Os tipos 16 e 18 são os mais perigosos desse vírus
O Ministério da Saúde estima que exista aproximadamente 10 milhões de pessoas infectadas pelo vírus do HPV (papiloma humano) no Brasil. Cerca de 700 mil novos casos de infecção surgem por ano. Estudos indicam que 80% da população sexualmente ativa devem ser infectadas pelo vírus em algum momento da vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que o HPV é a principal causa de câncer de colo do útero em mulheres e, a cada ano, mais de 340 mil morrem desse tumor relacionado ao HPV. De acordo com informações da Organização Pan-Americana de Saúde, a maior parte das infecções por HPV não causa sintomas e desaparece sem intervenção, mas certos tipos podem levar a verrugas anogenitais ou câncer.

O infectologista Munir Akar diz que a infecção pelo HPV ocorre no início da atividade sexual e, portanto, a melhor maneira de prevenção é através da vacina, que deve começar antes disso. Ele fala que o vírus da doença é associado aos cânceres de colo de útero, orofaringe, ânus e pênis. “O vírus é introduzido nas células do epitélio através de microfissuras que ocorrem durante o ato sexual. Na maioria das pessoas ocorre uma eliminação natural, em dois anos, sem provocar doença. Em alguns ocorre a incorporação do vírus e a transformação desse tecido em neoplásico”, destaca.
Vacina
Foi desenvolvida em 2006, na Austrália. Ela faz parte dos programas de imunização de mais de 50 países. No Brasil, a vacina é produzida pelo Instituto Butantan e protege contra o HPV de baixo risco, tipos 6 e 11, que causam verrugas anogenitais, e de alto risco, tipos 16 e 18, que causam câncer de colo uterino, de pênis, anal e oral. A vacina quadrivalente é distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), indicada para meninos e meninas, entre 9 a 14 anos. São duas doses, com intervalo de seis meses entre a primeira e a segunda. Pessoas entre 15 a 45 anos de idade tomam três doses, sendo que as duas primeiras com intervalo de dois meses e a terceira, seis meses depois. Pessoas entre 9 a 45 anos, imunossuprimidos (vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea, pacientes oncológicos ou vítimas de doença imunológica), também recebem três doses. A versão nonavalente da vacina do HPV está disponível em instituições privadas. Conforme informações disponíveis no site do Ministério da Saúde, desde o início de agosto, vítimas de violência sexual passaram a ser grupo prioritário para vacinação contra o HPV. A medida vai garantir proteção a pessoas de nove a 45 anos de idade que ainda não são vacinadas ou que não completaram o esquema de imunização contra o vírus.
