A barreira do inglês quase interrompeu a trajetória internacional de Robson Amorim, Felipe Silva, Felipe Tiozo e Luan Cavallaro. Amigos desde a infância, todos vindos de regiões periféricas de São Paulo, eles se conheceram em competições de robótica, representaram o Brasil em torneios internacionais e chegaram a conquistar um título mundial em 2015, na África do Sul. Mas, quando tentaram dar o próximo passo e acessar oportunidades fora do país, encontraram um obstáculo comum a milhões de brasileiros: a falta de fluência no idioma. Foi a partir dessa experiência pessoal que nasceu a BeConfident em 2023, edtech brasileira que usa inteligência artificial para criar uma experiência de imersão em inglês sem que o aluno precise sair do país.
A BeConfident chegou a 3 milhões de usuários em mais de 100 países e 200 mil alunos pagantes em 2026. No mesmo ano, a empresa fechou uma rodada Série A de R$ 85 milhões liderada pela Prosus, com avaliação de R$ 550 milhões e faturamento de R$ 60 milhões em 2025. Os investimentos reforçam a estratégia de internacionalização estruturada: operação dedicada na América Latina, EUA e Europa ao longo de 2026, com foco inicial na comunidade hispânica. A entrada na Ásia será a partir do primeiro semestre de 2027. A meta é que 90% dos alunos pagantes provenham desses mercados internacionais nos próximos anos.
Mais do que digitalizar o ensino de idiomas, a BeConfident aposta em um modelo de “intercâmbio digital”: uma experiência em que o aluno pratica inglês todos os dias, em situações próximas da vida real, com suporte de IA disponível 24 horas. A plataforma permite simular conversas profissionais, viagens, entrevistas, reuniões, situações cotidianas e diálogos personalizados de acordo com os interesses e objetivos do usuário, operando via WhatsApp no Brasil e aplicativo próprio em todos os mercados, disponível nas lojas virtuais.

A tecnologia combina mentores e avatares hiper-realistas com sotaques nativos, interações por texto, áudio e vídeo, correção instantânea, feedback personalizado e adaptação do conteúdo conforme o nível, a rotina e os erros recorrentes de cada aluno. Em agosto de 2026, 60,7% dos alunos ativos usaram funcionalidades de voz, 67,5% usaram vídeo, e 38,4% utilizaram ambas as modalidades. Essa metodologia vem do BeConfident Labs, laboratório próprio dedicado à criação de modelos avançados de inteligência artificial para gerar aulas personalizadas e multimodais, com pesquisadores ligados a universidades de referência como Stanford University, no Vale do Silício.
“O aprendizado teórico sem vivência diária limita o progresso e cria uma barreira significativa para quem busca a fluência real. A nossa missão é permitir que qualquer pessoa tenha acesso a uma imersão em inglês, mesmo sem fazer intercâmbio, sem sair do país e sem depender de horários fixos de aula. O aporte e o valuation em apenas dois anos mostram a confiança do mercado na nossa tecnologia e no impacto que já geramos na educação. Nosso desafio agora é escalar o que já funcionou organicamente em mais de 100 países em uma operação estruturada, mantendo a eficiência que nos permite oferecer prática ilimitada por menos de R$ 400 por ano”, declara Robson Amorim, CEO da BeConfident.
A startup desenvolveu o “BeConfident Masters”, gêmeos digitais de especialistas como Brian Requarth, Gina Gotthilf e Amanda Antunes (Prefiro Viajar). Cada avatar reproduz a voz, personalidade e expertise do profissional em situações de negócios, viagens e desenvolvimento pessoal, escalando o conhecimento sem exigir presença física contínua. A iniciativa responde a um desafio identificado pela própria BeConfident: 80,6% dos brasileiros testados encontram-se em níveis iniciantes de inglês, enquanto 12,5% citam falta de parceiros para conversa como principal obstáculo.
BeConfident tem, ainda, um data lake proprietário sobre a prática do idioma
A metodologia é avaliada em ambiente de pesquisa: 30% dos alunos que refazem o teste de proficiência após 180 dias na plataforma demonstram melhora mensurável para um nível mais alto, com base em amostra de 62 mil estudantes. Os dados gerais de uso mostram 1,883,034 testes de proficiência realizados, 698.296 horas acumuladas de conversação e 678.681 chamadas de voz.
Eficiência que inspirou o aporte
Para a Prosus, o investimento reforça o potencial da BeConfident em um mercado global bilionário e ainda pouco explorado por soluções de IA especializadas. A holding é dona do iFood na América Latina, acionista de plataformas como OLX e Decolar, listada na B3 e uma das maiores investidoras globais em tecnologia, com forte presença em mercados emergentes.
“Escolhemos investir na BeConfident porque acreditamos que a companhia reúne dois elementos raros: escala comprovada e inovação pedagógica baseada em inteligência artificial. O mercado global de ensino de idiomas é bilionário e ainda pouco explorado em soluções de IA. A BeConfident já demonstrou capacidade de crescer rapidamente e de adaptar sua tecnologia a diferentes mercados. Nosso objetivo é apoiar a expansão internacional da empresa e consolidar a América Latina como um polo de inovação educacional com alcance global”, afirma porta-voz da Prosus.
