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    Home»Notícias Corporativas»Crenças sobre o câncer que podem prejudicar o tratamento
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    Crenças sobre o câncer que podem prejudicar o tratamento

    DinoBy Dino3 de fevereiro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Embora fatores como genética e envelhecimento sejam inevitáveis, a oncologia moderna reforça que o que pode ser modificado tem impacto direto sobre a doença, não apenas na prevenção, mas também na resposta ao tratamento. Estudos mostram que o chamado "microambiente tumoral", um sistema que envolve células, metabolismo e resposta imunológica, influencia a progressão e a capacidade de crescimento dos tumores, sendo diretamente influenciado pelas condições sistêmicas do organismo.

    Alimentação, sono, atividade física e redução do estresse estão entre os fatores que controlam esse microambiente, com efeitos sobre processos metabólicos e inflamatórios ligados à evolução do câncer. "Existe uma ideia de que, depois do câncer, nada mais faz diferença. Isso não é verdade", afirma o oncologista Guilherme Harada, do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ele, hábitos como se movimentar mais, manter uma dieta equilibrada, estar com a vacinação em dia e cuidar da saúde emocional ajudam o corpo a enfrentar melhor a doença.

    Abaixo, especialistas do Sírio-Libanês listam cinco mitos sobre a doença.

    "Açúcar alimenta o câncer"

    Durante o tratamento do câncer, a alimentação passa a integrar a estratégia de cuidado. Pequenos ajustes no prato já mostram impacto comprovado na resposta do organismo, na tolerância aos tratamentos e até na prevenção para que a doença não volte a aparecer. De acordo com Thais Giovaninni, nutricionista do Hospital Sírio-Libanês, padrões alimentares saudáveis ajudam a criar um ambiente mais favorável à recuperação. "Não existe alimentação anticâncer. O que existe é um padrão alimentar que garante melhor resposta ao tratamento e ajuda a minimizar efeitos colaterais", explica. O foco deve estar no consumo regular de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, boas fontes de gordura e proteínas adequadas, sempre com orientação personalizada.

    "Dietas muito restritivas podem levar à perda de peso e de massa muscular, aumentando o risco de efeitos colaterais e até levando à interrupção do tratamento", alerta Thais. O mesmo vale para mitos populares, como a ideia de que o açúcar deve ser totalmente eliminado. "Todas as células do corpo precisam de glicose. O problema é o excesso, especialmente de açúcar adicionado", afirma. "Buscar constância em boas escolhas, e não a perfeição, é o que realmente protege o paciente ao longo da vida."

    "Estou doente, preciso ficar em repouso"

    O medo de "forçar demais" durante a quimioterapia ou a radioterapia ainda paralisa muita gente, inclusive quem nunca teve o hábito de se exercitar. Hoje, a medicina é clara ao afirmar que a atividade física, quando bem orientada, é segura, ajuda o organismo a responder melhor ao tratamento e pode reduzir o risco de recidiva.

    "É mito achar que quem nunca fez exercício não pode começar depois do diagnóstico. O exercício faz parte do tratamento", afirma a médica fisiatra Isabel Chateaubriand Diniz Salles, coordenadora médica do Serviço de Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês. Segundo ela, o movimento contribui para reduzir a inflamação crônica, melhora a resposta imunológica, diminui a resistência à insulina e impacta diretamente a saúde mental. "Não é tudo ou nada. Começar, nem que seja com dez minutos por dia, e progredir até, pelo menos, 150 minutos semanais de exercícios aeróbicos, associados ao fortalecimento muscular, alongamentos e treino de equilíbrio, é uma estratégia concreta para transformar o corpo e a relação do paciente com a doença", explica.

    "Sou forte, não preciso de ajuda" ou "Não quero incomodar"

    O estresse crônico e a ansiedade atrelados à doença mantêm o organismo em estado de alerta, com liberação persistente de cortisol e adrenalina, o que pode prejudicar o sono, aumentar a fadiga, intensificar a dor e dificultar a adesão ao cuidado. "Isso não significa que o estresse cause câncer ou impeça o tratamento de funcionar, mas que o corpo responde melhor quando o sofrimento emocional é reconhecido e cuidado", explica a psicóloga Patrícia Seta, do Hospital Sírio-Libanês. De acordo com a especialista, sentimentos como medo, tristeza, raiva e insegurança não são sinais de fraqueza. "Cuidar da saúde mental não elimina o medo, mas reduz o sofrimento, melhora a qualidade de vida, favorece a adesão ao tratamento e ajuda o paciente a atravessar a jornada com mais apoio e sentido."

    "Vacinas causam doenças, inclusive câncer"

    Hoje, a ciência já reconhece que cerca de 13% dos cânceres no mundo estão associados a infecções evitáveis por imunização, com destaque para o HPV e a hepatite B. A vacinação contra o HPV pode prevenir até 90% dos casos de câncer do colo do útero, além de reduzir de forma significativa tumores de ânus, pênis, orofaringe e vagina. Já a vacina contra a hepatite B está associada a uma queda expressiva na incidência de câncer de fígado em países que adotaram alta cobertura vacinal. "Vacina também é estratégia de prevenção do câncer", afirma o oncologista Dr. Guilherme Harada.

    Para quem já está em tratamento oncológico, manter o esquema atualizado é uma medida de proteção essencial, já que têm maior risco de complicações graves por infecções como gripe e pneumonia, o que pode levar a internações e até à interrupção do tratamento. "A vacina não trata o câncer, mas evita intercorrências que fragilizam o organismo e atrapalham o cuidado oncológico", explica Harada. Segundo ele, vacinas como a da gripe e da covid-19 são, em geral, recomendadas para pacientes oncológicos, com avaliação individual do tipo de tratamento e do momento clínico.

    "Já tenho câncer, não adianta abandonar o cigarro ou álcool"

    De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabaco está relacionado a cerca de 25% de todas as mortes por câncer, sendo o principal fator de risco para tumores de pulmão, boca, laringe, esôfago, bexiga e pâncreas, enquanto o álcool responde por mais de 740 mil novos casos da doença por ano, com forte associação a câncer de mama, fígado, intestino e cabeça e pescoço. "É um mito achar que, depois do câncer, parar de fumar ou reduzir o álcool não faz mais diferença. A interrupção melhora a resposta ao tratamento, reduz complicações, diminui o risco de novos tumores e impacta diretamente a sobrevida", afirma Guilherme Harada. Para ele, não existe consumo seguro de cigarro ou álcool do ponto de vista oncológico.

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