Faltam quatro meses para o fim do ano e muitas empresas já começam a olhar para 2027. Antes, porém, há uma pergunta que pode ser mais importante do que definir novas metas, revisar orçamentos ou iniciar um novo ciclo de planejamento: a estratégia definida para este ano ainda está sendo seguida, e continua fazendo sentido?
Ao longo dos meses, mudanças no mercado, novas demandas dos clientes, transformações internas e acontecimentos inesperados podem alterar o contexto no qual o planejamento foi construído. Ainda assim, muitas organizações continuam perseguindo metas e prioridades definidas no início do ano sem questionar se elas permanecem adequadas à realidade atual.
Para Diego Alegre, CEO e cofundador da Arquipélago – Culturas que Transformam, esse é um dos riscos de tratar o planejamento estratégico como um documento fechado, construído em determinado momento e revisitado apenas no ciclo seguinte.
“É muito comum encontrar empresas com planos bem construídos que, ao longo do tempo, deixam de orientar as decisões do dia a dia. A estratégia só gera resultado quando está presente na forma como as pessoas trabalham, definem prioridades e fazem escolhas. Caso contrário, permanece onde foi escrita: em um documento”, afirma.
Mais do que perguntar se as metas serão cumpridas até dezembro, a revisão do período pode ajudar as organizações a olhar para uma questão anterior: as metas que estamos tentando cumprir ainda são as certas?
Segundo Alegre, nem sempre uma mudança de contexto exige abandonar o destino definido pela organização. Em alguns casos, a visão de longo prazo continua válida, mas os caminhos, prioridades ou capacidades necessárias para alcançá-la precisam ser revistos.
“Revisar a estratégia não significa mudar de direção a cada novidade. Significa ter a capacidade de perceber o que mudou e avaliar se aquilo que estamos fazendo continua sendo coerente com o futuro que queremos construir”, explica.
Entre o que está no plano e o que acontece na prática
Um dos principais desafios está justamente na distância entre a estratégia formal e aquela que efetivamente orienta a organização.
Uma empresa pode ter objetivos claros, indicadores definidos e um planejamento estruturado, mas as decisões tomadas pelas lideranças, as prioridades das equipes e a distribuição de tempo e recursos podem apontar para outra direção.
“É no cotidiano que a estratégia mostra se está viva ou não. Quando surge uma urgência, uma nova oportunidade ou um conflito de prioridades, é preciso observar quais critérios orientam as escolhas. Muitas vezes, é nesse momento que percebemos a diferença entre o que a empresa diz que é importante e aquilo que realmente prioriza”, afirma Alegre.
Para reduzir essa distância, a estratégia precisa ser compreendida e traduzida pelas pessoas que participam de sua execução. Isso não significa que todos devem decidir tudo, mas que diferentes áreas e perspectivas podem contribuir para uma leitura mais próxima da realidade do negócio.
Lideranças, equipes técnicas e profissionais que estão na operação, por exemplo, enxergam desafios e oportunidades a partir de lugares diferentes. Ouvir essas perspectivas pode ajudar a identificar obstáculos que não aparecem nos relatórios ou mudanças que ainda não chegaram às discussões estratégicas.
“Planejar não é tentar controlar tudo o que vai acontecer. É construir clareza suficiente para fazer escolhas e, ao mesmo tempo, manter a capacidade de aprender e se adaptar quando a realidade muda”, afirma.
A poucos meses do fim do ano, essa reflexão pode ser um ponto de partida para o próximo ciclo. Antes de construir novas metas e projetar 2027, talvez seja necessário olhar para o presente.
Ainda de acordo com ele, revisar a estratégia não é perguntar apenas se as metas serão cumpridas. “É perguntar se as metas que estamos tentando cumprir ainda são as certas”.
