Engenheiro formado pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Eduardo Moura poderia ter seguido um caminho tradicional no mercado corporativo, mas, desde cedo, foi movido por uma inquietação diante das desigualdades sociais e pelo desejo de resolver problemas complexos a partir da construção de soluções concretas. Ele se define como empreendedor social porque acredita na capacidade de criar do zero, testar, errar, ajustar e persistir até que uma ideia gere impacto real. “Romper com a ideia do impossível” é o que o mobiliza. Ao analisar os desafios estruturais do Brasil, encontrou nas juventudes, especialmente as de baixa renda, uma das maiores apostas para promover desenvolvimento socioeconômico sustentável e prosperidade em escala.
Sua trajetória empreendedora começou ainda na faculdade, quando criou, ao lado de colegas, um negócio de impacto social voltado ao fortalecimento de nano e microempreendedores do entorno universitário. Captaram recursos, testaram modelos, iniciaram operações e falharam. O projeto não vingou, mas deixou a convicção de que era possível trabalhar com propósito e transformar realidades, fazendo com que ele decidisse direcionar sua carreira para o impacto social.
Homem LGBTQIAPN+, Eduardo reconhece que sua vivência atravessa profundamente sua forma de liderar.
“As barreiras que enfrentei, as conquistas e as resistências que encontrei ampliaram minha capacidade de enxergar além. Para mim, inclusão não é discurso, é prática cotidiana. Isso fez com que eu me tornasse um líder que combina escuta ativa, orientação a resultados e cuidado genuíno com as pessoas”, explica ele.
Essa visão ganha forma concreta na Pulse Mais, organização que ajudou a estruturar e profissionalizar a partir de um projeto voluntário idealizado por Thiago Lima, um executivo do Google que também foi um jovem periférico e teve sua vida transformada por uma empresa de tecnologia. Eduardo enxergou ali o encontro entre incômodo, vivência e possibilidade: de um lado, jovens talentosos e criativos, barrados pela falta de rede, acesso e oportunidades, de outro, um mercado de tecnologia com alta demanda por profissionais qualificados.
Com método, educação, mentoria e conexão intencional com empresas, a organização atua para acelerar a inclusão produtiva de jovens periféricos em carreiras de tecnologia, setor estratégico por oferecer remuneração acima da média, crescimento acelerado e posicionamento nas fronteiras da inovação.
Os primeiros anos foram marcados por desafios típicos de quem constrói algo do zero, ou seja, consolidar marca, estruturar modelo sustentável, captar recursos e provar que era possível gerar empregabilidade real. “Fizemos muito com pouco”, resume o empreendedor social. Em 2025, a organização celebrou 45 jovens empregados, número simbólico não apenas pelo dado em si, mas por representar aumento de renda familiar, ganho de confiança, clareza de carreira e mudança de perspectiva sobre pertencimento.
Para Eduardo, quando um jovem periférico ingressa no mercado de tecnologia, não é apenas uma história individual de sucesso. É uma engrenagem de transformação estrutural. A renda impacta a família, inspira irmãos e vizinhos, altera expectativas coletivas e amplia a diversidade nos espaços de decisão. Talento, ele reforça, não tem CEP.
Sua atuação também envolve a construção de pontes com o setor privado. Ele defende que a relação entre empresas e impacto social precisa sair da lógica de filantropia e avançar para a de investimento estratégico.
“Ao dialogar com lideranças empresariais, apresentamos a inclusão de jovens periféricos como resposta concreta a desafios de negócios como escassez de talentos, inovação, diversidade e competitividade no futuro do trabalho”.
Transparência e intencionalidade como pilares da sua gestão
Com o time, metas e desafios são compartilhados de forma aberta, já com os jovens, não há promessas vazias, apenas clareza sobre oportunidades e responsabilidades. Cada decisão é guiada por uma pergunta central: “isso nos aproxima ou nos afasta do impacto que queremos gerar?”
Ao olhar para o futuro, Eduardo fala em legado com os pés no chão. “Sonho com uma geração de jovens de baixa renda não apenas empregada em tecnologia, mas liderando equipes, empreendendo, influenciando políticas públicas e redesenhando a noção de sucesso no Brasil. Meu real desejo é que, um dia, organizações como a Pulse Mais sejam menos necessárias, porque o sistema terá se tornado mais justo”, ressalta o empreendedor. Até lá, ele segue fazendo o que sempre o moveu: transformar indignação em ação, propósito em estratégia e oportunidade em transformação real.
