Após faturar R$ 15 milhões em seis anos ao formar mais de 3.700 profissionais negros dentro de empresas como Natura, Netflix e Itaú BBA, os executivos da consultoria Singuê lançam a AZO, escola de negócios brasileira voltada exclusivamente para média e alta liderança executiva negra. A empresa captou R$ 1,5 milhão em rodada inicial liderada por executivos negros e estima em 80 a 150 mil o número de profissionais negros brasileiros em posições de decisão — um mercado que, segundo os fundadores, nunca teve infraestrutura estruturada para desenvolvimento executivo com curadoria racial.
A rodada de R$ 1,5 milhão foi liderada por investidores anjo, em sua maioria executivos negros com passagens por grandes escritórios de advocacia, agências de comunicação e empresas multinacionais. Fundada por Talita Matos (diretora executiva), Eliezer Leal e Carolina Spotorno, a AZO nasce como desdobramento direto da experiência da Singuê, consultoria de diversidade que cresceu 100% ao ano.
Segundo o Instituto Ethos (2024), pessoas negras representam 70,8% dos trainees nas grandes empresas brasileiras, mas essa presença cai para 13,8% na diretoria e 5,9% no Conselho de Administração. A partir desse funil e de dados do IBGE/PNAD, a AZO estima entre 80 e 150 mil o número de executivos negros brasileiros em média e alta liderança. Pesquisa da B3 em parceria com o Instituto Locomotiva (2026) reforça: 98,6% das empresas listadas na bolsa brasileira não têm diretores estatutários negros.
Modelo de negócio e abertura em outubro
O produto principal é o AZO Club, clube por assinatura com ticket médio de R$6000 por ano e encontros semanais coletivos de até 90 minutos. Além disso, a estrutura combina masterclasses, mentorias coletivas, salas de debate e curadoria de convidados. A operação iniciou em setembro para poucos convidados e abre ao público em novembro deste ano. O portfólio inclui ainda cursos online e presenciais, além de imersões nacionais e internacionais.
Os fundadores nomeiam de “solidão estratégica” o momento em que um executivo negro chega a um cargo de decisão e não encontra pares com jornada parecida para trocar sobre movimento de carreira e repertório executivo. A AZO propõe resolver essa lacuna com três eixos: repertório, visibilidade e rede.
A empresa estreou internacionalmente na semana passada durante a Climate Week NYC, com evento no World Trade Center sobre o papel da liderança negra na transição climática e econômica global.
“A liderança negra não é um tema de diversidade corporativa, mas uma questão estratégica de quem vai liderar a economia”, afirma Talita.
