Números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que os idosos entre 60 e 64 anos estão na faixa etária de maior incidência de depressão. Vários fatores foram identificados como predisponentes à doença na terceira idade, como a presença de comorbidades, incapacidade funcional, dependência física, menor apoio social, pouco engajamento nas atividades, escassa participação social e baixo suporte social.
Mas será que a falta de equilíbrio no sistema endocanabinoide pode ser um dos vilões no processo de depressão nos idosos? Segundo o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, os neurotransmissores são mensageiros químicos no cérebro que desempenham um papel significativo na regulação do humor e das emoções. Na depressão, acredita-se que os níveis de certos neurotransmissores cerebrais estejam desequilibrados. O sistema endocanabinoide (SEC) tem o potencial de modular a produção e atividade destes neurotransmissores, como a serotonina e dopamina. “A estimulação do sistema endocabinoide pelos canabinoides pode restaurar o equilíbrio na neurotransmissão cerebral, tendo impacto direto na causa da depressão. Além disso, encontramos benefícios na qualidade do sono, controle de distúrbios alimentares e manejo de dores crônicas, muito comuns nestes pacientes”, explica.

De acordo com José Wilson, o paciente idoso, usualmente, faz uso corrente de várias medicações. Torna-se imprescindível estar atento na avaliação da interação medicamentosa de cada fármaco com os canabinoides. “Um paciente em uso de anticoagulante, por exemplo, pode apresentar um maior risco de sangramento quando a terapia com canabinoides é iniciada. Outro fator importante é a avaliação da função hepática, pois quase todos os medicamentos são metabolizados no fígado, inclusive os canabinoides. A contraindicação mais frequente ocorre em relação ao THC, quando existe patologia cardiovascular descompensada”, alerta.
Segurança
O médico comenta que ao comparar a Cannabis Medicinal e os alopáticos clássicos, é encontrada uma incidência de efeitos colaterais infinitamente menores nos canabinoides. Ele diz que a possibilidade de tratamentos de diversas patologias com um mesmo fármaco, o espectro terapêutico da cannabis é amplo, mostrando-se uma excelente opção para a população idosa. “Um cuidado a ser tomado é em relação a um efeito colateral comum no uso de canabinoides: tontura e sonolência. Isso pode aumentar o risco de quedas. O paciente deve ser cuidadosamente orientado”, finaliza.
