O primeiro dia da ROG.e 2026 reuniu os principais tomadores de decisão da indústria global de petróleo e gás para debater a segurança de suprimento, a gestão de riscos geopolíticos e o papel estratégico do Brasil na nova era do upstream. Em painéis de alto nível ao longo da programação na manhã desta segunda-feira (21), lideranças da TotalEnergies, bp, Petrobras, Brava, Prio, Karoon e Trident Energy convergiram na avaliação de que o país combina geologia de vanguarda, segurança jurídica e alta eficiência operacional em um momento de volatilidade no cenário internacional.
Integração e estabilidade contra riscos geopolíticos
No painel Strategic Talks, o CEO global da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, destacou que o cenário energético atual exige integração e diversificação da cadeia de valor como resposta aos conflitos no Oriente Médio e na Europa. Pouyanné reforçou que os aportes da companhia no Brasil são balizados por duas premissas centrais: retorno e estabilidade institucional.
“A nossa vantagem é ter uma cadeia integrada e diversificada. Isso é um elemento-chave e é a resposta ao risco geopolítico. Escolhemos investir no Brasil pela combinação de retorno e estabilidade na comparação com outras oportunidades globais”, afirmou Patrick Pouyanné, CEO global da TotalEnergies, citando a eficiência do campo de Mero no pré-sal, que produz 180 mil barris/dia com apenas quatro poços em operação.
Segurança jurídica e adição de energia
Durante o Leadership Luncheon, o vice-presidente executivo de Upstream da bp, Gordon Birrel, enfatizou que o mundo vive um momento de adição — e não de simples substituição — de fontes de energia para suprir a demanda crescente, impulsionada inclusive por novos setores como os data centers. Birrel destacou que poucos países possuem vantagens competitivas tão expressivas quanto o Brasil, citando o potencial geológico (como o campo de Bumerangue, descoberto pela bp no pré-sal da Bacia de Santos), a escala tecnológica e uma cadeia de suprimentos consolidada.
“Os investidores estão buscando segurança jurídica nos contratos e nos processos de licenciamento. Conseguimos resolver os desafios técnicos no longo prazo, mas precisamos de certeza regulatória e estabilidade para que o capital tenha garantias de longevidade”, pontuou Gordon Birrel, vice-presidente executivo de Upstream da bp.
Campos maduros: queda expressiva na taxa de declínio
No âmbito da produção nacional, o painel focado nas Junior Oil Companies trouxe dados consolidados sobre a revitalização de ativos existentes. Carlos Travassos, diretor de Operações Offshore da Brava Energia, revelou que a taxa de declínio da produção nos campos maduros brasileiros despencou de 19% (no período de 2020 a 2022) para apenas 7% (entre 2022 e 2024).
“A virada foi impulsionada pela entrada das operadoras independentes via programas de desinvestimento e por incentivos à produção incremental. Essa atividade gerou mais de R$ 6,5 bilhões em royalties em 2023, mantendo uma produção estável acima de 60 mil barris diários”, destacou Carlos Travassos, diretor de Operações Offshore da Brava Energia.
Durante o debate sobre o setor independente, executivos da Prio Jean Carlos Calvi, diretor de Operações), Trident Energy (Sergio Siqueira, gerente Financeiro) e Karoon Energy (Marco Brummelhuis, vice-presidente executivo e diretor nacional) apontaram que medidas como a regulamentação do tie-back (compartilhamento de infraestrutura offshore), leilões direcionados para áreas do entorno e royalties diferenciados por tipo de recuperação são cruciais para estender a vida útil dos poços e atratividade de novos aportes no país. A moderação foi realizada pela gerente executiva de Reservatórios da Petrobras, Maria Assunção Fontenele Soares Doria.
