A utilização da Cannabis pode proporcionar alívio aos pacientes, melhorando a qualidade de vida
Quando falamos em tratamento com medicações à base da Cannabis Medicinal e se há impacto na eficácia das outras que estão sendo utilizadas, José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, destaca que os canabinoides são dificilmente a primeira opção de escolha terapêutica para os pacientes. “Os canabinoides e a maioria dos medicamentos são metabolizados no fígado pelo mesmo complexo enzimático. É essencial avaliar a interação que ocorre entre eles para identificar possíveis mudanças na farmacocinética e farmacodinâmica”, explica.
O especialista lembra que o sucesso do tratamento depende de vários fatores, como a via de administração, a correta proporção entre os diferentes canabinoides escolhidos, as respectivas doses precisam de constante avaliação e ajuste pelo médico para que os resultados esperados sejam atingidos. “Levamos em conta também os diferentes objetivos ao longo do dia. À noite, efeitos sedativos podem ser bem-vindos. Durante o dia, preferimos os estimulantes. É uma terapêutica feita sob medida para cada paciente”, ressalta.
Benefícios e riscos para o paciente ao fazer a interação da Cannabis Medicinal com outras medicações
José Wilson diz que alguns anticonvulsivantes, por exemplo, têm ação intensificada quando usados com canabidiol, possibilitando a diminuição de doses e os constantes efeitos colaterais. Isso também ocorre com opioides — o uso paralelo com canabinoides permite que se diminua sensivelmente a dose sem perder o efeito analgésico. “Porém, efeitos negativos também são identificados. Anticoagulantes podem aumentar o risco de sangramento ao associarmos canabinoides. Vários quimioterápicos são incompatíveis por terem sua eficácia reduzida”, aponta.

Nível de segurança da Cannabis Medicinal
O médico comenta que a Cannabis é uma opção terapêutica segura. “A dose necessária para uma overdose letal é incompatível com o consumo humano e impossível de ser atingida”, afirma. Associado a esse fato, os efeitos colaterais dos canabinoides são mínimos e passageiros.
