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    Home»Últimas»A longevidade dos cães e gatos redefine o cuidado com a saúde animal
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    A longevidade dos cães e gatos redefine o cuidado com a saúde animal

    por Gabriela Mura
    JoaoBy Joao22 de setembro de 2026Updated:22 de setembro de 2026Nenhum comentário3 Mins Read
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    Imagem: Gabriela Mura é diretora de mercado e assuntos regulatórios do Sindan
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    Cães e gatos vivem mais do que em qualquer geração anterior. Uma revisão publicada em outubro de 2025 no Journal of Veterinary Science observa que animais que antes raramente passavam do início da adolescência hoje alcançam com frequência o fim dela, e parte deles chega aos vinte anos. A HealthforAnimals, entidade que reúne a indústria global de saúde animal, enquadra essa evolução em um intervalo mais amplo. Segundo a entidade, a expectativa de vida dos pets praticamente dobrou nas últimas quatro décadas, impulsionada por vacinação, melhor nutrição, diagnósticos mais precisos e tratamentos mais eficazes. Com a maior longevidade, cresce também a presença das doenças crônicas, que passam a ocupar parte importante da rotina veterinária.

    Assim como acontece com as pessoas, o envelhecimento dos animais aumenta a incidência de enfermidades que exigem acompanhamento contínuo. A própria HealthforAnimals associa à idade avançada um conjunto de condições como câncer, doenças hepáticas, diabetes, problemas articulares e declínio cognitivo. Diferentemente das doenças agudas, essas condições não se resolvem em uma única consulta. Elas demandam monitoramento frequente, ajustes no tratamento e uma atuação conjunta entre o médico-veterinário e a família ao longo de toda a vida do animal.

    Esse cenário empurra a medicina veterinária na direção da prevenção. De acordo com a HealthforAnimals, o setor deixou de apenas tratar as doenças quando elas aparecem e passou a trabalhar para evitá-las, com o apoio de planos de saúde para pets e do acompanhamento periódico. A lógica acompanha a da saúde humana. Quanto mais cedo uma alteração é identificada, maiores são as chances de controlar a doença e preservar a qualidade de vida do animal.

    No Brasil, o tema ganha peso pelo tamanho do mercado. O país tem a segunda maior população de cães e gatos do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com o Radar Pet, estudo da Comissão de Animais de Companhia (Comac), do Sindan. O mesmo levantamento aponta uma preocupação crescente dos responsáveis com o envelhecimento dos pets, ainda descolada da frequência de visitas ao veterinário. É sobre essa distância entre a intenção e a prática que o cuidado preventivo precisa avançar.

    O sucesso no manejo das doenças crônicas depende diretamente da adesão ao tratamento. A administração correta dos medicamentos, os retornos periódicos e o acompanhamento da evolução clínica só funcionam quando há parceria entre o profissional e quem convive com o animal no dia a dia. Do lado da indústria, a demanda por tratamentos de uso prolongado orienta o desenvolvimento de medicamentos mais seguros para administração contínua, de formulações que facilitam a rotina de cuidado e de ferramentas que apoiam o monitoramento dos pacientes.

    No fim, o crescimento das doenças crônicas reflete uma conquista. Os pets estão vivendo mais, e o desafio passa a ser assegurar que esse tempo adicional venha com qualidade de vida, com prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo incorporados à rotina veterinária. Clínicas, hospitais, indústria e responsáveis cuidam do mesmo animal em momentos diferentes, e a integração entre eles é o que sustenta o bem-estar de uma população que vive mais a cada ano.

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