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    Obra de ampliação do canal de Nova Avanhandava já gera R$ 14,3 milhões para municípios e impulsiona investimentos de R$ 1,5 bilhão na hidrovia Tietê-Paraná

    Intervenção já gera receita para as cidades e prepara a hidrovia para ampliar sua capacidade de transporte de cargas
    JoaoBy Joao28 de agosto de 2026Nenhum comentário6 Mins Read
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    A ampliação do canal de navegação de Nova Avanhandava, na Hidrovia Tietê-Paraná, já produz impactos econômicos para a região noroeste paulista. A obra do Governo de São Paulo gerou R$ 14,3 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) para os municípios envolvidos e impulsionou investimentos privados estimados em R$ 1,5 bilhão para a construção de terminais e embarcações nos próximos anos.

    Até o momento, a execução do projeto proporcionou o recolhimento de R$ 14,3 milhões em ISS, recursos destinados diretamente aos municípios envolvidos. Buritama recebeu cerca de R$ 10 milhões, Birigui aproximadamente R$ 4 milhões e Brejo Alegre R$ 445 mil.

    Os recursos arrecadados demonstram que investimentos em infraestrutura hidroviária produzem resultados visíveis desde as primeiras etapas de sua execução, promovendo desenvolvimento econômico, fortalecendo os municípios e preparando o Estado para uma logística cada vez mais eficiente, competitiva e sustentável.

    Além da arrecadação direta, a obra já influencia novos investimentos privados. A MRS Hidrovias, cuja entrada em operação está prevista para 2027, prevê investir R$ 1,5 bilhão ao longo dos próximos anos em terminais e embarcações, com o objetivo de ampliar a capacidade operacional da hidrovia e consolidar sua integração com outros modais de transporte.

    Nova fase para a Hidrovia Tietê-Paraná

    Com investimento de cerca de R$ 300 milhões, a ampliação do canal de Nova Avanhandava marca uma nova fase para a Hidrovia Tietê-Paraná, um dos principais corredores logísticos do país. A intervenção aumenta significativamente a capacidade operacional da hidrovia e reforça sua importância para o transporte de cargas, a competitividade do agronegócio e a redução dos impactos ambientais.

    Com as obras executadas em um trecho de 16 quilômetros, a movimentação da hidrovia pode passar dos atuais 2,5 milhões para até 7 milhões de toneladas por ano, fortalecendo a conexão entre a produção agrícola do interior, as ferrovias e o Porto de Santos.

    A expectativa é que a ampliação permita retirar das rodovias cerca de 129 mil viagens de caminhões por ano. Se colocados em fila, esses veículos formariam uma sequência superior a 2.300 quilômetros, distância aproximada entre São Paulo e Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

    Além de contribuir para a redução do tráfego rodoviário, a expansão da capacidade hidroviária favorece o escoamento de commodities agrícolas, como soja e milho. No futuro, outras cargas, como madeira, também poderão utilizar a hidrovia.

    Menos emissões de CO₂

    Os benefícios da obra vão além da logística. O transporte hidroviário pode emitir até 80% menos dióxido de carbono (CO₂) do que o modal rodoviário, tornando-se uma alternativa mais sustentável para o escoamento de cargas em larga escala.

    O uso de um comboio Duplo Tietê, formado por quatro chatas e com capacidade para transportar cerca de 6 mil toneladas de carga, evita a emissão de aproximadamente 576 quilos de CO₂ por quilômetro percorrido. No percurso de cerca de 640 quilômetros pela hidrovia, entre São Simão (GO) e Pederneiras (SP), a redução é estimada em 369 mil quilos de CO₂ por viagem, em comparação ao transporte rodoviário, reforçando a vantagem ambiental do transporte hidroviário para o escoamento de cargas. Essa redução de 369 mil quilos de CO₂ por viagem equivale à quantidade de dióxido de carbono que cerca de 16,7 mil árvores adultas absorvem ao longo de um ano.

