A rotatividade no comando financeiro das organizações atingiu o maior nível da série histórica em 2025, subindo 12% em relação à média dos últimos sete anos, uma alta de 10% na comparação com 2024. Os dados são do Índice Global de Rotatitividade de CFO, estudo realizado anualmente pela Russell Reynolds Associates.
A pesquisa destaca mudanças no perfil exigido para os CFOs, que devem estar prontos para assumir a função com impacto rápido diante da ampliação das responsabilidades do cargo, volatilidade dos mercados, transformação das empresas e maior escrutínio de investidores e Conselhos, além de identificar recúo da presença feminina na posição. O Brasil segue as mesmas tendências de acordo com a consultoria, que fez uma análise inédita no país. Cerca de 40% das posições de CFO mudaram de mãos no Brasil, sinalizando que a transição no comando financeiro não é episódica, mas estrutural.
“Em 2025, o cargo de CFO consolidou um mandato ampliado: além das finanças, passou a exigir liderança em estratégia, transformação e comunicação com Conselho e investidores. Esse cenário intensifica as transições e aumenta a demanda por executivos experientes, capazes de gerar confiança rapidamente”, afirma Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da consultoria que é referência global em busca e desenvolvimento de liderança. “Para mitigar riscos, a sucessão de CFO deve ser tratada como disciplina contínua de governança, com planejamento antecipado e transição estruturada”, analisa.
O Índice Global de Rotatividade mostra que o tempo médio de um CFO é de seis anos e meio, enquanto, no Brasil, a permanência cai para quatro anos e meio. Cerca de 70% ocupam a cadeira menos de cinco anos e somente 12% ultrapassam uma década na posição.
Os cenários mundial e interno registraram aumento pela procura de profissionais mais experientes na hora de trocar o comando da cadeira de CFO. Apesar de 57% dos profissionais terem assumido seu primeiro mandato à frente da área, a busca por experiência saltou 7,5%, outro recorde na análise da série histórica. No Brasil, 65% das lideranças nomeadas já tinham experiência prévia como CFO, reiterando a preferência dos Conselhos por trajetórias com menor curva de adaptação.
A aposentadoria continua sendo o principal motivo para as lideranças deixarem o cargo e entra em curva ascendente, representando 60% das saídas globais, quase 10% acima de 2024. Além da alta rotatividade, o estudo mostra que o cargo de CFO segue como uma posição estratégica na formação de CEOs. No Brasil, 13% das transições observadas no período resultaram em promoções da liderança financeira para o principal posto executivo das empresas.
Diversidade é um ponto de alerta, na análise da consultoria. Mais mulheres foram nomeadas globalmente do que deixaram a posição, aumentando o número total de CFOs, mas o número de mulheres assumindo a posição em 2025 caiu para 21%, índice 23% abaixo do ano anterior. No Brasil, as mulheres representam apenas 14% dos CFOs do Novo Mercado, 50% abaixo do cenário internacional.
“Os dados mostram que diversidade na liderança financeira ainda é um desafio estrutural, e não uma questão que se resolve apenas no momento da sucessão. Ampliar a presença de mulheres em posições de CFO passa por fortalecer o pipeline de talentos femininos em funções estratégicas, criar condições reais de desenvolvimento ao longo da carreira e garantir ambientes que favoreçam retenção, visibilidade e prontidão para o cargo”, afirma Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.
A análise da Russell Reynolds reforça que, em um ambiente de maior rotatividade, Conselhos e CEOs devem priorizar o planejamento de sucessão, com perfis atualizados e suporte estruturado para acelerar a efetividade da liderança no início do mandato.
