O timeshifter, lawtech brasileira que utiliza inteligência artificial para automatizar o registro de horas trabalhadas por advogados, concluiu uma rodada pre-seed de R$ 530 mil. Do total, R$ 295 mil foram aportados por meio da Smart Money Ventures (SMV), que liderou a rodada, somando-se a R$ 235 mil captados anteriormente com o Insper Angels e San Fran Angels.
Fundada em setembro de 2024 por Leonardo Bock e Henrique Labella, a startup desenvolveu uma plataforma que captura automaticamente atividades realizadas pelos profissionais no computador e utiliza IA para sugerir os lançamentos no timesheet. A tecnologia busca reduzir o tempo gasto com o preenchimento manual e recuperar horas trabalhadas que acabam não sendo registradas e faturadas pelos escritórios.
A empresa que concluiu a sua rodada em agosto, já se aproxima do breakeven, após ter o mês de maior receita até agora: 26 vezes o faturamento de agosto de 2025, um salto de 2.585% em doze meses. A versão mais recente do produto, lançada neste ano, registra zero churn entre os escritórios que migraram para a plataforma.
“O timeshifter se encaixa na nossa tese por ser um SaaS B2B com produto lançado, receita validada e clientes pagantes. A inteligência artificial é aplicada a uma dor específica e recorrente, com um valor muito claro para o cliente”, afirma Rafael Stein, sócio da Smart Money Ventures.
“Lançar timesheet é como lavar louça: quanto mais louça na pia, mais preguiça você fica. Ao final do mês, computa umas 12 horas para ficar lançando. E se você esquecer, tem que sair catando milho, tem que ir nos itens enviados do seu e-mail, tem que ir no Whatsapp ver o que você fez, tem que ver toda a sua agenda. Agora está tudo feito, tudo sugerido, e a ferramenta vai aprendendo. Em uma hora ela resolveu o mês inteiro”, dizem as advogadas Juliene Piniano e Fabiana Fagundesl, do FM/Derraik.
Segundo pesquisa da empresa com centenas de profissionais, um advogado gasta entre quatro e doze horas por mês apenas preenchendo timesheets. Além do tempo dedicado ao processo administrativo, atividades realizadas e não registradas podem representar receita que deixa de ser faturada. Segundo a American Bar Association (ABA), atrasos e falhas no preenchimento tradicional de timesheets podem fazer escritórios perderem de 10% a 50% das horas faturáveis e da receita associada. Atualmente, o timeshifter recupera e economiza uma média de 7 a10 horas por advogado a cada mês.
A plataforma é integrada a ferramentas mais utilizadas pelos escritórios, como Outlook, Word, sistemas jurídicos de gestão e faturamento. A IA é treinada para ler e interpretar a grande maioria do ecossistema jurídico brasileiro online, incluindo os mais de 90 sites de tribunal. A empresa também desenvolve novos meios de captura das atividades, incluindo o preenchimento por áudio via WhatsApp, aplicativo de uso comum por advogados nas interações com clientes.
Crescimento
Após sucessivas evoluções da tecnologia, a startup lançou sua nova versão (escalável) no primeiro semestre deste ano. Entre março e agosto de 2026, a base de advogados pagantes do timeshifter dobrou de tamanho quatro vezes consecutivas.
Entre os clientes estão FM Derraik. Mariz de Oliveira e Siqueira Campos, Duarte e Forssell, Failla Lima Riva, Leite Tosto e Barros e FAS Advogados.
Expansão
Os recursos da rodada serão direcionados principalmente à estruturação da expansão comercial e à evolução tecnológica da plataforma. A empresa pretende ampliar integrações com sistemas utilizados pelos escritórios e incorporar outras formas de trabalho hoje mais difíceis de registrar, como reuniões presenciais e interações realizadas pelo WhatsApp.
O mercado inicial são escritórios brasileiros com mais de 10 advogados que já trabalham com timesheet, especialmente aqueles que cobram honorários por hora. A estimativa apresentada pela companhia aponta para um mercado potencial promissor, pois além dos mais de 60 mil advogados que já utilizam esse modelo de controle de horas, se formam no Brasil cerca de 100 mil bacharéis por ano.
No longo prazo, com um sistema totalmente autônomo de geração de timesheet, a estratégia é levar a tecnologia também para outras atividades profissionais nas quais o tempo é uma variável importante de produtividade e faturamento, como consultoria, contabilidade ou qualquer outro serviço onde tempo intelectual é a maior alavanca de valor, independente da cobrança por hora. “A discussão começa com o timesheet dos advogados, mas o mercado de gestão de tempo e produtividade é muito maior. Consultores, contadores, desenvolvedores e outros profissionais que trabalham diante de um computador enfrentam problemas semelhantes”, afirma Stein.
