Em 2012, a apresentadora Astrid Fontenelle foi diagnosticada com lúpus. Desde esse tempo, ela usa o seu poderio de comunicação, através das redes sociais, para falar sobre o assunto com o público. Segundo a médica Flávia Cohen, o lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica. O sistema imunológico do corpo ataca seus próprios tecidos e órgãos — articulações, pele, rins, coração, pulmões, cérebro, vasos sanguíneos e outros órgãos. “É uma doença considerada autoimune, mas a causa exata não é totalmente compreendida. Acredita-se que seja uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais. O organismo passa a não reconhecer suas próprias células e produz anticorpos contra elas (autoanticorpos), causando diversas anormalidades clínicas e laboratoriais”, explica.
Os sintomas podem variar, significativamente, de uma pessoa para outra, ao longo do tempo, afetando a qualidade de vida. Os mais comuns são fadiga, dores articulares, febre, erupções cutâneas em forma de borboleta no rosto (o surgimento de lesões de pele ocorrem em até 80% dos casos), sensibilidade à luz solar, inflamações das articulações, dos rins (nefrite lúpica pode levar a danos renais progressivos), riscos cardiovasculares — como doença cardíaca coronária e acidente vascular cerebral (AVC) — e complicações no sistema nervoso podem causar dores de cabeça, confusão, convulsões e problemas de memória. Flávia diz que o tratamento é realizado com medicamentos imunossupressores e anti-inflamatórios. A médica destaca também a mudança no estilo de vida, reposição de vitamina D, minerais, gerenciamento do estresse, a importância de melhorar a qualidade do sono e alimentação anti-inflamatória. Esse conjunto faz parte do tratamento como um todo.
Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), estima-se que cerca de 65 mil brasileiros, entre 20 e 45 anos, são afetados pelo lúpus, sendo a maioria mulheres. Cohen aponta que a causa da predominância não é completamente conhecida, mas a ação do hormônio feminino, o estrógeno, ajuda a desencadear ou agravar a doença.
O diagnóstico é feito através do quadro clínico e exames de sangue — FAN e alguns anticorpos específicos como o anti-Sm, anti-DNA, além de proteínas inflamatórias como VHS e PCR — e urina. De acordo com Flávia, a evolução da doença pode variar de uma pessoa para outra. Certos indivíduos apresentam o diagnóstico leve, com sintomas que se manifestam esporadicamente, sendo controlados com tratamento. Outras pessoas podem ter uma forma mais grave, com complicações significativas. Ela conta que o lúpus pode ser caracterizado por períodos de atividade da doença (exacerbações), intercalados com períodos de remissão, em que os sintomas diminuem ou desaparecem.

Cohen faz uma ressalva fundamental às gestantes que têm a doença. “É considerada de alto risco. Há maior risco de abortamento espontâneo, restrição de crescimento intrauterino e fetal, eclâmpsia, morte fetal e parto prematuro. Portanto, deve-se fazer um acompanhamento multidisciplinar, com obstetra, reumatologista e nutricionista assitente”, alerta.
