Quando o eSocial deixa de emitir alertas ou notificações, é possível que algumas empresas interpretem o silêncio como sinal de que está tudo em ordem. No entanto, essa percepção pode ser enganosa. A ausência de mensagens não significa conformidade, mas apenas que, naquele momento, inconsistências, omissões ou atrasos ainda não foram apontados pelos órgãos fiscalizadores.
"O eSocial não é um sistema opcional nem um ambiente paralelo. Ele é o meio oficial de prestação de informações trabalhistas, previdenciárias, tributárias e fiscais para diversos órgãos do governo", explica Rogério Luiz Balbinot, diretor da RSData e engenheiro de Segurança e Saúde do Trabalho.
Segundo ele, a atenção ao eSocial deve ser redobrada em 2026, especialmente diante do aumento do cruzamento de dados e do fortalecimento dos mecanismos de fiscalização. "O risco não desaparece quando tudo parece quieto. Ele apenas fica invisível, acumulando potencial de impacto financeiro e jurídico para as empresas", alerta.
Instituído para centralizar informações em um Ambiente Nacional Virtual, o eSocial permite que dados sejam utilizados para fins trabalhistas, previdenciários, fiscais, de apuração de tributos e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Um equívoco comum, segundo Balbinot, é tratar o sistema como uma obrigação nova.
Para o Ministério do Trabalho e Emprego, o eSocial não cria exigências. Ele apenas operacionaliza obrigações que já existem na legislação. Prazos e regras não são definidos pelo sistema, mas pelas normas legais que ele executa.
O principal fator de risco, conforme Balbinot, não está apenas na falta de envio de informações, mas também no envio fora do prazo, com dados incompletos ou incorretos.
De acordo com a norma, o não cumprimento das obrigações no eSocial pode gerar multas em caso de informações omitidas ou incorretas, e o valor pode se elevar em casos de reincidência ou resistência à fiscalização.
"Quando a empresa relaxa porque não recebeu alerta algum, ela pode estar correndo o risco de ser surpreendida por uma autuação futura, muitas vezes com valores expressivos", observa Balbinot. "Se eu pudesse dar um conselho às empresas, diria que: o eSocial é uma base robusta de dados, capaz de identificar inconsistências e acionar mecanismos de cobrança e regularização", completa.
O diretor também recomenda às empresas revisar rotinas, validar informações e manter o eSocial atualizado. "Esses processos rigorosos deixaram de ser apenas uma obrigação operacional, tornando-se uma estratégia recomendável para a prevenção de riscos", finaliza Balbinot.
