%). Esse movimento indica que o efeito dos GLP-1 não está apenas no ticket médio, mas também na frequência de consumo fora do lar, com reflexos diretos para o food service.

    Logo, para o food service, o desafio passa a ser duplo: lidar com um cliente que come menos e, ao mesmo tempo, é mais exigente. A tendência aponta para uma valorização de cardápios com porções menores, opções mais leves, ricas em proteína e com apelo funcional, além de bebidas sem açúcar ou com benefícios adicionais.

    Outro ponto relevante é o enfraquecimento do consumo por impulso. Combos tradicionais, como refeições completas com acompanhamento e bebida, tendem a perder espaço para escolhas mais conscientes e personalizadas.

    Na avaliação do executivo da Grano Alimentos, o movimento exige uma mudança prática na forma como o setor se organiza. "O consumidor não deixou de consumir fora de casa, mas está mais criterioso. Ele come menos, escolhe melhor e passa a valorizar aquilo que entrega benefício real, seja em qualidade nutricional, seja em experiência. Para o food service, isso significa repensar desde o tamanho das porções até a composição dos pratos e o papel das indulgências dentro do cardápio", afirma.

    Com a ampliação do acesso e da indicação desses medicamentos, que agora alcançam também faixas mais jovens da população, o potencial de impacto tende a crescer. O movimento sinaliza uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, que pode ganhar escala nos próximos anos. Para o setor, o momento é de adaptação e de leitura atenta de um consumidor que está, literalmente, com menos fome, mas muito mais seletivo.

    Sobre a Grano Alimentos

    Sediada em Serafina Corrêa (RS), a Grano Alimentos é uma das referências nacionais na produção e comercialização de vegetais congelados, com mais de 25 anos de atuação no setor e participação superior a 40% no mercado brasileiro, considerando também a produção para marcas próprias de varejo e food service. A companhia opera com distribuição em todo o território nacional e possui certificação BRCGS com classificação AA+, o mais alto nível do padrão internacional de segurança e qualidade de alimentos.

    O modelo de negócios da Grano é estruturado na integração com a agricultura familiar, trabalhando com mais de 120 produtores associados, com acompanhamento técnico contínuo e garantia de compra da safra. Essa atuação fortalece o desenvolvimento local, promove relações sustentáveis no campo e assegura regularidade, qualidade e padronização em toda a cadeia produtiva.

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