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    Home»Notícias Corporativas»Diagnóstico tardio aumenta risco no diabetes tipo 1
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    Diagnóstico tardio aumenta risco no diabetes tipo 1

    DinoBy Dino10 de agosto de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    O Fórum Intersetorial de CCNTs no Brasil e a ADJ Diabetes Brasil, em parceria com sociedades médicas e pesquisadores, divulgaram dados que evidenciam a gravidade do diagnóstico tardio de Diabetes Mellitus Tipo 1 (DM1) no país. Segundo o T1D Index, cerca de 520 mil pessoas vivem com DM1 no Brasil, enquanto 246 mil mortes prematuras foram registradas nos últimos anos; 25% desses óbitos ocorreram em indivíduos que nunca receberam diagnóstico durante a vida.

    A demora na confirmação do diagnóstico eleva significativamente o risco de cetoacidose associada ao diabetes (CAD). Estudos apontam que a incidência de CAD sobe de 20,5% em diagnósticos realizados precocemente para 52,3% quando o diagnóstico ocorre tardiamente, aumentando a probabilidade de complicações agudas e mortalidade.

    O estudo epidemiológico BrazDiab1SG revelou que pessoas com DM1 têm risco de morte três vezes maior que a população geral, com principais causas de óbito sendo doença renal crônica, CAD e complicações cardiovasculares. Nesse mesmo estudo, identificou-se que menos de 30% das pessoas com DM1 acompanhadas no Sistema Único de Saúde (SUS) mantêm a hemoglobina glicada (HbA1c) abaixo de 7%, apresentando média nacional entre 9,0% e 9,3%. Essa situação contribuiu para mais de 282 mil amputações de membros inferiores entre 2012 e 2023.

    Ao mesmo tempo, pesquisas recentes apontam que a HbA1c isolada não captura relevantes oscilações diárias da glicemia. O Tempo no Alvo (TIR), intervalo da glicose entre 70 e 180 mg/dL, medido por sensores de monitoramento contínuo de glicose (CGM), emergiu como indicador preditivo de complicações. Revisões sistemáticas indicam que cada redução de 10% no TIR eleva a mortalidade por todas as causas em 8% e a mortalidade cardiovascular em 5%. Além disso, episódios de hipoglicemia grave, mitigados pelo uso de CGM, duplicam o risco de hospitalizações por complicações cardiovasculares.

    "A consolidação de políticas públicas eficazes exige olhar o indivíduo de forma holística, integrando diagnóstico precoce, medicação adequada, alimentação saudável, atividade física regular, sono de qualidade, vacinação e o monitoramento contínuo da glicose", afirmou o Dr. Mark Barone, especialista em saúde pública e coordenador geral do FórumCCNTs. Barone ressaltou que a experiência vivida pelas pessoas com diabetes deve ser considerada como evidência para orientar decisões governamentais e garantir equidade no acesso às tecnologias de saúde. Para o especialista, "é inaceitável crianças diagnosticadas com diabetes tipo 1 no Brasil aos 10 anos de idade enfrentarem redução de 25 anos na expectativa de vida".

    A viabilidade da ampliação do uso de CGM no SUS depende também da descentralização do conhecimento. O endocrinologista Dr. Ronaldo Pineda Wieselberg, presidente da ADJ Diabetes Brasil, destacou que a educação em saúde é fundamental para o engajamento nos autocuidados. "Estudos econômicos nacionais comprovam que o monitoramento contínuo de glicose é custo‑efetivo para pessoas com diabetes. A disponibilização dessa tecnologia, aliada à capacitação em contagem de carboidratos e a programas educativos estruturados, confere autonomia às famílias, reduz internações de urgência e sustenta um modelo de assistência eficiente no SUS", explicou.

    Os especialistas apontam que, apesar das evidências, ainda há barreiras para a implementação ampla de CGM e programas de rastreamento familiar. A SBD recomenda a triagem de indivíduos de primeiro grau por meio de anticorpos específicos, prática já adotada em países como a Itália, onde a legislação prevê triagem populacional precoce. No Brasil, a adoção dessas medidas requer investimentos em infraestrutura, capacitação de profissionais e políticas de financiamento que assegurem o acesso universal às tecnologias de diagnóstico e monitoramento.

    Em síntese, a combinação de diagnóstico precoce, monitoramento contínuo da glicose e estratégias de educação em saúde constitui o caminho apontado por pesquisadores e autoridades para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas com diabetes tipo 1 no Brasil.

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