A propaganda eleitoral de 2026 começou oficialmente em 16 de agosto e já ampliou a presença de conteúdos políticos na internet. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, a circulação paga ou impulsionada está autorizada até 1º de outubro no primeiro turno. Após a votação, os anúncios das candidaturas que avançarem poderão retornar a partir das 17h de 5 de outubro e permanecer até 22 de outubro. Para as empresas, esse movimento traz um efeito direto: a maior disputa pelos espaços digitais encarece a publicidade.
Segundo Leandro Ferrari, especialista em marketing digital, a influência da campanha eleitoral sobre o custo dos anúncios não deve ser tratada apenas como uma possibilidade. A entrada de partidos, candidatos, federações e coligações aumenta a demanda nos leilões de mídia, especialmente em plataformas que aceitam propaganda política. O tamanho da alta varia conforme público, região e período, mas o impacto aparece nos custos enfrentados pelos anunciantes comerciais.
“O encarecimento acontece porque mais anunciantes passam a disputar a atenção das mesmas pessoas dentro de um intervalo curto. As empresas precisam entender que o orçamento utilizado em um período comum pode entregar menos alcance durante a campanha eleitoral”, afirma Ferrari.
A dimensão financeira da eleição ajuda a explicar essa pressão. Aproximadamente R$ 4,9 bilhões serão distribuídos a 30 partidos pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Embora apenas uma parcela seja destinada à publicidade online, a concentração dos investimentos em poucas semanas aumenta a competição nos canais digitais disponíveis.
O impacto não ocorre da mesma maneira em todas as plataformas. O Google proíbe conteúdo político-eleitoral pago no Brasil, incluindo sua rede de pesquisa, display e YouTube. A Meta, por outro lado, permite anúncios sobre eleições e política no Facebook, Instagram e Threads, desde que os responsáveis cumpram as exigências legais e o processo de autorização da empresa.
É justamente nos ambientes da Meta que a pressão tende a ser mais percebida. A plataforma utiliza um sistema de leilão no qual diferentes anúncios competem por impressões. Quando campanhas eleitorais e empresas tentam alcançar pessoas semelhantes, nas mesmas cidades e faixas de horário, o custo por mil impressões, o custo por clique e o valor necessário para gerar uma venda podem subir.
Negócios locais estão entre os mais expostos, principalmente aqueles que anunciam para públicos amplos em capitais, regiões metropolitanas e estados com disputas eleitorais mais intensas. Empresas com segmentações nacionais também podem enfrentar aumentos, enquanto públicos muito específicos tendem a apresentar menor sobreposição com os interesses das campanhas políticas. A variação não elimina o encarecimento, mas determina onde ele será mais forte.
O calendário merece atenção especial para empresas que já preparam suas campanhas de Black Friday. Embora a data oficial ocorra em 27 de novembro, etapas como captação de contatos, formação de públicos, testes de ofertas e aquecimento começam meses antes. Ferrari orienta os negócios a anteciparem esse trabalho para o período anterior ao início da propaganda eleitoral ou concentrarem parte da preparação no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, quando o número de candidaturas em disputa é menor.
“Quem deixa toda a preparação da Black Friday para coincidir com o pico da campanha eleitoral tende a pagar mais para construir público e testar anúncios. Planejar as etapas com antecedência permite aproveitar momentos de menor concorrência e chegar a novembro com a estratégia validada”, explica o especialista.
Durante o período eleitoral, o acompanhamento deve considerar CPM, custo por clique, frequência, alcance, taxa de conversão e custo de aquisição. Comparar esses indicadores com os resultados anteriores a 16 de agosto ajuda a dimensionar a alta. Também é necessário observar se o aumento decorre da eleição ou de outros fatores, como desgaste dos criativos, mudanças na oferta e maior concorrência comercial.
Redistribuir parte do orçamento entre Meta, Google, e-mail, WhatsApp, busca orgânica e bases próprias pode reduzir a dependência dos espaços mais disputados. A empresa também pode revisar
localidades, horários, posicionamentos e segmentos de público. Suspender completamente os anúncios, porém, pode significar perder vendas e presença de mercado.
A campanha eleitoral encarece a mídia empresarial, mas não inviabiliza a publicidade digital. O desafio está em reconhecer a nova concorrência, medir a intensidade do aumento e ajustar o calendário. Para empresas que dependem dos anúncios para vender, antecipar decisões será tão importante quanto aumentar a verba.
