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    Home»Comunicação»Fórum iHealth aponta coordenação entre os atores como próximo passo para a pesquisa clínica e o RWE no Brasil
    Comunicação

    Fórum iHealth aponta coordenação entre os atores como próximo passo para a pesquisa clínica e o RWE no Brasil

    Meio & NegócioBy Meio & Negócio14 de outubro de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Em sua primeira edição, evento realizado em São Paulo destacou os avanços após a Lei da Pesquisa Clínica e os novos gargalos que o país precisa enfrentar

    Reunir os atores que movem a pesquisa clínica e a geração de evidências de mundo real (RWE) no país e discutir como transformar o potencial brasileiro em incorporação de tecnologias e acesso para os pacientes. Esse foi o ponto de partida do Fórum Estratégico iHealth, realizado nesta quinta-feira (8), no Sindusfarma, em São Paulo. Com o tema “O Mundo Vai Evoluir Com ou Sem o Brasil”, o encontro de alta liderança teve formato de mesas de discussão e colocou o debate no centro da programação.

    O evento, promovido pela iHealth, teve alta procura, o que levou a organização a encerrar as inscrições para respeitar o limite de participantes. Para Angelo Orru Neto, CEO da iHealth, o interesse reflete o clima de confiança do setor. “Mostra quão aquecido e quão confiante está todo mundo de que o cenário para pesquisa clínica no Brasil mudou”, afirma.

    Segundo o executivo, houve forte alinhamento entre indústria farmacêutica, CROs, prestadores de serviço e instituições de saúde para os próximos anos. “Ficou claro que o Brasil está com a faca e o queijo na mão. Agora temos que nos unir e começar a cortar esse queijo”, diz.

    Dos dados à evidência

    Ao longo da manhã, quatro mesas trataram do papel da pesquisa clínica e do RWE na estratégia global de novos medicamentos, da coordenação de dados e inteligência artificial, dos efeitos da Lei da Pesquisa Clínica (Lei 14.874/2024) e de como a indústria pode converter esses ativos em incorporação e acesso.

    Para Meiruze Freitas, diretora do Decit/MS e participante da primeira mesa, parte importante dos desafios já foi superada. “Nós temos base de dados, mas precisamos integrar essas bases. O nosso desafio é fazer com que esse dado chegue como uma informação que gere uma evidência”, afirma. Ela cita como exemplos a discussão sobre a incorporação de uma tecnologia, a manutenção dessa incorporação e a avaliação de políticas públicas.

    Como legado do fórum, Meiruze destaca a necessidade de uma coordenação nacional para ampliar a pesquisa clínica e a inovação. “O Brasil precisa ter uma coordenação que dê as diretrizes e acompanhe a execução das ações, para termos centros de pesquisa de referência, capazes de conduzir todas as fases de desenvolvimento de uma tecnologia em saúde, seja um medicamento, uma vacina ou uma terapia avançada”, diz. “E também um grande maestro no Brasil da pauta da inovação, da ciência e da tecnologia.”

    Avanços e novos gargalos

    A segunda mesa, mediada por Karlyse Claudino Belli, Chief Business Data Officer da iHealth, discutiu quem deve reger a orquestra de IA, interoperabilidade e RWE no país. Para ela, a inteligência artificial já permite processar dados complexos, como textos livres de prontuários hospitalares, e reconhecer o perfil da população atendida. “Quanto mais os estudos internacionais que vêm para cá tiverem sinergia com o perfil da nossa população, melhor será a aplicabilidade desses dados, e a população terá acesso mais rápido aos medicamentos e às tecnologias de que realmente precisa”, explica.

    Karlyse afirma que conhecer melhor o perfil da população ajuda a identificar necessidades não atendidas e a entender quais tratamentos são mais necessários diante do perfil epidemiológico. Sobre os resultados da nova lei, ela lembra que o país avançou em previsibilidade e nos indicadores de aprovação em comitês de ética, com mediana de 26 dias para aprovação inicial do estudo nos Comitês de Ética, dado trazido pelo Ministério da Saúde durante o evento. “Resolvemos algumas coisas e surgiram outros gargalos que precisam ser resolvidos. Agora precisamos falar de jurídico, contratações, logística, capacidade dos centros de pesquisa, treinamento e formação de recursos humanos”, completa.

    Pesquisa clínica como acesso

    Moderador das mesas 1 e 3, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich reforça que a pesquisa clínica é estratégica para o país por unir benefícios para os pacientes, para a ciência e para o financiamento do cuidado. “Ela ajuda a trazer recursos que as pessoas não teriam sem ela, estimula todo o lado científico do país e traz um recurso financeiro que você não teria antes para ajudar a cuidar das pessoas. Mas, principalmente para os pacientes, quando você tem uma doença para a qual não tem um recurso disponível e a pesquisa te dá isso, é uma oportunidade única”, afirma.

    Para ele, o momento é de otimismo. “Estamos num momento de mudança que pode favorecer demais a expansão da pesquisa clínica no Brasil. O que temos que fazer agora é ter a capacidade de planejar e executar bem para que isso aconteça na prática”, destaca.

    Angelo Orru Neto também vê a pesquisa clínica como forma de acesso. “Você transfere o custo de tratamento do governo ou de um pagador privado para uma empresa internacional. Temos um objetivo claro de movimentar e profissionalizar esse sistema, sempre pensando no paciente como a ponta mais importante do modelo”, afirma. Entre as iniciativas em andamento, o executivo cita um novo projeto, em parceria com as Santas Casas, que começa a sair do papel, além do apoio a centros de pesquisa novos e já existentes.

    “A iHealth quer disruptar o modelo de dados e inteligência do mercado de pesquisa clínica e de real world evidence. Queremos ajudar a profissionalizar esse segmento, mostrando, do nível macro ao micro, o potencial e onde estão os pacientes”, resume o CEO.

    A iHealth, empresa do Grupo Doctor Assistant, estrutura dados clínicos de mundo real de instituições de saúde brasileiras para apoiar a indústria farmacêutica, CROs e centros de pesquisa em estudos de RWE, viabilidade de ensaios clínicos, seleção de centros e recrutamento de pacientes, com metodologia aderente ao Guia 64/2023 da ANVISA e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).

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