    Logística mais eficiente

    A maior capacidade de carga das embarcações reduz o número de viagens necessárias para transportar grandes volumes de produtos. Para movimentar 1,5 mil toneladas de soja, por exemplo, basta uma embarcação com empurrador, enquanto o mesmo volume exigiria 21 vagões ferroviários ou 43 carretas rodoviárias. Com 2,4 mil quilômetros navegáveis, a Hidrovia Tietê-Paraná conecta São Paulo aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná, consolidando-se como um eixo fundamental para a economia nacional.

    A ampliação de Nova Avanhandava aumenta a segurança operacional da navegação mesmo em períodos de estiagem severa e garante maior previsibilidade para o transporte de cargas. Entre as melhorias realizadas estão o aprofundamento para até 3,5 metros de profundidade e o alargamento do canal para 60 metros de largura, a proteção dos pilares da ponte da SP-461 e a implantação de atracadouros de espera próximos à eclusa, estrutura que reduz em, aproximadamente, 30% o tempo de eclusagem dos comboios.

    Segundo a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), Natália Resende, outro impacto relevante está no setor energético. “Com a adequação do canal, o setor elétrico ganha maior flexibilidade para operar os reservatórios em níveis mais baixos, ampliando a geração de energia sem comprometer a navegabilidade. É uma solução que concilia dois setores estratégicos para o desenvolvimento do Brasil, aumenta a eficiência da infraestrutura existente e reduz a necessidade de novos empreendimentos”, explicou.

    Denis Gerage Amorim, subsecretário de Logística e Transportes da Semil explica que, mais do que ampliar a capacidade de navegação, a iniciativa contribui para o melhor aproveitamento da infraestrutura aquaviária existente e para o aumento da eficiência energética, demonstrando que desenvolvimento econômico e preservação ambiental podem caminhar juntos.

    “São Paulo mostra, na prática, que os investimentos em infraestrutura se traduzem em mais competitividade, sustentabilidade e desenvolvimento para o futuro do Estado”, destacou.

    As melhorias também fortalecem a integração entre diferentes modais de transporte, ampliando a competitividade logística do interior paulista e reduzindo custos para produtores e empresas que utilizam a hidrovia como alternativa ao transporte rodoviário.

    Fortalecimento ao turismo

    Com a ampliação da capacidade de navegação, Buritama será uma das cidades beneficiadas pela obra. Reconhecida como Estância Turística pelo Estado de São Paulo, o município possui forte vocação para o turismo náutico e para atividades ligadas aos rios e reservatórios. A melhoria da infraestrutura cria perspectivas para ampliar a circulação de embarcações de lazer, realizar eventos náuticos e atrair novos empreendimentos, como marinas, pousadas, hotéis e estruturas de apoio ao setor.

    Situada em um dos principais corredores hidroviários do país, Buritama passa a ocupar posição ainda mais relevante na cadeia de transporte e desenvolvimento regional, ampliando sua visibilidade perante investidores e reforçando seu potencial como polo de integração entre logística, turismo e desenvolvimento sustentável.

    Desenvolvimento regional

    A obra tem entrega prevista no início do segundo semestre e gerou 250 empregos diretos e 750 indiretos e beneficia diretamente municípios da região de Buritama, Birigui e Brejo Alegre, além de fortalecer uma infraestrutura estratégica para o desenvolvimento econômico do interior paulista.

    Integrada ao Plano de Logística e Investimentos do Estado de São Paulo (PLI-SP 2050), a ampliação de Nova Avanhandava representa um passo importante na modernização da Hidrovia Tietê-Paraná e reforça o papel do transporte hidroviário como alternativa eficiente, competitiva e sustentável para o crescimento econômico do Estado e do país.

    A diferença de capacidade entre os modais ajuda a explicar esse impacto. Um único comboio Duplo Tietê transporta cerca de 6 mil toneladas de carga, o equivalente a 172 carretas de 35 toneladas cada. Com menos veículos circulando nas estradas, há redução do congestionamento, de sinistros, do desgaste da malha rodoviária e das emissões de gases de efeito estufa.

    economia Hidrovia Tietê-Paraná Infraestrutura logística notícias São Paulo sustentabilidade
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