O avanço dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil tem colocado a saúde emocional dos trabalhadores entre os principais desafios das empresas. Em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O cenário amplia a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos e a alta liderança para rever práticas de gestão e identificar fatores organizacionais que contribuem para o adoecimento.
Para o estrategista e conselheiro empresarial Cristiano Venâncio, fundador da Ora Sucessão & Governança e da Ora Pessoas & Cultura, parte das organizações ainda trata a saúde mental como uma questão predominantemente individual, quando muitos dos problemas estão relacionados à maneira como o trabalho é organizado, às relações entre profissionais e às práticas de liderança.
Essa é a principal reflexão de seu novo livro, Ninguém Adoece Sozinho – A engenharia do amor nas organizações, que será lançado em 4 de novembro, durante o HSM+ 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
“Trocar gente não resolve, tampouco melhorar o processo. O que resolve é reordenar”, afirma Venâncio na obra, ao defender que conflitos recorrentes, dificuldades de decisão e desgaste das equipes podem estar associados a problemas estruturais que permanecem mesmo após mudanças de profissionais ou processos.
Segundo o autor, empresas frequentemente investem em iniciativas de bem-estar sem enfrentar questões mais profundas, como a falta de clareza sobre responsabilidades, o desequilíbrio nas relações profissionais, a ausência de reconhecimento e modelos de liderança que favorecem a sobrecarga.
O resultado pode aparecer tanto no adoecimento dos trabalhadores quanto na perda de talentos, na deterioração do ambiente organizacional e na dificuldade de execução das estratégias empresariais.
Saúde mental passa a integrar a agenda de riscos corporativos
A discussão ganha relevância diante das mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que incorpora os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho à gestão de segurança e saúde ocupacional.
Para Venâncio, o novo cenário exige que o RH deixe de atuar apenas na resposta aos problemas e amplie sua participação nas decisões sobre cultura, liderança e organização do trabalho.
O desafio, segundo ele, não se resume à oferta de benefícios ou ações pontuais de qualidade de vida. É necessário compreender como decisões, comportamentos e relações dentro das empresas podem produzir ambientes de trabalho mais saudáveis ou contribuir para o desgaste dos profissionais.
Essa abordagem também tem implicações econômicas. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que depressão e ansiedade provocam a perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano no mundo, com impacto estimado de US$ 1 trilhão em produtividade.
Um novo olhar sobre liderança e cultura organizacional
Com mais de 25 anos de experiência executiva e acadêmica, Venâncio propõe no livro uma abordagem que relaciona saúde organizacional, governança e desempenho empresarial.
A obra parte do princípio de que determinados problemas não estão necessariamente nas competências individuais ou nos processos formais, mas na forma como as relações são estruturadas dentro das organizações.
Entre os temas abordados estão o pertencimento, o reconhecimento, a distribuição de responsabilidades, a relação entre líderes e equipes e os efeitos de conflitos não resolvidos sobre o funcionamento das empresas.
O livro apresenta ainda o método MOVA, estruturado em quatro etapas: Mobilizar o eu, Organizar o nós, Ver o sistema e Agir para o todo. A proposta é oferecer aos líderes um roteiro para identificar desequilíbrios nas relações de trabalho e promover mudanças na dinâmica das equipes.
Apesar do subtítulo A engenharia do amor nas organizações, Venâncio esclarece que o conceito não se refere a relações afetivas ou à ideia de transformar empresas em famílias. Sua abordagem trata o amor como um princípio de organização das relações humanas, baseado em reconhecimento, pertencimento e equilíbrio.
“O amor não é um sentimento, é uma ordenação. O sentimento é o efeito, não a causa”, afirma.
Com prefácio de Heloisa Carvalho, diretora no Grupo São Lourenço, a obra também questiona a ideia de que resultados empresariais e bem-estar precisam ser objetivos conflitantes.
“Em vez de buscar o que há de errado com quem adoeceu, ele nos convida a olhar para o lugar onde essa pessoa estava”, escreve Heloisa no prefácio.
Lançamento no HSM+ 2026
O lançamento de Ninguém Adoece Sozinho – A engenharia do amor nas organizações acontece em 4 de novembro, às 14h, na Arena Best Sellers do HSM+ 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Publicado pela Ora Editora, o livro tem 160 páginas e estará disponível na Amazon e nos principais marketplaces de livros do país.
