A partir deste ano, a vacina em gotinhas contra a poliomielite será substituída, paulatinamente, pela versão injetável. Segundo o Ministério da Saúde, isso não vai representar o fim imediato do imunizante, mas, sim, um avanço tecnológico na eficácia do esquema vacinal, que será feito após um período de transição. O infectologista Munir Akar diz que existem duas vacinas contra a poliomielite. “A Sabin (gotinhas, vírus vivo) e a Salk (injetável, vírus mortos). Com a vacina de vírus mortos, não existe a possibilidade do aparecimento de doença causada pelo vírus atenuado da vacina Sabin em pessoas imunossuprimidas”, explica.

Se no passado o Brasil era referência internacional pela alta cobertura vacinal, em 2022, passamos longe. A meta de 95% não foi atingida. O país vacinou apenas 77% do público-alvo. Com a substituição da vacina, o personagem “Zé Gotinha” não será aposentado. Ele vai continuar nas campanhas como forma de conscientizar pais e responsáveis sobre a importância da vacinação. Perguntado qual foi o grande mérito das “gotinhas”, Munir comenta que juntamente com a vacina contra a varíola, a Sabin foi uma das mais eficientes já desenvolvidas. “Barata, de fácil aplicação, sem necessidade de aparato de enfermagem, grande aceitação e possibilidade de
“imunização de rebanho”, ou seja, vacinar crianças que não receberam oficialmente a dose”, destaca.
A indicação para substituir e adotar a Vacina Inativada Poliomielite (VIP) no reforço aos 15 meses de idade, hoje, feito com a forma oral do imunizante, foi recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com o Ministério da Saúde, a VIP (injetável) já é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida, conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Com a mudança prevista para o começo de 2024, as crianças brasileiras que completarem as três primeiras doses da vacina irão tomar apenas um reforço com a VIP (injetável) aos 15 meses. A dose de reforço aplicada, atualmente, aos 4 anos, não será mais necessária. O esquema vacinal com quatro doses garantirá a proteção contra a pólio. A atualização considerou os critérios epidemiológicos, as evidências relacionadas à vacina e as recomendações internacionais sobre o tema.
