A profissionalização da expansão reposiciona o papel das aceleradoras e redefine a lógica de crescimento das redes no Brasil
Durante muito tempo, a expansão no franchising brasileiro foi conduzida de forma predominantemente intuitiva. A associação entre crescimento gradual e preservação de controle coexistia com a percepção de que a aceleração representava um risco elevado, geralmente ligado à perda de padrão operacional, fragilidades de gestão e conflitos com franqueados. Com o amadurecimento do setor, essa leitura começou a ser revista, à medida que se tornou mais evidente que o principal fator de risco não estava na velocidade do crescimento, mas na ausência de método.
Nos estágios iniciais de desenvolvimento do setor no país, não havia um modelo estruturado de aceleração aplicado especificamente às redes de franquias. Esse vácuo levou à análise de experiências consolidadas em outros setores da economia global. Ecossistemas como Israel, Vale do Silício e China passaram a ser observados como referência em crescimento acelerado sustentado por processos, governança e controle operacional.
A partir desse aprendizado, emergiu no Brasil, de forma pioneira, um modelo de aceleração voltado a franquias, que passou a priorizar validação, método e governança antes da escala. O movimento, liderado pela 300 Franchising, contribuiu para uma inflexão relevante na lógica de expansão do setor: crescer deixou de ser o ponto de partida e passou a ser consequência de um processo estruturado de preparação.
Nesse novo desenho, a expansão ocorre somente após a validação de critérios objetivos. O primeiro deles está relacionado ao empreendedor, avaliando-se propósito, visão estratégica, maturidade decisória e histórico de execução. A aceleração tende a ampliar a complexidade da operação e exige maior capacidade de liderança, foco e consistência por parte de quem conduz o negócio.
O segundo critério é o próprio modelo de negócio. São analisados o grau de diferenciação da marca, sua capacidade real de escala e o nível de organização da operação. Estruturas de gestão, processos definidos, sistemas, manuais e mecanismos de governança tornam-se elementos centrais para garantir previsibilidade ao longo do crescimento.
O terceiro fator diz respeito ao timing. Nem toda empresa estruturada está, necessariamente, no momento adequado para expandir. A avaliação do contexto interno, do grau de dedicação exigido do empreendedor e das condições de mercado funciona como um filtro para evitar desgaste operacional e decisões estratégicas prematuras.
Com esses fatores alinhados, a expansão deixa de ser uma aposta e passa a operar dentro de uma lógica mais próxima da indústria, baseada em repetição, controle e métricas claras de desempenho. A adoção de metodologias inspiradas em empresas de alto crescimento contribui para que a escala ocorra de forma mais previsível e sustentável.
Os efeitos desse modelo já aparecem nos números. O ecossistema 300 Franchising reúne mais de 90 marcas sócias e já comercializou mais de 13 mil franquias no país. O grupo é responsável pela geração de cerca de 45 mil empregos diretos e possui valor estimado superior a R$ 2 bilhões.
“O crescimento deixa de depender exclusivamente da ambição e passa a ser resultado de uma estrutura bem construída. Padronização de processos, acompanhamento sistemático de indicadores e suporte centralizado são determinantes para sustentar a expansão”, afirma Leonardo Castelo, presidente da 300 Franchising.
O tema ganha relevância em um momento de desempenho consistente do franchising brasileiro. Dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF) indicam que o setor faturou R$ 135,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, alta de 11,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em um ambiente de juros elevados e crédito mais seletivo, modelos de expansão capazes de oferecer previsibilidade tendem a ser mais valorizados por investidores e empreendedores.
Como ocorre em outros mercados em processo de amadurecimento, a difusão do conceito de aceleração também gerou distorções. Parte das iniciativas passou a reproduzir o discurso do crescimento acelerado sem a devida compreensão dos fundamentos que sustentam esse modelo. A fronteira entre expansão consistente e risco excessivo passou a estar diretamente associada à presença de método, processos robustos e governança.
Nesse contexto, a decisão sobre como conduzir a expansão, e com quem, tornou-se um fator estratégico para a sustentabilidade das redes. A escolha do modelo de crescimento passou a ter impacto direto sobre a capacidade de execução, a relação com franqueados e a longevidade do negócio.
A nova lógica do franchising brasileiro aponta para um ambiente mais profissional, previsível e orientado por processos. O crescimento acelerado, quando sustentado por método e governança, deixa de ser uma ameaça e passa a ser compreendido como parte de uma estratégia deliberada e racional de expansão.
Sobre
A 300 Franchising é o maior ecossistema de franquias da América Latina, focada em acelerar, estruturar e escalar marcas por meio de metodologia própria e atendimento consultivo aos franqueadores e investidores. A empresa trabalha com resultados, processos validados e foco no crescimento sustentável de redes.
