Estudo anual de Práticas de Governança da Korn Ferry mostra a composição atual de conselhos e nos ajuda a entender as trajetórias individuais que levam à ocupação desses cargos
O cargo de um conselheiro de administração se trata de algo prestigioso, oferecido e voltado àqueles que possuem conhecimento e experiências relevantes para tal. Baseando-se nos dados coletados pelo estudo anual de Práticas de Governança da consultoria de gestão organizacional Korn Ferry, podemos ter uma melhor ideia e compreensão sobre a trajetória que um indivíduo percorre até atingir o status de conselheiro.
De forma geral, um dos mais importantes fatores que servem como diferenciais e precedem a adesão de um sujeito antes deste se posicionar enquanto membro constituinte de um conselho, é a experiência. Hoje, a noção de que a experiência está necessariamente atrelada à idade não é disseminada com tanta força, mas nem por isso se torna menos importante. Espera-se que, ao ocupar um cargo de tamanha importância, o indivíduo possua um certo nível de expertise em sua área.
Histórico de conhecimentos
Uma boa formação acadêmica é o fator responsável por criar uma sólida base para qualquer profissional, e é um dos fatores que influenciam em uma possível futura oportunidade enquanto conselheiro. A realização de uma boa jornada acadêmica demonstra o potencial de um indivíduo para o mercado de trabalho, aumentando assim sua atratividade e potencializando suas chances de receber boas oportunidades.
Durante sua jornada profissional, este indivíduo coletará uma gama de aprendizados e experiências em diferentes áreas. Espera-se que construa um background com experiências e insights nos ramos político, empresarial e de negócios, por exemplo, e uma formação específica em governança corporativa é algo que deve ser buscado por aqueles que almejam conquistar uma vaga enquanto conselheiro em algum momento de sua carreira.
Possibilidades ao cargo
Sabendo que os conselhos são formados por, em média, nove cadeiras, sendo elas ocupadas por membros internos da empresa, membros externos e membros independentes, existe uma gama variada de possibilidades e trajetórias que podem ser seguidas para atingir este cargo. Além de cada membro possuir uma trajetória individual, a diversidade de posições dos membros em sua composição é algo aumenta ainda mais as possibilidades.
Os membros internos da companhia no Conselho, por exemplo, que geralmente ocupam apenas uma das nove cadeiras, geralmente são os CEOs atuais da empresa em questão, o que indica uma das possibilidades naturais de trajetórias. “Os membros externos geralmente também têm algum tipo de relação com a empresa, sendo acionistas, ex-funcionários, etc., ou seja, alguém que tenha conhecimento sobre o funcionamento interno da empresa e, portanto, será capaz de trazer insights valiosos sobre a mesma”, explica o sócio sênior da Korn Ferry, Jorge Maluf.
E, finalmente, hoje, existe um significativo aumento nos números de conselheiros independentes. Conforme os dados do último estudo, 64% das cadeiras em Conselhos de Administração são ocupadas por indivíduos que trabalham como conselheiros profissionais ou são especialistas de mercado. Ou seja, ser capaz de se estabelecer por meio de uma dessas possibilidades pode servir como impulsionador de uma carreira ainda mais satisfatória como conselheiro de outras empresas, as quais o indivíduo pode ter deixado há um bom tempo ou sequer ter trabalhado antes.

Mulheres em cadeiras de conselho
A participação em conselhos pode ter um significado diferente para mulheres do que para seus colegas homens. Isso porque, segundo o estudo “Women CEO”, de 2022 e também da Korn Ferry, para atingir cargos como o de CEO, por trabalhar em conselhos ainda cedo em suas carreiras é um importante impulsionador. Segundo esse estudo, cerca de 70% das entrevistadas afirmam que a experiência como conselheira beneficiou muito suas carreiras, e possibilitou que chegassem ao nível de CEO.

É importante notar, porém, que o número médio de mulheres em conselhos ainda é muito mais baixo que o de homens, com a % variando levemente de acordo com características como a receita e o setor da empresa, por exemplo. Com base no número supracitado de nove cadeiras em um conselho, apenas duas são ocupadas por mulheres, fazendo com que a trajetória seja consideravelmente mais desafiadora. “Entretanto, a boa notícia é que hoje o incentivo por diversidade em cargos como o de conselheiro tem sido maior do que nunca, aumentando as oportunidades e ampliando os horizontes de possibilidades nas trajetórias de milhares de mulheres que almejam ocupar posições como conselheiras ou, futuramente, como CEOs” observa Maluf.
