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    Home»Negócios»Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar
    Negócios

    Por que controlar custos não basta para sustentar a saúde suplementar

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio27 de janeiro de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    André Machado Júnior é CEO da Maida Health, healthtech ligada ao ecossistema MV, com mais de 20 anos de atuação em gestão para planos de saúde. Executivo com 21 anos de experiência no mercado, tem trajetória marcada pela condução de projetos complexos voltados à melhoria da relação entre empresas, operadoras e usuários, com foco em eficiência, qualidade assistencial e controle de custos. É especialista em Atenção Primária à Saúde, Regulação, Atendimento ao Beneficiário e estratégias de Promoção e Prevenção em Saúde, além da gestão de grandes equipes.
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    Falar em controle de custos virou um assunto automático na saúde suplementar. Sempre que a conta aperta, o discurso aparece. Como o recurso financeiro é finito, essa discussão, que envolve sustentabilidade do setor de saúde, tem sido pauta frequente no mercado. O ponto de atenção é como atuar em todas as possibilidades, resguardando sempre as questões que envolvem qualidade assistencial, acesso e eficiência operacional. Se não atuarmos nas três frentes, tendemos a não evoluir na velocidade que é necessária.

    Depois de mais de duas décadas atuando na gestão da saúde, posso afirmar: o sistema não ficou caro apenas pelo fato do paciente usar demais. Ficou caro porque o cuidado é desorganizado, tardio, mal coordenado e com ausência de integração tecnológica.

    Experiências da Maida trazem alguns dados que nos apoiam a olhar para este tema. Em 2025, regulamos mais de 100 milhões de solicitações de atendimento em saúde em todo o Brasil, realizamos mais de 120 mil visitas a pacientes internados e auditamos mais de R$7 bilhões em faturamento hospitalar. Esse volume nos dá uma visão privilegiada do que realmente pressiona os custos. Não são, em sua maioria, decisões clínicas complexas. São internações que se prolongam por ausência de cuidado prévio, falhas de comunicação entre equipes, ausência de acompanhamento contínuo, ausência de integração dos prontuários eletrônicos, ausência de cuidado baseado nas condições de saúde e processos que não conversam entre si.

    O debate costuma cair em uma armadilha perigosa: ou se corta gasto, ou se preserva o cuidado. Isso só ocorre quando não é estimulado o cuidado continuado, a longo prazo e com integrações e protocolos bem definidos. Por isso precisamos focar na transformação digital, empoderamento e estímulo ao autocuidado e numa melhor eficiência assistencial, afinal eficiência assistencial não tem a ver com restringir acesso, mas com garantir que o paciente receba o cuidado adequado, no tempo correto e no ambiente certo. Quando isso não acontece, o sistema paga duas vezes — financeiramente e no desgaste da saúde das pessoas.

    Esse desgaste aparece claramente no adoecimento e na experiência do usuário. Isso é refletido nas judicializações e conflitos que têm crescido na saúde suplementar e até mesmo na saúde pública.

    Precisamos mudar esse cenário, investir numa jornada integrada de cuidado e na organização dos processos, programas de cuidado e protocolos, bem como na transformação digital da saúde. A tecnologia tende a apoiar totalmente nisso, mas precisamos lembrar que a transformação digital de verdade não é empilhar ferramentas, é mudar a forma de trabalhar. É integrar dados, processos e pessoas para que decisões sejam tomadas antes que o problema vire crise. Quando a tecnologia entra na rotina da regulação, da auditoria e do acompanhamento clínico, ela deixa de ser promessa e vira resultado.

    O legado de 2025 deixa uma lição clara. A saúde suplementar não vai se sustentar fazendo as mesmas coisas que tem feito no decorrer do tempo. Precisamos organizar o cuidado, olhar para longo prazo e parar de apagar incêndios. Esse será, com toda a certeza, o diferencial dos negócios envolvidos neste setor.

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