O que acontece quando a precisão da culinária japonesa encontra a tradição mexicana da tequila? A partir dessa pergunta que o Geiko San, restaurante japonês paulistano, propôs um encontro gastronômico que aproximou dois universos aparentemente distintos. A noite aconteceu ontem na unidade da Rua Peixoto Gomide, 1492, em São Paulo
Em um menu servido em três tempos, o chef Walber, a chef confeiteira Veronica Kim, da By Kim Confeitaria, e o especialista em Clase Azul Cleomar Alves exploraram combinações entre pratos japoneses e diferentes expressões da tequila mexicana.
Mais do que uma sequência de pratos harmonizados, a proposta foi investigar como elementos como acidez, gordura, umami, dulçor e especiarias podem criar novas leituras quando colocados lado a lado.
A jornada começou com preparos delicados, como carpaccio de robalo com ponzu, maguro onsem e sashimi de bluefin, acompanhados da Clase Azul Plata, de perfil cítrico e floral. Na segunda etapa, entraram os sabores mais intensos, como Wagyu A5, sushi de vieira com ikura e black cod no missô, em diálogo com a Clase Azul Reposado.
O terceiro tempo ampliou o percurso para a confeitaria, com cheesecake de yuzu e torta de nozes e caramelo com especiarias, acompanhados da Clase Azul Gold. A etapa também incluiu preparos como handroll de bluefin com shisso, sushi de unagui com avocado e uma seleção de sushis.
A noite também marcou o encontro entre diferentes trajetórias. À frente da confeitaria, Veronica Kim traz sua formação no Le Cordon Bleu e a influência de suas raízes coreanas para criações que combinam técnica francesa e referências asiáticas. Já Cleomar Alves, especialista em puro agave azul, conduziu a apresentação das tequilas e a leitura das harmonizações.
Inaugurado em 2013, o Geiko San construiu sua identidade a partir do diálogo entre a tradição japonesa e a criatividade contemporânea. O próprio nome da casa faz referência às geiko de Quioto, artistas dedicadas às artes tradicionais japonesas, traduzindo a ideia de técnica, disciplina e dedicação que orienta o trabalho dos sushimen.
A proposta ofereceu, um olhar menos convencional sobre a harmonização: em vez de buscar apenas combinações óbvias, colocou em diálogo Japão e México, peixe e agave, umami e notas de madeira, yuzu e cítricos, criando uma leitura gastronômica que atravessa fronteiras.
Com número reduzido de lugares, a noite foi pensada para proporcionar uma experiência mais intimista, permitindo que os convidados acompanhassem de perto cada etapa do menu e suas harmonizações.
