Recentemente, o presidente Lula colocou prótese no quadril em um procedimento cirúrgico chamado artroplastia. De acordo com o Ministério da Saúde, a cirurgia consiste na substituição da articulação lesionada por uma prótese, confeccionada de materiais artificiais (metal, cerâmica, titânio, polietileno), podendo ser total ou
parcial. A artroplastia parcial substitui apenas o componente femoral com a preservação do acetábulo. Já a artroplastia total substitui os componentes femoral e acetabular (encaixe da cabeça do fêmur com a bacia). Segundo o ortopedista Inácio Ventura, a cirurgia tem baixos riscos, é minimamente invasiva, segura, rápida e o
tempo médio de realização é de 70 minutos. “A técnica, que é o meu carro-chefe, e da qual eu sou um dos pioneiros no Brasil, é a que eu mais realizo, que é o acesso anterior eficiente, uma técnica pela qual a gente consegue colocar a prótese sem absolutamente desinserir ou cortar nenhum tendão em nenhum músculo”, explica. Ventura ainda acrescenta que a cirurgia é uma das melhores na relação de risco-benefício da medicina, tamanha a modificação para o bem que ela faz na vida do paciente.
De acordo com o profissional, o que determina a faixa etária do paciente para a cirurgia é a condição clínica de limitação, o nível de sofrimento e a perda de qualidade de vida. “Normalmente vem associado a uma série de sintomas, como dor, restrição de movimento, de mobilidade do quadril, dificuldade para executar algumas tarefas do dia a dia”, aponta.

O médico lembra que se o paciente tentou alternativas menos invasivas, não cirúrgicas, como, por exemplo, modificações de hábitos de vida, fisioterapia, e uma série de estratégias, suplementos ou medicações a tratamentos conservadores direcionados (infiltrações de ácido hialurônico ou outras substâncias dentro da
articulação do quadril), mas continua com limitações e dor, a artroplastia é indicada. Ele diz que isso acontece sempre que houver a destruição da articulação do quadril, e a artrose — existe a primária, decorrente do processo de envelhecimento, do desgaste pelo tempo e a secundária, aquela em que havia uma causa subjacente — é a causa mais comum de degeneração, sendo o principal motivo para a necessidade de uma prótese, além de algumas doenças inflamatórias, especificamente as autoimunes, como artrite reumatoide, gota, espondilite.
Ventura comenta que tem sido recorrente o desenvolvimento de artrose em pacientes jovens pelo desgaste natural da articulação, e que a má-formação sutil do quadril do adolescente, chamada de impacto feminorosa, é uma causa muito marcada. Ele conta também que a frequência das artroses pós-traumáticas, pós-acidentes, em que ocorreram fraturas da bacia, da pelve ou do fêmur, levam à destruição da articulação.
Pós-operatório
O ortopedista destaca que o pós-operatório é seguro e confortável. Na maioria das vezes, não requer nem mesmo o uso de medicações potentes. Muitos conseguem executar atividades diárias sem precisar da ajuda de alguém. O médico fala sobre pacientes idosos que fazem a cirurgia e cita os que vivem sós. “Moram, às vezes, em casas que têm escada e são capazes de tomar seu banho sozinho, fazer a higiene, preparar os alimentos, se locomover para resolver as coisas mais básicas muito precocemente. Pacientes habituais operados dessa maneira, que eu coloquei com essas técnicas, ficam de pé cerca de quatro horas após a cirurgia e já dão os primeiros passos com a ajuda da fisioterapeuta”, afirma. Conforme Inácio, o tempo de internação é, em média, entre 16 a 18 horas. A cicatrização da pele acontece entre 10 a 15 dias após a alta, e o paciente é liberado para tomar banho de maneira mais cômoda. Em três semanas, a maioria volta a dirigir e abandona muletas, andador ou bengalas. Seis semanas depois, os pacientes podem recomeçar a normalidade da vida cotidiana, no entanto, sem atividades desgastantes. Em 12 semanas, eles são liberados para o retorno aos exercícios físicos.
