A rinite é uma doença inflamatória das mucosas (revestimento interno) do nariz, com causas que podem ser alérgicas ou não. A pneumopediatra Juliana Lima explica que a rinite alérgica é dividida em intermitente e persistente. A diferença está na durabilidade dos sintomas. Enquanto a primeira pode acometer o paciente até quatro semanas, a segunda ultrapassa esse tempo. O tipo é desencadeado por aeroalérgeno (agentes causadores de alergias presentes no ar) como poeira, ácaro, pelos de cães e gatos, mofo, pólens, exposição ao tabagismo. Caracteriza-se por coriza, espirros, prurido nasal e ocular, lacrimejamento ocular, deformidade do palato.
No geral, a rinite não alérgica é causada por cloro de piscina, ar frio, exercícios (como a corrida ao ar livre). No entanto, nesse quadro de rinite não alérgica, temos também a rinite infecciosa causada por vírus (como o da gripe, por exemplo); rinite gestacional (causada pela ação dos hormônios da gravidez na mucosa nasal); rinite induzida por medicamentos como alguns anti-hipertensivos, ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios; rinite associada à doenças como tuberculose e autoimunes. “O diagnóstico diferencial dos tipos de rinite será dado com a história bem-feita, detectando os sintomas, duração, fatores associados e os testes alérgicos”, diz.
A rinite não tem cura, apesar da evolução dos tratamentos. Dificilmente há remissão completa, uma vez que a deposição ao aeroalérgeno pode acontecer em qualquer momento da vida. “Pode ser controlada com medicamentos, com a adequação do ambiente e até mesmo com imunoterapia”, aponta. A pediatra salienta, no entanto, que a imunoterapia é apenas para as rinites persistentes ou moderadas/graves. Ela ainda ressalta que só deve ser feita por alergoimunologistas, sendo indicada somente se houver falha de tratamento clínico ou dificuldade de retirar as medicações. A médica lembra que toda pessoa com rinite precisa usar soro fisiológico no nariz (tomando cuidado com as composições que tenham benzalcônio, pois são irritantes nasais). Como opções medicamentosas existem os corticoides nasais, os antileucotrienos e os antialérgicos.

Descongestionar o nariz
Juliana reforça a manutenção da lavagem nasal com soro fisiológico e orienta a verificação de problemas anatômicos, como desvio de septo, aumento de adenoide, pólipo nasal, além de tratar a rinite exacerbada com medicamentos disponíveis. Ela não recomenda o uso rotineiro de descongestionantes orais ou tópicos. “Devem ser usados apenas se o médico indicar e por curto período de tempo”, alerta.
Prevenção
Como maneira preventiva, a pneumopediatra chama atenção para a melhora do ambiente. “Evitar carpete, cortina, revestir colchão e travesseiro com capa impermeável; evitar cobertores, manter casa e, principalmente, quarto bem-arejado; evitar varrer a casa, limpar com pano úmido; limpar ventiladores e filtros de ar condicionado; cuidado com umidificadores demais levam a proliferação de fungos, o que piora a rinite; evitar talcos e perfumes; evitar brinquedo de pelúcia e pano; evitar exposição ao fumo”, destaca.
Tratamento e orientação às crianças que lidam com a rinite
Antes de começar o tratamento, é fundamental detectar o tipo de rinite. “Faço orientações sobre cuidados com o meio, principalmente, focado no que está mais envolvido aos fatores desencadeantes da rinite do paciente em específico. Ensino e explico a importância da lavagem nasal com soro fisiológico. Por último, indico tratamento, sendo o corticoide nasal apenas para as crianças acima de dois anos”, conta. Se as medidas iniciais não surtirem efeito, Juliana mostra outras alternativas terapêuticas, como antialérgico ou antileucotrienos.
