Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), divulgado neste mês, aponta que 57% das indústrias adotam ao menos uma das práticas de economia circular, que tem como objetivo diminuir o consumo de recursos, reaproveitar produtos e resíduos e reciclar materiais. Neste cenário, a Ecoalumi, por exemplo, tem identificado, nas iniciativas, oportunidades de ampliar os negócios integrando sustentabilidade, crescimento e competitividade.
Referência em refusão e extrusão de alumínio, a empresa situada no Paraná tem registrado um crescimento anual de 5%.
“Hoje, 40% de nossa produção de perfis é oriunda da transformação de retalhos e perfis descartados e realizada com tarugos recicláveis. Em nosso processo produtivo, reaproveitamos, mensalmente, cerca de 140 toneladas de sobras operacionais”, explica Claudio da Luz Ferreira, gerente comercial da empresa.
O executivo também destaca, “no próximo ano, queremos impulsionar o uso de alumínio reciclado para mitigar oscilações no preço global de bauxita, garantindo valores mais estáveis para o atacado”.
Desafios e projeções de mercado
Atualmente, o uso de alumínio reciclado enfrenta desafios relacionados a custos operacionais e burocracia, seja no transporte ou na recuperação de resíduos entre estados, além de problemas de padronização, regularidade no fornecimento de sucata e separação correta de ligas para não comprometer a resistência mecânica e o acabamento dos perfis.
Em 2027, a Ecoalumi deve aumentar sua capacidade produtiva em 50% e registrar um crescimento de 25% em vendas, por meio da inauguração de uma nova fábrica de 10 mil m² de área construída na cidade de Maringá (PR). Além da expansão, os investimentos realizados no local também terão como foco a redução de emissões para garantir um alto volume de entrega com menor impacto ambiental.
Entre as iniciativas previstas pela empresa para alcançar esse objetivo, está a intensificação do programa de recolhimento de sobras e refugos, expandindo a coleta para as redes de distribuição e grandes indústrias parceiras.
“Também queremos atender distribuidores cujos clientes finais exigem compromisso com a sustentabilidade e boas práticas socioambientais”, acrescenta Ferreira.
É importante ressaltar que, atualmente, a infraestrutura da Ecoalumi conta com tecnologias de corte e extrusão para controlar o desperdício na fábrica. As soluções minimizam a geração de cavacos e resíduos.
“Somos referência em iniciativas sustentáveis e competitivas. Comercializamos, desde 2012, produtos com apelo ecológico, sem comprometer a margem e o custo final para distribuidores e atacadistas”, conclui o gerente comercial.
O levantamento da CNI
Realizado por meio de entrevistas com mais de 1.600 indústrias, o estudo “Sondagem Especial Economia Circular 2026: Barreiras, Oportunidades e Práticas na Indústria”, da CNI, revela que os setores que mais adotam práticas de economia circular são os de equipamentos de informática e eletrônicos (86%), produtos de borracha (85%), papel e celulose (78%), calçados (76%) e biocombustíveis (75%). Além disso, destaca que a adesão ao modelo chega à 66% nas grandes empresas, 54% nas médias e 43% nas pequenas.
O conteúdo também aponta que 40% dos negócios industriais reduziu custos operacionais por meio de iniciativas como reciclagem (realizada por 32% das entrevistadas), logística reversa de produtos e embalagens e incorporação de recursos reciclados (utilizadas por 26%).
